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Pilar de ferro de Déli, na Índia

Pilar de ferro de Déli, na Índia

Pilar de Ferro de Déli ou Pilar de Ferro de Mehrauli é uma coluna de 7,21 metros de altura (dos quais 1,12 metros está enterrado), localizado no Complexo de Qutb, em Mehrauli, na cidade de Déli, na Índia. O pilar pesa seis toneladas e apesar do clima severo (monções) da região, ele não enferrujou nos últimos 1.600 anos. No pilar há uma inscrição em sânscrito na base com o epitáfio de Kumara Grupta, datado de 413, indica que ele foi construído por Chandragupta II Vikramditya.

O pilar tem atraído a atenção de arqueólogos e metalúrgicos e tem sido classificado como “um testemunho da habilidade dos antigos ferreiros indianos” por causa de sua alta resistência à corrosão. Os resultados de testes de resistência à corrosão de uma camada uniforme cristalina de fosfato de ferro e hidrogênio formaram fósforo com elevado teor de ferro, o que serve para a proteger o pilar dos efeitos do clima local de Déli. Acredita-se que o nome da cidade de Déli foi inspirado em uma lenda associada ao pilar.

A altura do pilar, desde o topo até a parte inferior da sua base, é de 7,21 metros. Sua base em forma de bulbo tem 0,71 metro de altura. A base se assenta sobre uma grelha de barras de ferro soldadas com chumbo na camada superior do pavimento de pedra lavrada. O diâmetro inferior do pilar é de 16,4 centímetros e o seu diâmetro superior é de 12,05 centímetros.

O pilar foi fabricado através do processo complexo de soldagem forjada e é composto por 99,72% de ferro com carbono, silício, fósforo e outros metais. Análise química feito por Sir Robert Hadfield em 1912. Essa pureza tão alta e quase nula (a pequena ferrugem que ocorre na porção subterrânea) é um testemunho da proeza metalúrgica daqueles que a construíram. Também foi confirmado que a temperatura requerida para construir tal pilar não pode ser conseguida pela combustão de carvão e consequentemente os ferreiros indianos antigos tinham desenvolvido métodos muito complicados de aumentar a temperatura e a forja do metal.

Análise estrutural do pilar revela que não foi fundido, mas fabricado em um incrível processo de forja e martelamento, com a solda de pedaços de ferro quente e pastoso, cada um pesando de 20 a 30 quilos, em um processo passo a passo. A superfície de pilar mantém ainda algumas das marcas de martelo.

Em um relatório publicado na revista Current Science, R. Balasubramaniam, do Instituto Indiano de Tecnologia de Kanpur, explica que a resistência do pilar à corrosão acontece devido a uma película protetora passiva, chamada “misawite”, um composto de ferro, oxigênio e de hidrogênio. A presença de partículas da segunda fase (como óxidos de ferro não reduzidos) na microestrutura do ferro, grandes quantidades de fósforo no metal e a molhagem e secagem alternadas sob condições atmosféricas são três dos fatores principais na formação dessa película protetora.

O local original do pilar ainda é motivo de debate. A coluna de ferro foi certamente usada como um troféu no edifício da mesquita Quwwat-ul-Islam e no complexo de Qutb, mas seu local de origem, quer no próprio complexo onde está atualmente ou em outro lugar, ainda tem é motivo de discussões. Há também algumas inscrições no pilar relacionado ao Rei Anang Pal II, sugerindo que o monumento foi capturado várias vezes ao longo de sua história como um troféu de guerra e levado para pontos amplamente separados entre si. Um resumo dos pontos de vista sobre este assunto foi reunido em um livro editado por M. C. Joshi e publicado em 1989. Mais recentemente, as opiniões sobre o tema foram resumidas novamente por Upinder Singh, em seu livro Delhi: Ancient History.

Pilar de ferro de Déli, na Índia

Fotografia tirada em 1850 | Crédito da foto

A coluna traz uma série de inscrições de datas diferentes que não foram estudadas sistematicamente, apesar da proeminente localização do pilar e de seu fácil acesso. Até 2002 não se podia fazer nenhum estudo mais aprofundado no pilar, porque era considerado um objeto sagrado pelo povo indiano. A inscrição mais antiga na coluna está em sânscrito em seis linhas e três linha na escrita brahmi, do período Gupta. Isto indica que o pilar foi erguido como em honra ao deus hindu Vixnu – Deus hindu da vida e nutrição. A inscrição também elogia o valor e as qualidades de um rei chamado simplesmente de Chandra, que é geralmente identificado como o rei gupta Chandragupta II. Alguns autores identificam Chandra como Chandragupta Máuria, enquanto outros afirmam que a coluna data de, pelo menos, 912 a.C.

R. Balasubramaniam explorou a metalurgia e a iconografia do pilar baseando-se na análise de moedas de ouro da Dinastia Gupta. Na sua opinião, o pilar, com uma roda ou disco no topo, originalmente localizava-se nas cavernas Udayagiri, situadas perto Vidisha, em Madhya Pradesh. Esta conclusão foi parcialmente baseada no fato de que uma das inscrições do pilar menciona Viṣṇupadagiri (que significa “colina com pegada de Vixnu”). Esta conclusão foi aprovada e elaborada por Michael Willis em sua obra Archaeology of Hindu Ritual, publicada em 2009.

Em 1977, foi adicionado uma cerca de um metro ao redor do pilar para protegê-lo dos visitantes, que tinham a intenção de tocá-lo com respeito à crença que afirma que os desejos de uma pessoa será atendida, se ficar de costas para o pilar e abraça-lo fazendo os dedos das mãos se encostarem – assim, sem querer, prejudicá-lo como resultado da ação corrosiva do suor. A prática levou a um desgaste significativo e descoloração visível na parte inferior do pilar. Há também outra crença popular que se andar em torno da coluna, quando estiver concentrado em algo, isso será cumprido. Quem poderia imaginar que, apesar de toda a habilidade tecnológica e raciocínio científico usado na sua construção, o pilar se tornaria um assunto de superstição, milênios após a sua concepção.

Pilar de ferro de Déli, na Índia

Fotografia de 1905 | Crédito da foto

Fontes: 1 2 3 4

“Aprenda com o ontem, viva para o hoje, acredite no amanhã. O importante é não parar de questionar!”. – Albert Einstein

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