Gastronomia

Sampuru, a arte de fazer comida falsa

Sampuru, a arte de fazer comida falsa

É certo dizer que às pessoas literalmente comem com os olhos. Às vezes nem estão com fome, mas basta ver uma imagem de um suculento prato de comida, que já dá aquela vontade de comer. No Japão, alguns restaurantes tiram proveito desta ideia e expõem seus pratos nas vitrines, porém os pratos de comida são de plástico. Sushi, sopa, frutas, legumes, macarrão, peixes, hambúrgueres, sorvetes, não importa o tipo de comida, tudo é feito de plástico e surpreendentemente realísticos. Outro objetivo disto, é mostrar o cardápio do dia para seus clientes, antes mesmo deles entrarem no restaurante.

Já para o turista, isto é um deleite, pois a escrita japonesa é complicada e para eles, basta apontar o prato que desejar, sem precisar enrolar a língua, tentando dizer o nome daquele prato. Por lá, a comida de plástico é conhecida como shokuhin sampuru (retirado da palavra “sample” em inglês, que quer dizer “exemplo”) ou tabemono no sampuru e começou a aparecer no Japão no final de 1920. Artesãos japoneses criaram comidas esculpidas em cera e que inicialmente serviam apenas como decoração nas casas, como as plantas de plásticos que são usados praticamente em todo o mundo. As pessoas gostavam de ter em suas cozinhas ou salas, um travessa cheia de suculentas frutas como decoração, até mesmo no Brasil, isso já foi moda um dia e ainda se usa, principalmente em casas de cidades do interior.

Naquela época, um restaurante de Tóquio decidiu usar as comidas artificiais em suas vitrines para atrair clientes e sentiu uma melhora em seu faturamento e desde então, a prática tem se espalhado por todo o país, com outros restaurantes seguindo o mesmo conceito. Naquele tempo, muitos restaurante de alto giro já exibiam comida real, nas no decorrer do dia, a comida degradava-se, não ficando com boa aparência. A comida falsa em exibição foi uma nova maneira de fazer mais negócios, e isso ainda é válido até hoje.

Ela elimina a adivinhação e a necessidade do cliente em usar sua imaginação para saber como é aquele prato, lendo o cardápio. Além de parecer apetitoso, as réplicas do alimento mostram exatamente o que ele pode esperar de seu pedido, em termos de forma, tamanho e cor e garante ao cliente a qualidade do prato. Um único restaurante pode gastar um milhão de ienes em um menu completo, em comida falsa. Fazendo a conversão, dá em torno de 27 mil reais.

Cerca de uma dúzia de fábricas de alimentos artificiais operam no Japão, fazendo réplicas de alimentos para restaurantes, colecionadores e outros. Um dos pioneiros nesta indústria de alimentos falsos, foi Takizo Iwasaki (1895-1965), que começou a vender suas criações em Osaka em 1932. Após fazer sucesso numa cidade grande, ele retornou a sua cidade natal, na Província de Gifu, a 180 quilômetros de Osaka e criou sua fábrica em Gujo Hachiman. A cidade acabou se tornando um polo de alimentos de plástico, e agora concentra dez fabricas, e produz cerca de 60% do mercado de comida falsa no Japão. A empresa de Takizo, a Iwasaki Be-I ainda é a maior fabricante de alimentos plásticos no país, com 300 funcionários.

A história da indústria de alimentos falsos nasceu dos impulsos criativos de Takizo, depois que ele viu modelos anatômicos de cera de corpos humanos. Mais tarde pingou cera de vela em um tatame, dando-lhe a inspiração para criar uma omelete com arroz de cera. A omelete com ketchup que fez em 1932, está até hoje em exposição em sua fábrica e está tão brilhante e com aspecto saboroso, como se tivesse sido feito ontem.

Fazer comida artificial é uma arte em si, e os fabricantes guardam ferozmente seus segredos comerciais. O processo começa geralmente com o alimento real que são trazidos à fábrica para servirem como modelos. Uma copia é feita e um molde é preparado. Resina sintética é derramado neste molde e uma vez endurecido, o molde é desmontado e assim se tem uma peça que são pintadas à mão por artesãos habilidosos, que examinam cada detalhe do alimento real e aplicam tintas à óleo na peça e dão os detalhes com finíssimos pinceis.

As réplicas reproduzem cada detalhe do alimento real, desde o dourado no bacon e ovos, até marcas de grelhados no filé de frango, ou a diferença de bem ou mal assadas nas carnes. Está aí nesses detalhes de pintura, os segredos tão bem guardados pelas fábricas. A maioria das réplicas de alimentos são artesanais e feitas sob encomendas por restaurantes que querem ter exclusividade em suas comidas, porém algumas fabricam produzem réplicas em quantidade do mesmo modelo e aí os restaurantes comuns se adaptam para fazer seus pratos iguais as réplicas compradas. Todo ano, as fábricas competem entre si, para saber qual delas fez a melhor ou a mais interessante reprodução.

Alimentos falsificados são usados de várias maneiras, tais como adereços em filmes, programas e comerciais de televisão, peças teatrais, estúdio de fotografia para publicidade e feiras. Também são usados para exibir réplicas realistas de alimentos em museus, lojas de móveis, salões de banquetes, cassinos, navios de cruzeiros e em muitos outros casos em que os alimentos reais não podem ser exibidos.

A maioria das fábricas oferecem aulas, chamadas taiken, onde a pessoa pode fazer seu próprio camarão tempura, sushi ou outros. As reproduções nas aulas são feitos inteiramente de cera em vez de plástico por serem mais barato, fácil de manipular e reciclar. Em Tóquio, a rua Kappabashi-dori, apelidada de “Kitchen Town” localizada entre os bairros Ueno e Asakusa, é cheia de lojas que atende os restaurantes e que oferecem pratos, utensílios de cozinha, bandejas de bambu, equipamentos, mesas, cadeiras e é claro, réplicas de comida.

A seguir, peças produzidas pela empresa Maiduru

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Fontes: 1 2 3 4

“Tudo o que o homem não conhece não existe para ele. Por isso, o mundo tem para cada um o tamanho que abrange o seu conhecimento”. – Carlos Bernardo González Pecotche

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