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Lanternes des morts, as lanternas dos mortos da Europa

Lanternes des morts, as lanternas dos mortos da Europa

Lanternas dos Mortos (francês: Lanternes des morts), são pequenas estruturas de pedras construídas durante o século 12, localizadas principalmente no centro e oeste da França, elas tinham pequenas aberturas no topo, onde uma luz era acesa a noite, e servindo como um farol, e supostamente indicando a posição de um cemitério. Há uma lenda que diz, que se tratava de um farol para as almas, e a luz que emanava dessas torres poderia restringir as mortes ao cemitério, deixando a sua forma personificada de buscar outras vítimas por outras regiões.

Lanternes des morts, as lanternas dos mortos da Europa

Ciron, França | Crédito da foto

Essas torres eram geralmente circulares, mas encontradas em todos os tamanhos e formas e com uma pequena entrada na parte inferior dando acesso ao interior, de modo a poder subir através de cordas e polias, a chama que iluminaria a noite. Um dos exemplos mais perfeitos encontrados na França é o de Cellefrouin, que consiste em uma série de oito eixos semicirculares anexados, sobre um pedestal com seis diferentes níveis e cobertos com uma estrutura cônica decorados com cones de abeto. A pequena abertura através da qual a luz brilha, está de frente para a estrada principal.

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Lanterna dos Mortos em Antigny, Poitou-Charentes, França | Crédito da foto

A origem e o uso de tais torres são controversos. Alguns pesquisadores acreditam que eram chamadas de “Lanternas dos Mouros” em vez de “Lanternas dos Mortos”. O analfabetismo da maioria da população no passado pode facilmente explicar isso como: em francês “os mouros” (les maures) e “os mortos” (les morts) soavam muito parecidos e poderiam ter sido trocados ao longo dos anos. Além disso, algumas dessas lanternas não se localizavam próximos de cemitérios e sua arquitetura tinham fortes influências orientais.

Existem outras teorias, mas pouco se sabe realmente sobre elas. Um estudioso, François Eygun (1898-1973), pesquisou em manuscritos do período medieval e não encontrou nenhuma referência a elas. Encontrou apenas que o abade de Cluny, Pedro o Venerável, descreveu um edifício de pedra construído no meio de um cemitério, com uma lanterna que era acesa em homenagem aos mortos que descansavam ali, isso no século 7. François acreditava que o objetivo dessas construções estavam ligados à Primeira Cruzada (1095-1099), a primeira expedição militar medieval feita pelos europeus para recuperar a Terra Santa e um igreja em particular. A Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém que havia sido destruída pelo califa Hakem em 1009.

Lanternes des morts, as lanternas dos mortos da Europa

Visão interna da Lanterna dos Mortos em Saint-Genou, na França | Crédito da foto

Quando a cidade foi recuperada pelos cruzados, noventa anos depois, em 1099, as ordens eram para que as igrejas fossem recuperadas todas de uma vez. Em Jerusalém, os construtores das igrejas construíram escadas em espiral que levava ao topo do prédio, onde uma lanterna era acesa para simbolizar a ressurreição de Cristo. Tais lanternas brilharam sobre Jerusalém de 1100 até 1187, quando a cidade foi invadida por Saladino, o primeiro sultão do Egito e Síria. A lanterna na cidade francesa de Montmorillon foi erguida em 1107, apenas oito anos após a reconquista de Jerusalém.

Quem ordenou a sua construção e da capela funerária ao lado dedicada ao Santo Sepulcro foi William IX, duque de Aquitânia, que acabará de voltar da Terra Santa. De seu exército, apenas seis homens se salvaram desta empreitada. Deste modo, acredita-se que as lanternas foram erguidas pela nobreza ou monástica local como uma lembrança do tempo que passaram na Primeira Cruzada. Especificamente, eles desejavam evocar a presença da igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, onde eles adoravam com um maravilhoso cântaro, cujos raios iluminavam a cidade toda, a noite. A uma correlação entre o período de tempo durante o qual as lanternas foram construídas na França e a era dos Reinos Latinos na Terra Santa, sendo os três primeiros trimestres dos século 7.

Lanternes des morts, as lanternas dos mortos da Europa

Lanterna dos Mortos e Ossuário em Lieding, Áustria | Crédito da foto

O mapeamento dos locais originais das lanternas, indica que estavam localizadas perto de estradas antigas. A peregrinação e o comércio no passado podem explicar tais monumentos, pois poderiam ser luzes guias para viajantes naquele tempo. O que melhor marcaria a rota de uma peregrinação do que as lanternas que ecoam a visão encontrada no ponto final do mais desejável destino de todos – a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém? A rota que as lanternas francesas tomam não terminam, por exemplo, em Jerusalém. Em vez disso, elas orientam os viajantes para a cidade de Santiago de Compostela, a capital da Galícia, no noroeste da Espanha, onde os restos de São Tiago estão enterrado.

