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Heródio, a fortaleza do rei Herodes

Heródio, a fortaleza do rei Herodes

Localizado no deserto da Judeia, perto da aldeia de Tekoa, a doze quilômetros ao sul de Jerusalém, Heródio (em latim Herodium) é uma colina com a aparência de um vulcão extinto, na Cisjordânia. Na verdade, o que dá o nome a colina é uma fortaleza construída no topo pelo rei Herodes, o Grande (37-4 a.C.) entre os anos de 23 e 20 antes de Cristo. A fortaleza do rei Herodes foram construídos em uma colina natural, que foi ampliada em forma de uma cone e está a 758 metros acima do mar e era cercada por paredes duplas de vinte metros de altura.

Heródio, a fortaleza do rei Herodes

O complexo está dividido em duas partes, Alto Heródio que continha o palácio dentro de uma fortaleza circular no topo da colina artificial e Baixo Heródio, na base da colina, que consistia em inúmeros anexos do palácio para uso da família e amigos do rei e os escritórios centrais da capital distrital. Herodes construiu além da fortaleza, um complexo com palácios de grande extensão, pátios, uma imponente piscina com 70 metros de largura, casas de banho e um vasto complexo subterrâneo, além de cisternas e outras construções com o que havia de mais moderno e suntuoso na época.

Havia inúmeros jardins por todos os lugares e a água vinha através de um aqueduto vindo das piscinas de Salomão, perto de Belém. Sendo o monte mais alto do deserto da Judeia, Heródio tem uma vista deslumbrante sobre toda a área circundante, com as montanhas de Maob no leste e as colinas judaicas ao oeste. Heródio foi usado como residência de verão, monumento, cripta da família, capital do distrito e fortaleza.

Heródio, a fortaleza do rei Herodes

Diz ser construído como monumento em comemoração a vitória na batalha contra o rei que governou Jerusalém em 37 a.C. Grande admirador da cultura greco-romana, o rei Herodes com 25 anos, chamado pelos romanos de Rei da Judeia, lançou um audacioso programa de construções, que incluía as cidades de Cesareia e Sebástia e as fortalezas de Heródio e Massada. Ele governou por três décadas e também reformou o Templo de Herodes, transformando-o num dos mais magníficos edifícios da época. Em Heródio, teve que aumentar a montanha cerca de um terço de sua altura. Uma imponente escadaria de 200 degraus de mármore branco foi construída, da base até o topo.

Heródio, a fortaleza do rei Herodes

Apesar do lugar ser a capital do distrito, o rei Herodes raramente ocupou a fortaleza, mas era tão orgulhoso de sua construção que quando Agripa, genro e amigo pessoal do imperador Augusto visitou Judeia, fez questão de servir de guia em visita ao palácio e cercanias. Após a morte de Herodes em 4 a.C., o território foi dividido em três principados entre os seus filhos: Arquelau, Herodes Ântipas e Filipe. Heródio passou para Arquelau que governou de 4 a.C. até 6 d.C.. Quando Arquelau caiu, Heródio passou para os romanos, até o início da Grande Revolta contra Roma. Rebeldes judeus tomaram o complexo e se esconderam das legiões romanas na fortaleza. Após Heródio ficou abandonada até quando os membros da Revolta de Bar Kochba se enfurnou na fortaleza e tornou-o um forte impenetrável, assegurando-o por três anos contra os melhores soldados de Roma.

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Depois novamente o lugar foi abandonado até ser usado no período bizantino (séculos 5 a 7) quando uma grande comunidade de monges bizantinos eremitas instalou-se nas ruínas e usaram material de Heródio para construir três igrejas na região. Mais tarde, as pedras do complexo foram usadas para a construção das casas árabes do distrito. Após a conquista árabe no século 7, o lugar foi novamente abandonado até os beduínos casados com árabes refugiadas dos campos se estabeleceram nas proximidades durante algumas décadas.

Heródio, a fortaleza do rei Herodes

Ilustração de como o complexo de Heródio era.

Em 2007 foi encontrado em Heródio, a tumba de Herodes pelo arqueólogo judeu Ehud Netzer, da Universidade Hebraica. Uma antiga escadaria usada como cortejo fúnebre real levou o arqueólogo israelita a desvendar o mistério de 2000 anos: a localização da tumba. Ehud Netzer procurava o túmulo de Herodes desde 1972. Os especialistas supunham que o rei teria sido enterrado em algum canto escondido do palácio, mas não havia provas para comprovar a teoria. Esta poderá ser uma das grandes descobertas da história da arqueologia.

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A morte de Herodes foi documentada pelo historiador judeu Flávio Josefo que disse que Herodes morreu depois de um eclipse lunar. Josefo escreveu que a doença final de Herodes – às vezes chamada como “Mal de Herodes“- era insuportável e relatou a doença como: “uma coceira intolerável em toda a pele, contínuas dores nos intestinos, tumores nos pés, como na hidropisia, inflamação abdominal e gangrena nos órgãos genitais, resultando em vermes, além de asma, com grande dificuldade de respiração, e convulsões em todos os membros”.

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A partir das suas descrições, alguns peritos médicos propõem que Herodes tinha doença renal crônica complicada por gangrena de Fournier. Os estudiosos modernos concordam que ele sofreu durante toda a sua vida de depressão e paranoia. Sintomas similares estiveram presente na morte de seu neto Agripa I, em 44, sobre quem se relata vermes visíveis e putrefação. Estes sintomas são compatíveis com uma sarna, que pode ter contribuído para sua morte e sintomas psiquiátricos.

Herodes tem um lugar especial na história bíblica. Reconstruiu o Segundo Templo de Jerusalém, e de acordo com o Evangelho de Mateus, ordenou o Massacre dos Inocentes, que representou a morte de todos bebês do sexo masculino em Belém na altura do nascimento de Jesus. O Novo Testamento conta que Jesus escapou porque José soube da ameaça através de um sonho, e fugiu para o Egito, onde o teria educado.

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A imensa piscina no Baixo Heródio

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Pedras usadas em catapulta

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Maquete de como era a fortaleza no topo do monte

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“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. – Fernando Teixeira de Andrade

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