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Laterita, os tijolos de Burkina Faso

Laterita, os tijolos de Burkina Faso

No Brasil estamos acostumados a ver tijolos usados em construção civil, moldados em argila e queimados em fornos nas olarias, mas em Karaba, na Província de Balé, uma pequena aldeia africana de Burkina Faso, os tijolos são extraídos de uma encosta de rocha sólida. Esta colina é composta de laterita, um material endurecido de cor avermelhada. A laterita ou laterite é um tipo de solo muito alterado com grande concentração de hidróxidos de ferro e alumínio. A presença da laterita em uma região onde atualmente o clima é mais ameno indica que esta região esteve sob clima tropical ou subtropical no passado.

Laterita, os tijolos de Burkina Faso

Em Karaba e região, a laterita é cortada em blocos em forma de tijolos e usado na construção de paredes e muros. A maioria dos templos Khmer em Angkor Wat, no Camboja foram feitos com laterita e tem resistido às intempéries por mais de 1000 anos, sendo também usado no revestimento de estradas e como base para estradas asfaltadas, devido a sua porosidade. No Brasil, a laterita é extraído na cidade maranhense de Codó e o material muito usado em aquários, sendo enterrado ao fundo para servir de fonte de ferro para as plantas.

Lateritas podem ser cortadas facilmente com uma picareta em blocos quando está molhada e macia. Depois que os blocos secam, endurecem à medida que a umidade entre às partículas da argila se evaporam e os sais de ferro maiores se prendem a uma estrutura em rede rígida, tornando o bloco duro. A laterita foi descrita e nomeada pela primeira vez pelo geólogo escocês Francis Buchnan-Hamilton, quando descobriu a jazida do material no sul da Índia em 1807. Este material já era usado em construção de casas naquele país há séculos.

Laterita, os tijolos de Burkina Faso

Ele a chamou por esse nome devido a palavra em latim later, que significa adobe ou tijolo. Já a pedreira de laterita em Karaba está em funcionamento há mais de trinta anos. Usando apenas picaretas e pás, os trabalhadores extraem tijolos da rocha sólida e vendem em aldeias vizinhas, que serão usados como material de construção nas casas da comunidade.

As fotos que ilustram esse artigo são o fotógrafo americano David Pace, que visita Karaba todos os anos desde 2008 e é fascinado pelo trabalho dos homens na pedreira. David comenta que eles trabalham em equipes de três a cinco pessoas, mas cada homem vende seus próprios tijolos, e conseguem ganhar um bom dinheiro e assim podendo ter uma vida decente, pelos padrões de Burkina Faso, onde a grande maioria de seus habitantes vivem na miséria.

Laterita, os tijolos de Burkina Faso

A pedreira não é maior, pois estrada de terra aos lados limitam sua expansão e vai chegar um tempo, que o material se esgotará ou a extração da laterita terá que ser interrompida. Atualmente a pedreira tem cerca de 200 metros e a área onde ocorrem as extrações em torno de 100 metros, podendo as paredes chegar a 15 metros de altura. O fotógrafo explica que o tamanho da pedreira muda muito de um ano para o outro.

Laterita, os tijolos de Burkina Faso

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Credito das fotos: David Pace

Fontes: 1 2 3 4

“Há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia.” – William Shakespeare

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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