Cavernas

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Estalagmites e estalactites são formações geológicas comuns em cavernas pelo mundo afora, mas helictites, como flores de aragonita, agulhas de gipsita e bolhas de calcita são raras. A formação chamada Flor de Aragonita são únicas e consideradas a segunda mais rara do mundo, e se pode encontrar essas formações geológicas na Caverna da Torrinha, ao norte do Parque Nacional da Chapada Diamantina, a 450 quilômetros a oeste de Salvador na Bahia.

Helictite são espeleotemas encontrados em cavernas de calcário, que mudam seu eixo da vertical em um ou mais estágios durante seu crescimento. Têm uma forma curva ou angular que se parece como se fossem cultivadas em gravidade zero e são provavelmente o resultado de forças capilares agindo em minúsculas gotículas de água, uma força muitas vezes suficientemente forte para desafiar a gravidade. Helictites são, talvez, a mais delicada das formações da caverna, e geralmente se desenvolvem na forma de agulhas de calcita e aragonita.

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Flor de aragonita | Crédito da Foto: Coen Wubbels

Até 1992, apenas uma caverna do complexo da Caverna da Torrinha era conhecida pelos habitantes da região e pinturas rupestres perto da entrada da caverna eram sinais de povos indígenas que outrora, habitaram o lugar, a cerca de 10 mil anos atrás. Em julho do mesmo ano, uma espeleóloga francesa caminhando pela caverna, parou para descansar e observou que a chama de sua lamparina à gás cintilou. A corrente de ar responsável pelo movimento vinha de uma passagem estreita entre rochas desmoronadas, que dava acesso a uma galeria desconhecida.

Com esse novo trecho, a caverna passou a ter 8.300 metros mapeados e mais dois roteiros para visitação, sendo a caverna, uma das maiores do mundo. Descoberta em 1850, a caverna Torrinha fica em uma propriedade particular em Iraquara. O atual proprietário e zelador da caverna, Eduardo Figueiredo da Silva, conta que, na época, seu bisavô percorreu apenas 600 metros, trecho que corresponde ao primeiro dos três roteiros.

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

A flor de aragonita única no mundo | Crédito da Foto: Coen Wubbels

Na região existem mais de 200 cavernas, cinco das quais abertas ao público, e presume-se que as cavernas tenham surgidos de um rio que passava pelo lugar, sendo uma das maiores concentrações de cavernas do mundo. Atualmente, a maioria das cavernas são secas, enquanto algumas têm lagos subterrâneos. Em Torrinha, a primeiras das cavernas, é coberta de estalagmites e estalactites, por todos os lados, mas as verdadeiras joias que se podem encontrar nesse lugar, estão escondidas na caverna mais profunda.

Através da segunda caverna, serpenteia um caminho de 1.500 metros, com um jardim petrificado com flores de aragonita. A terceira caverna é um grande salão de 100 por 200 metros, o lar das helictite. A flor de aragonite que desafia a gravidade, indo para todos os lados e termina numa bolha com esporos saindo por todos os lados, derivada de uma pequena explosão em seu interior, sendo considerada a única do mundo. Sua formação de carbonato de cálcio se assemelha a uma flor, daí o seu nome. Já as bolhas de calcita, são uma estrutura quebradiças incomuns, pois às vezes são bolhas dentro de outra bolha em forma de flor e os cientistas especulam se dentro dessa flor, não há outra bolha.

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Flores de aragonita | Crédito da Foto: Coen Wubbels

No ponto mais profundo da caverna podem ser encontradas as Agulhas de Gipsita (sulfato de cálcio), que são lâminas finas de gesso que se parecem com agulhas, que se acumulam em montes no chão da caverna. Ao primeiro olhar, é como se alguém tivesse espalhamos milhares de finas agulhas de metal num monte de argila seca. O tamanho médio dessas agulhas é de 12 centímetros e se quebram quase instantaneamente ao toque. Na Caverna da Torrinha crescem as maiores agulhas de gesso do mundo que chegam a 65 centímetros de comprimento.

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Crédito da Foto: Coen Wubbels

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Crédito da Foto: Coen Wubbels

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Crédito da Foto: Coen Wubbels

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Crédito da Foto: Coen Wubbels

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Crédito da Foto: Coen Wubbels

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Crédito da Foto: Coen Wubbels

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Crédito da Foto: Coen Wubbels

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Crédito da Foto: Coen Wubbels

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Agulhas de Gipsita | Crédito da Foto: Coen Wubbels

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Crédito da Foto: Coen Wubbels

A Caverna da Torrinha e a flor de aragonita

Agulhas de Gipsita | Crédito da Foto

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Flores de aragonita |Crédito da Foto

Fontes: 1 2

“Tudo o que o homem não conhece não existe para ele. Por isso, o mundo tem para cada um o tamanho que abrange o seu conhecimento”. – Carlos Bernardo González Pecotche

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1 Comentário

  1. Lidia Luna

    12 de julho de 2018 às 08:35

    Felizmente tivemos o privilégio de visitar esse paraíso. Fizemos o roteiro menor. Vivenciamos a beleza proporcionada pela natureza, inclusive a da flor de aragonita. A escuridão e o silêncio da caverna são interessantissimos de sentir, pois nos remete ao útero. Nossa emoção e gratidão foi tamanha que, imediatamente, oramos a Deus pela oportunidade de viver para ver tudo aquilo.

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Me chamo Júlio César e moro em Porto Belo, Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, uma revista digital feita para pessoas que gostam de ler e saber mais profundamente sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos pelo mundo afora, bem como lendas, eventos e outros assuntos inusitados.

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