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Diaolou, as torres fortificadas da China

Diaolou, as torres fortificadas da China

Por todo o condado de Kaiping, na província de Guangdong, na China existem centenas de torres de dois a cinco andares, que serviram como fortificações e moradias no passado, conhecidas como Diaolou (ou casas-fortes). Construídas com pedras, concreto e tijolos, estes edifícios representam uma fusão entre os estilos arquitetônicos orientais e ocidentais. Suas paredes eram grossas, possuindo vigias para vigilância e a sua sólida estrutura protegia-as não só de ataques, como também de inundações.

Diaolou, as torres fortificadas da China

Tais edificações começaram a serem construídas durante a Dinastia Qing (1644-1912), no final do século 19 e início do século 20. Foram utilizados como refúgio temporário por várias famílias e residências fortificadas para famílias ricas ou torres de vigias. Durante os anos de 1920 e 1930, havia mais de três mil dessas estruturas. De acordo comum levantamento realizado recentemente pelo governo da cidade de Kaiping, ainda hoje existem mais de 1.800 Diaolou. Em 2001 o Conselho de Estado declarou os Diaolou de Kaiping como “Relíquias Culturais Protegidas“, tendo em conta o seu significado especial para a arquitetura da China.

As Diaolou podem dividir-se em três tipos diferentes: Genglou, Zhonglou e Zhulou. As Genglou eram estruturas sólidas e simples construídas perto de uma aldeia, para proporcionar uma defesa para a comunidade. Os aldeão contribuíam coletivamente com dinheiro para a sua construção e cada família tinha direito a uma divisão.

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Já as Zhulou eram construídas no campo e eram construções altas e espaçosas, com requintados detalhes esculpidos, e ofereciam dependências confortáveis e elegantes. Desde o século 14 que a região de Kaiping tem sido tradicionalmente uma região de emigração para o exterior, assim como um repositório de ideias e tendências trazidas pelos chineses emigrados. Isto também se reflete na variedade de influências que se podem observar nos estilos arquitetônicos das Diaolou, incluindo a característica interessante dos pormenores ocidentais serem reproduzidos com materiais locais.

A área que agora é Kaiping, tradicionalmente pertenceu ao povo Yue e ao povo Han que vieram das planícies centrais da China e se misturaram com a população indígena. Eles cultivavam arroz e pescavam. A partir de meados do século 16, muitos moradores começaram a se envolver no comércio na costa nas proximidades, navegando em juncos de madeira para o sudeste da Ásia. No início do século 19, esses agricultores pobres começaram a viajar para a América, atraídos pela atração da corrida do ouro.

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Com o fim do século 19, a comunidade chinesa começou a acumular grandes economias e, após a Primeira Guerra Mundial, com rápida expansão econômica em muitos países, às fortunas dos chineses ultramarinos melhoraram continuamente. O que eles não acreditavam que tinham conseguido, no entanto, foi o reconhecimento social por sua contribuição para a expansão dos países em que haviam escolhido viver. O afluxo de pessoas ricas atraiu a atenção dos bandidos que invadiram, roubaram e sequestraram. Em resposta a incursões crescentes por bandidos vindo do norte para a área ao longo dos rios, os aldeões começaram a construir torres fortificadas.

A Depressão dos anos 1930, e a guerra contra o Japão, guerra do Pacífico da década de 1940 trouxe o desenvolvimento de Diaolous a um impasse. Entre 1943 e 1947 o controle de imigração nos EUA e no Canadá foi abolido com o resultado que muitos chineses voltaram para a América do Norte. Após o estabelecimento da República Popular da China em 1949, o banditismo foi interrompido e medidas de mitigação de inundações foram introduzidas. Com isso às Diaolous começaram a desaparecer. Na década de 1980, após a reabertura da China, muitos moradores se afastaram. Agora, muitos Diaolou estão vazios, cuidados pelos cuidadores, mas ainda considerados pelos chineses ultramarinos como seu lar espiritual, ao qual retornam em ocasiões familiares ou remetem dinheiro para orações a serem feitas aos seus antepassados. Alguns ainda contêm todos os seus móveis e acessórios originais.

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Diaolou Ruishi

A Diaolou Ruishi localiza-se na Vila de Jinjiangli, na cidade de Lianggang, e tem uma área de 92 metros quadrados. Foi construída em 1921 quando as Diaolou começaram a popularizar-se. Tem nove andares, sendo a mais alta Diaolou em Kaiping. Cada andar tem janelas quadradas em alinhamento com os três andares superiores, constituídos por pavilhões e corredores sinuosos. O telhado arqueado, em estilo bizantino, e a cúpula romana suportada por paredes e pilares, são de estilo único.

Grupo de Diaolou na vila de Zili

O grupo está espalhado por três aldeias (Anhe li, He’an li e Yong’an li) e é constituído por quinze casas bem preservadas. A Diaolou Mingshi (1925), com toda a mobília original no seu interior, é um excelente exemplo de Diaolou.

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Jardim Li

Localizado em Beiyi Xiang, o Jardim Li foi construído em 1936 por Xie Weili, um emigrante chinês, após o seu regresso dos Estados Unidos. Ocupa uma área de 11000 metros quadrados, incluindo canais de água artificiais, pontes, pavilhões e corredores. Existem vários edifícios de tijolo amarelo e azulejo azul no jardim, exemplo da fusão de desenhos chineses e ocidentais. O jardim tem uma grande variedade de árvores, plantas e flores raras. Esta extraordinária combinação de arquitetura e botânica fazem do Jardim Li um local idílico e panorâmico. Denglou Fangshi construída em 1920, também chamada “Farol”, tem cinco andares. O seu nome deriva do fato de ter existido um grande candeeiro instalado no seu topo, semelhante ao de um farol.

Bianchouzhu Lou (Diaolou Inclinada)

A Diaolou Bianchouzhu Lou localiza-se na vila de Nanxing, sendo construída em 1903, e tem sete andares. Levou dois anos para ser construir, devido a dificuldades de financiamento. Quando a construção atingiu o terceiro andar, a casa já se inclinava cerca de 10 centímetros para sudeste e, hoje, o seu eixo central tem uma inclinação de mais de 2 metros. No entanto, apesar dos numerosos terremotos e tufões sofridos no século passado, ainda está de pé. Esta notável característica da Diaolou Bianchouzhu Lou faz dela a mais famosa Diaolou da cidade de Kaiping.

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Fontes: 1 2 3

“Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam” – Jack Kerouac

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Meu nome é Julio Cesar, e sou de Santa Catarina e idealizador do site Magnus Mundi. O site tem como objetivo informar sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos e também histórias, lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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