Esta foi uma das mais importantes peregrinações medievais, depois daquelas a Roma e Jerusalém. Camino de Santiago, Jakobuswege, chemins de Saint-Jacques ou The Way of Saint James são os nomes dados às rotas de peregrinação de toda a Europa para chegar num mesmo destino. As lanternas francesas dos mortos cobrem uma abrangente parte dessas rotas. As luzes das lanternas ao longo do caminho devem ter dado aos viajantes muita tranquilidade e segurança e, sem dúvida, ampliado seu fervor religioso enquanto viajavam para o destino espanhol.

Lanternes des morts, as lanternas dos mortos da Europa

Journet, Poitou-Charentes, França | Crédito da foto

A proximidade com a região que outrora se chamava Al-Andalus, também conhecida como Espanha muçulmana ou Ibéria islâmica, era um território muçulmano medieval e ocupava a maior parte do que hoje pertence a Espanha e Portugal. Por exemplo, a lanterna dos mortos em Vergèze, no sul da França tem similaridades com as chaminés do Palácio Bakhchisaray, o palácio dos tártaros da Crimeia, e não esta perto de nenhum cemitério, localizado a mais de 3.000 km de distância do palácio. Na verdade, o outro nome desta torre é “cheminées sarrasines” (chaminé sarracena). “Sarraceno” é uma palavra antiga que significava muçulmanos ou árabes, e o Palácio Bakhchisaray era um palácio muçulmano.

Outro exemplo é a lanterna em Sarlat-la-Canéda, também no sul da França, que está muito ligada ao abade Bernard de Clairvaux, que desempenhou um importante papel na Segunda Cruzada. Dizia-se que foi construído depois da visita do abade à cidade, em 1147, possivelmente pelos Cavaleiros Templários, como provaria uma escultura na torre representando um cavalo e a cruz pátea, o símbolo que estampavam os mantos dos templários.

Além disso, as chaminés sarracenos são uma típica arquitetura local de Bresse, uma região ao Leste da França. Parece ter o mesmo nome apenas por coincidência. E a origem do nome continua sendo um mistério. Existem várias origens fantásticas para aqueles que introduziram essas construções, tais como: sobreviventes da Batalha de Tours (durante o qual Charles Martel lutou contra os sarracenos em 732), refugiados dos Balcãs que fugiam dos turcos otomanos no século 15, após a queda de Constantinopla, ou ainda que borgonheses se estabeleceram em Bresse no século 5 e 6, trazendo consigo as chaminés ao estilo nórdico.

Lanternes des morts, as lanternas dos mortos da Europa

Chapelle Sainte-Catherine, Fontevraud-l’Abbaye | Crédito da foto

As Lanternas dos Mortos não são exclusividade francesa, embora neste país é encontrado a grande maioria delas. Essas torres também podem ser encontradas na Inglaterra, Alemanha, Áustria e Polônia. Muitas das lanternas da morte foram substituídas por capelas e poucas delas ficaram em pé. Enquanto o propósito original das lanternas dos mortos tenha se tornado confuso ao longo dos séculos por uma referência mais sensacionalista, encorajada pelos tumultos da peste negra e da revolução francesa, seu verdadeiro propósito original foi revelado para aqueles que gostam de pesquisar mais a fundo. Na verdade, inevitavelmente, significarão o que quer que seja para qualquer indivíduo que deseja tecer uma história em torno de sua presença impassível, sua extraordinária tenacidade, sua conexão com o espiritual e com o supersticioso.

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Cellefrouin, na França | Crédito da foto

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Atur, Cherveix-Cubas, Cognac-la-forêt | Crédito da foto

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Cellefrouin | Crédito da foto

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Puy-de-Dôme, Château de Dormans, Coussac-Bonneval | Crédito da foto

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Cognac-la-Forêt | Crédito da foto

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Saint Genou, França | Crédito da foto

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Saint-Pierre-d’Oléron | Crédito da foto

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Cada ponto representa uma lanterna dos mortos na Europa e pelas rotas de peregrinação no Caminho de Santiago | Crédito da foto

Fontes:  1 2 3

“Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência”. – Liev Tolstoi

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