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Patomskiy Cater, o ninho da águia de fogo

Patomskiy Cater, o ninho da águia de fogo

Em Agosto de 1949, o geólogo Vadim Kolpakov estava longe de imaginar que faria uma descoberta que iria surpreender os cientistas, e permanecer um mistério por décadas. Kolpakov tinha como tarefa desenhar um mapa geológico da zona norte de Irkutsk, no sudeste da Sibéria, a cerca de 360 ​​quilômetros do centro do distrito de Bodaybinsky. Nessa sua “aventura” por um terreno ainda não muito conhecido, o geólogo, quando chegou à zona mais ao norte, confrontou-se com lendas locais sobre um local misterioso e maldito, bem no interior dos bosques.

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O povo nômade Yakuts que habita a região chamavam “O Ninho Da Águia de Fogo” (Fire Eagle Nest). Diziam que o local era maligno, que as pessoas se sentiam mal perto dele e que algumas desapareciam. Das que desapareciam, algumas reapareciam mais tarde mortas. Segundo eles, nem os veados se atreviam a aproximar-se do local. Kolpalkov não se deixou impressionar pelos contos, e decidiu prosseguir a sua tarefa. Ao subir uma colina, ficou chocado com o que viu. No meio das árvores, erguia-se um monte gigantesco. Um formação tão estranha, como sensacional.

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Primeira fotografia da cratera, tirada em 1971

De onde eu estava, parecia um monte de resíduos de uma mina, só que esbranquiçados. Até pensei, onde estão os trabalhadores? Não existia nenhum campo de trabalho na área. A não ser que fosse secreto”. “O meu segundo pensamento, é que era um local arqueológico. Mas, apesar de terem o meu respeito, os nativos locais não eram como os antigos egípcios. Eles não conseguiriam construir pirâmides de pedra e não teriam os recursos humanos, nem o conhecimento científico necessários”.

Decidiu aventurar-se pelo meio das árvores e aproximar-se, ainda mais, daquele monte estranho. “Aproximei-me, e percebi que a colina misteriosa não era o resultado de trabalho humano. Parecia uma totalmente redonda e perfeita boca de um vulcão, com uma altura de 80 metros. Mas os vulcões não apareciam naquela zona há vários milhões de anos. E a cratera parecia ser recente”.

E continuou com as suas primeira impressões. “As árvores ainda não tinham crescido nas encostas e o vento ainda não tinha coberto a cratera com o solo. Estimei que aquela anomalia teria 200 a 250 anos. E um outro mistério, uma cúpula com uma cavidade circular, de 15 metros de diâmetro, aparecia no centro da cratera. Nos vulcões, até nos extintos, tais cúpulas não podem existir”.

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Vadim Kolpakov e a sua esposa. Foto: The Siberian Times

O enigmático monte tem cerca de 40 metros de altura e 150 metros de diâmetro na base, já o monte menor e interno mede 12 metros de altura com 40 metros de diâmetro. A cratera foi nomeada Patomskiy, por causa de um rio próximo. Kolpakov tentou voltar ao lugar para estudar melhor o misterioso monte, mas não conseguiu financiamento para uma expedição científica, onde o objetivo seria coletar amostras mais profundas a serem analisadas. Posteriormente, várias expedições foram realizadas. Uma dessas expedições em 2005 aumentou ainda mais a polêmica do lugar, o geólogo e um dos principais pesquisadores do Instituto Geoquímico SB RAS, Evgeniy Vorobievo teve um ataque cardíaco fulminante e morreu no caminho a cratera Patomskiy.

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Desde a descoberta deste local misterioso, várias teorias foram propostas. A cratera, com o aspecto de um ninho de águia como os nativos locais lhe chamavam, teria sido feita por uma civilização antiga. Era o resultado de atividade vulcânica. Ou ainda, seria obra de algum OVNI. Sergey Yazev, envolvido na expedição de 2005 disse: “Era de tirar o fôlego. O que poderia ter trazido “a vida” esta estranha formação. São 250 000 metros cúbicos de rocha subterrânea, trazida para a superfície, de uma forma muito regular e circular”. ” Pensamos que quando chegássemos lá, iríamos perceber imediatamente a sua origem, mas deixamos o local ainda mais confusos”.

