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Yaqing, a cidade proibida das monjas

Yaqing, a cidade proibida das monjas

Na década de 1980, Achung Lama, um mestre budista muito conhecido instalou-se no alto de um planalto desabitado no Tibete Oriental (hoje, província chinesa de Sichuan) para ficar longe da sociedade e meditar e por fim, em 1985, construiu  um mosteiro (Yarchen Gar Monastery) para difundir os ensinamentos de Buda. Pouco tempo depois, o lugar atraiu um crescente número de monges e freiras, a fim de participar de seus ensinamentos e se estabelecer naquele local remoto, uma espécie de acampamento, que progressivamente foi crescendo sobre uma espécie de ilha do rio Yaqing.

Nos anos seguintes, o governo chinês enviou o exército várias vezes, para destruir o acampamento budista e afugentar seus habitantes, mas sem sucesso. Atualmente, Yaqing é uma enorme favela, onde cerca de 10.000 monges e sangha (monjas) vivem em um labirinto de pequenos barracos improvisados feitos a partir de qualquer material disponível e atualmente é o maior assentamento monástico do mundo.

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As condições de vida no vale são extremas, devido a elevada altitude (4.000 metros acima do nível do mar) e a escassez de alimentos, roupas e saneamento básico. A energia elétrica é para poucos e só disponível entre sete a dez horas por dia. A grande maioria dos habitantes são mulheres e como elas não podem se recolher às celas do mosteiro, elas cavam buracos na terra e erguem por cima barracos de chapas de metal, lonas e sacos plásticos. Sem saneamento básico, a situação é deplorável, com um cheiro quase tóxico. Cólera e surtos de febre tifoide são uma ameaça diária. No inverno, as temperaturas caem a menos de 13 graus. Mas nada disso impede das monjas fazerem meditação que pode durar dias, em minúsculas barracas de lonas, com nada mais do que um cobertor para se proteger do frio.

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Não só as freiras se dedicam aos estudos, como também são responsáveis ​​por quase todo o trabalho físico em Yarchen. Muitas entram para o monastério com seis anos de idade e realizam a maior parte do trabalho manual do dia a dia, como construção de casas, descarregando caminhões ou construção de estradas. Os monges, raramente participam de trabalho físico e os mais afortunados moram em casas mais resistentes nas colinas circundantes. Apesar das adversidades do lugar, grandes templos e monumentos ricamente decorados estão sendo erguidos, enquanto a favela continua a desintegrar-se.

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Muitos monastérios tibetanos têm acomodações separadas para as mulheres, nas quais geralmente vivem apenas algumas dezenas de monjas. Mas em Yarchen são milhares. Achuk Rinpoche, o lama superior do mosteiro, tido com encarnação de Longsal Nyingpo (1625-1682), pertence a um pequeno grupo de decanos que permitem às mulheres penetrar os mais profundos segredos da fé budista. Além disso, em seu templo não se leciona somente no idioma tibetano, mas também em chinês e por isso que atraia tantas mulheres chineses, deixando o governo da China preocupado.

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Em 2001, o governo enviou milhares de soldados a região, e conseguiram despejar 1.400 pessoas e destruiu 2.400 barracos, mas bastou os soldados irem embora, os alunos retornaram ilegalmente e reconstruiram os barracos. Longe de serem dissuadidos por suas condições de vida terríveis, eles permanecem alunos comprometidos, ansiosos em receber os ensinamentos de alguns dos estudiosos mais respeitados do budismo tibetano, incluindo o monge mais antigo do mosteiro Asong Tulku (tulku é um título dado ao reconhecido encarnação de um grande mestre). A entrada de estrangeiros na cidade é proibida e os poucos grupos de turistas que aparecem, fazem uma breve parada para tirar fotos do assentamento no topo da colina.

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Monja construindo uma pequena barraca de lona na colina, usada para meditação

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Fontes: 1 2

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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