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Plastinarium, a morte vista em plastinação

Plastinarium, a morte vista em plastinação

Localizado na cidade de Guben, próximo à fronteira com a Polônia, na Alemanha, o Plastinarium é um museu numa antiga fábrica de vestuários, que desde novembro de 2006, exibe os resultados de um controverso processo de embalsamamento chamado plastinação, desenvolvido por Gunther Von Hagens em 1977 no curso de medicina da Universidade de Heidelberg, também na Alemanha. Rurik Von Hagens, filho de Gunther, hoje é o responsável pelo complexo de 3.000 metros quadrados, com a preservação de 16.500 corpos humanos e de animais após suas mortes. Seu pai era chamado pela imprensa de Dr Morte e em 2010, foi diagnosticado com Mal de Parkinson.

O processo envolve remover a maior parte da água do tecido morto de um cadáver dentro de uma câmara a vácuo e substituí-lo por silicone e outros polímeros de poliuretano que impedem o processo de decomposição. Os corpos sem pele são usados em faculdades de medicina ao redor do mundo, para que os anatomistas possam compreender como as doenças afetam nossos corpos. São necessários cerca de 1.500 horas para conferir aos corpos, o aspecto vivo por meio do processo de plastinação e colorização.

Desde o desenvolvimento da técnica, os corpos de Von Hagens viajaram o mundo, em exposições itinerantes conhecidas por Body Worlds, (do alemão, Körperwelten, literalmente “Mundos dos corpos”) que já atraiu mais de 40 milhões de visitantes interessados em ver de perto os pormenores do corpo humano e dos animais, simulando movimentos e atividades rotineiras dos seres humanos. Os objetivos das exposições era educar as pessoas sobre o funcionamento interno do corpo humano. Onde espécimes individuais dissecados são usados para comparar órgãos saudáveis e doentes, ou seja, um pulmão saudável com o de um fumante, e enfatizar a importância de um estilo de vida saudável. Já corpos expostos simulando movimento, são colocados assim, para mostrar como somos naturalmente frágeis em um mundo mecanizado.

No site oficial, o Plastinarium é descrito com um teatro anatômico da modernidade e único no mundo. Ele oferece aos visitantes uma perspectiva única sobre o corpo humano, bem como na arte da dissecção anatômica e preservação. O Plastinarium permite também que os visitantes assistam cerca de 40 cientistas dissecando e embalsamando corpos em tempo real, nos laboratórios do complexo.

A primeira parte do Plastinarium é dedicado aos primórdios da anatomia, considerada a mais antiga disciplina científica da medicina e através de vitrines e painéis educa o público sobre a história da anatomia, desde seus primórdios até hoje. Bem como às técnicas de preservação usadas ao longo do tempo. A mais antiga é a secagem a seco. Já a mais conhecida e aplicada desde 1900 na maioria dos institutos científicos, utiliza formol ou álcool nas preservações. No entanto, tais preservações molhadas, fazem perder a cor dos tecidos rapidamente e se deterioram com o tempo. No complexo, há oito cabeças de cavalos expostas lado a lado, e cada uma preservada utilizando uma técnica diferente, desde a seco à plastinação.

Nenhum animal das exposições ou do Plastinarium foi morto com a finalidade de usar as técnicas. A maioria dos animais morreram de causas naturais e são doados por zoológicos alemães e internacionais, circos e parques de animais. Já os corpos humanos, muitos são doados ainda em vida, por pessoas pelo mundo afora, que acabaram visitando as exposições itinerantes e se surpreendendo com os corpos mumificados. Apenas alguns órgãos, fetos e espécimes específicos que mostram condições incomuns vieram de coleções particulares e institutos.

Dentre os doadores, uma mãe e seu feto, que inclusive levaram a questionamentos éticos quando exibidos em público. Von Hagens afirma que o processo de plastinação revolucionou o conhecimento médico e revelou, visualmente, as complexidades do corpo humano e comentou: “Tornou-se algo aceito na sociedade, a batalha cultural quase chegou ao fim, mas a fascinação segue a mesma“.

Rurik também afirma ter dissecado corpos por toda a sua vida, crescendo ao lado de um pai excêntrico e visionário. “Meu pai tinha depósitos por toda Heidelberg, onde guardava os espécimes e viajávamos num antigo ônibus Voskswagen, dissecando-os nas férias. Era assim que eu ganhava um trocadinhos extras“. Rurik disse ainda que o Plastinarium é uma forma de levar adiante o desejo de seu pai de “democratizar a anatomia”, tornando o corpo humano acessível para qualquer um que tenha estômago para observá-lo. Enquanto isso, os milhares de doadores sabem que seu corpo terá uma vida após a morte. “Estas pessoas querem, em vez de serem devorados por minhocas, fazer algo de útil com seus corpos depois de morrer.

Plastinarium é um indústria mórbida que emprega 220 pessoas no total, produzindo espécimes para exposição ou que serão vendidos para escolas médicas em todo o mundo. Numa parte do complexo, uma serra fita instalada, de tão grande pode cortar um elefante pela metade e numa outra parte, uma girafa está mergulhada numa piscina em um solução de etanol e água aguardando a dissecação ou também poderá ser congelada em freezers de alta tecnologia e cortada em folhas de milímetros de espessura. Dois a três cadáveres chegam ao complexo todas as semanas, vindo dos doadores de todo o mundo.

Plastinarium, a morte vista em plastinação

Gunther Von Hagens | Crédito da foto

Plastinarium, a morte vista em plastinação

Gunther Von Hagens e sua esposa Angelina Whalley na abertura da primeira exposição Body Worlds em Berlim | Crédito da foto

Fontes: 1 2 3

“Há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia.” – William Shakespeare

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Meu nome é Julio Cesar, e sou de Santa Catarina e idealizador do site Magnus Mundi. O site tem como objetivo informar sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos e também histórias, lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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