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Durante muito tempo acreditou-se ser o resultado do impacto de meteorito, alguns até ligam o monte com a queda de algum fragmento do meteorito de Tunguska, cujos restos nunca foram encontrados. Mas nenhum vestígio de material desse tipo foi encontrado e as crateras de meteoritos têm uma forma diferente e as datas também não coincidem, uma vez que o episódio de Tunguska ocorreu em 1908. Em 2006 uma explicação passou a ser mais aceita pela comunidade científica internacional.

Segundo essa conclusão o local seria um criovulcão, ou seja, um vulcão gelado, que teria surgido nas condições do permafrost há 500 anos, na Pequena Idade do Gelo. “O congelamento que durou centenas de anos causou a “meteorização” da superfície. A alteração do clima se seguiu a elevação de temperaturas que fez derreter o gelo no interior. Deste modo, a parte central da colina, sob a ação da força da gravidade, acabou por afundar-se, tendo formado tal estrutura.”, foi a explicação de geofísicos do Instituto de São Petersburgo, mas nada foi provado.

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A equipe da expedição feita em 2006. foto: The Siberian Times

Na verdade, as várias descobertas feitas, ainda não possibilitaram uma teoria plausível. Aliás, têm aumentado o mistério em torno da cratera. Uma delas foi a detecção de uma anomalia magnética, enterrada por debaixo do monte. O responsável pela descoberta, Alexander Dmitriev, presumiu que a 150 metros de profundidade, poderá encontra-se ferro, ou algum material parecido. Investigações levadas a cabo por um perito em física e ciências matemáticas, sugeriram que a formação tenha ocorrido quando um objeto cilíndrico, feito de um material muito denso, tenha se chocado naquela zona.

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Não se sabe se realmente existe algum objeto cilíndrico, ou ferro, ou algum material parecido no interior, uma vez que não foram feitas nenhumas escavações. São especulações apenas. Foi também encontrada uma anomalia estranha nas árvores daquela zona. Investigando a idade das árvores mais velhas, que se encontram nas colinas da cratera, os investigadores chegaram à conclusão que a formação teria cerca de 250 anos. Tal como Kolpakov tinha dito. E, nas árvores com mais de 200 anos, foi descoberto, através dos padrões dos anéis circulares, algumas anomalias, como o seu rápido crescimento.

Patomskiy Cater, o ninho da águia de fogo

Esse crescimento manteve-se por 40 anos, até reduzir-se drasticamente. Professor Voronin, um dos envolvidos,  disse: “Conheço apenas um lugar, com um caso similar. Em Chernobyl, quando ocorreu o desastre e, devido aos níveis elevados de radiação, o crescimento das árvores aumentou drasticamente. Os níveis de radiação na cratera são baixos, mas, se calhar, a dada altura foram elevados”. O mistério aumentou. Nova teorias surgiram. A cratera teria surgido com um impacto de um meteorito radioativo? Alguma nave extraterrestre com um motor nuclear? O que raio teria acontecido naquela zona, algumas centenas de anos atrás?

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A hipótese largamente mais aceita hoje em dia, é que o monte surgiu de um vulcão a gás. O gás vai-se acumulando no interior, até que a certa altura ocorre uma explosão que eleva o solo. Depois, o gás começa a acumular-se novamente, até que nova explosão aconteça. É um fenômeno possível, mas ainda assim altamente estranho. Ainda por cima, quando naquela zona não ocorreu em mais lado nenhum.

De qualquer maneira, O “Ninho da Águia de Fogo” permanece como um lugar misterioso. Ainda não se sabe muito bem o que realmente aconteceu por lá. O mais certo é ter ocorrido algum tipo de fenômeno natural, pois é difícil equacionar hipóteses que envolvam extraterrestres, ou qualquer tipo de fenômeno que não ocorra no planeta. É pena que tem sido difícil encontrar financiadores para levar expedições à cratera. Isso tem-se revelado um obstáculo ao estudo e compreensão daquele local, tão fascinante e único.

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Patomskiy Cater, o ninho da águia de fogo

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Texto publicado originalmente em 24/12/2015

Fontes: 1 2 3 4

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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2 Comentários

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  2. Wagner Bomfim Tidemann

    18 de agosto de 2018 às 10:26

    Simplesmente fascinante! Como nosso estranho mundo até hoje nos intriga!

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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