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Bételes, os chicletes de Taiwan

Bételes, os chicletes de Taiwan

Betele, os chiclete de TaiwanNas ruas de Taiwan é possível observar cabines bem iluminadas com letreiros em neon e mulheres sensuais, geralmente vestindo mini saias e usando salto altos, sentadas atrás de um balcão ou mesmo em pé na rua aguardando clientes. Quando algum carro estaciona, elas vão de encontro a eles e conversam com o motorista, se apoiando na janela do lado do passageiro. A primeira vista, esses mulheres aparentam ser prostitutas, negociando algumas horas de sexo, mas elas estão vendendo apenas chicletes. Não os tradicionais chicletes que estamos acostumados a ver às pessoas mascarem, mas sim bételes, um composto feito com a semente da palmeira Areca (Areca catechu), palmeira essa encontrada no Pacífico e no Sudeste Asiático.

Bétele, os chicletes de Taiwan

O nome bétele vem da planta que produz a pimenta de bétel (Piper betle), e muitas vezes é designada erroneamente como noz de bétel, devido a ser consumida quase sempre em combinação com as folhas provenientes da pimenteira. Nos países asiáticos, tal combinação é chamada de Binlang. Muitas vezes, às mesmas mulheres que vendem os bételes ou binlang, às produzem nessas cabines, onde enrolam a semente da Areca com um pouco de cal natural, numa folha da pimenta de bétel. Muitas vezes, são acrescentados especiarias, tabaco e adoçantes para realçar o sabor, e assim são conhecidas como quid. A preparação varia entre os países e culturas e a cal natural favorece a liberação de alcaloides estimulantes. Tais combinação de ingredientes estimula a produção de saliva e é a responsável por sua cor avermelhada, sendo consumida desde a África Oriental, Paquistão, Índia, Ásia e Oceania, por quase 10% da população mundial e movimentando bilhões de dólares anualmente.

O bétele dá às pessoas um estímulo equivalente a seis xícaras de café e são populares entre os trabalhadores de canteiros de obras, pescadores ou motoristas que precisam ficar muitas horas acordados, mas os benefícios são de curta duração. Também é muito utilizada por mulheres e crianças e o mascador é facilmente reconhecido pelo fluxo abundante de saliva vermelha que mancha os lábios e dentes. Tais fluxo são cuspidos com frequência pelo usuário, que deixam mancha vermelha nas ruas e calçadas.

Bétele, os chicletes de Taiwan

Os princípios ativos mais importantes da bétele são a arecaina e a arecolina. Alcaloides esses que seus efeitos é tanto que, ao lado da nicotina, do álcool e da cafeína, é tida como uma das substâncias que alteram o comportamento mais populares do mundo. A noz-de-areca é usada desde a antiguidade e assumiu papéis importantes em contextos sociais, culturais e até religiosos. Os usuários em geral acham que ela não faz mal à saúde e dizem sentir uma sensação de bem-estar, euforia e um calor agradável no corpo.

Mas os fatos apontam para a direção oposta. Além de deixar os dentes manchados, muitas vezes ocasiona doenças gengivais, sem falar que o consumo é relacionado com um tipo de câncer chamado carcinoma oral de células escamosas, que pode atingir a parte de trás da garganta. Em Taiwan, por exemplo, cerca de 85% dos casos de câncer oral são de mascadores de bétele. Autoridades na área de combate às drogas acreditam que um dos alcaloides de bétele pode ser viciador. Para se ter uma ideia, alguns usuários chegam a mascar 50 bételes por dia! Em Taiwan, onde os bételes são conhecidos como “chicletes”, o governo está adotando medidas para conter esse hábito secular e reduzir as milhares de vidas perdidas a cada ano. Em certos países asiáticos, é símbolo de amor, união e casamento e também usado como remédio para curar indigestão e impotência.

Bétele, os chicletes de Taiwan

A tradição de usar mulheres vestidas sensualmente é exclusivo de Taiwan e elas são conhecidas como “Binlang Mei” ou “Betelnut Girls“. Essa prática começou na década de 1960, na Shuangdong Betel Nut Stand, em Nantou County, em Taiwan, uma feira especializada nas nozes de areca e que usou garotas que ficaram conhecidas como “Shuangdong Girls” para promover o evento. O sucesso foi tanto que os lojistas seguiram o exemplo, e a tradição de usar mulheres em trajes sumários, fez a vendas das nozes explodirem ano após ano.

Bétele, os chicletes de Taiwan

Em Taiwan existem mais de 70.000 cabines com as Betelnuts Girls como vendedoras e elas se tornaram praticamente uma atração a parte no turismo do país. A maioria dos clientes são motoristas de caminhões e taxistas do sexo masculino atraídos pelos estimulantes e pelas garotas semi nuas que as vendem. Essas mulheres geralmente são de família pobre, mas ganham mais vendendo às nozes do que se trabalhassem como garçonetes ou vendedoras de outros produtos. As autoridades tem se esforçado em reprimir os trajes das garotas nos últimos anos. Os mais conservadores veem as mulheres com roupas provocantes como moralmente degradante, enquanto a polícia as culpam pelos acidentes de trânsito causados nas proximidades das cabines.

Em 2007, as Betelnuts Girls foram proibidas de venderem as nozes dentro dos limites da capital Taipé e como o consumo caiu consideravelmente, o governo voltou atrás e criou então, um código de conduta mais rigoroso nas roupas e que não foi bem aceito pelas mulheres e elas continuaram agrupadas ao lado das avenidas no lado de fora dos limites da cidade ou não respeitando tais regras.

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“Aprenda com o ontem, viva para o hoje, acredite no amanhã. O importante é não parar de questionar!”. – Albert Einstein

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