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A escada imóvel do Santo Sepulcro em Jerusalém

A escada imóvel do Santo Sepulcro em Jerusalém

Embaixo de uma das janelas arqueadas da Igreja do Santo Sepulcro, na Cidade Velha de Jerusalém, há uma velha escada de madeira casualmente inclinada contra a parede na borda superior. À primeira vista, parece uma escada sem importância, provavelmente deixada ali por um trabalhador enquanto fazia manutenção. Porém, esta escada está ali a mais de 300 anos.

A escada “A Escada imóvel do Santo Sepulcro” aparece em várias fotografias tiradas da igreja ao longo dos anos, e antes da era da fotografia, ela aparecia em esboços, pinturas e gravuras. Na verdade, a escada faz parte integrante do complexo de construção há pelo menos três séculos, possivelmente bem mais.

A escada imóvel do Santo Sepulcro em Jerusalém

Foto tirada em 2017 | Crédito da foto

Ninguém sabe com certeza como a escada chegou ali. O que se sabe é que estava lá em 1728 – de uma gravura e possivelmente a mais antiga representação da Igreja do Santo Sepulcro com a escada sob a janela. A primeira evidência escrita desta escada se remonta em 1757, quando o sultão Abdul Hamid a mencionou em um escrito. Várias litografias e fotografias do século 19 já mostravam a dita escada. Alguns relatos dizem que a escada foi colocada lá por um pedreiro que estava fazendo trabalhos de restauração no Santo Sepulcro no século 18 ou antes. Mas por que a escada não foi retirada quando os trabalhos foram concluídos? A resposta pode vir de como é administrado esse lugar sagrado.

Muitos lugares na Terra Santa de Jerusalém são reverenciados por diferentes grupos religiosos, incluindo os cristãos, os muçulmanos e os judeus. Decidindo que grupo consegue gerenciar qual lugar tem sido uma fonte de grande conflito ao longo dos séculos. A Igreja do Santo Sepulcro, que foi construído no quarto século no lugar onde Jesus Cristo foi dito ter sido crucificado, enterrado e ressuscitado, não é um lugar sossegado. As brigas entre monges e padres são mais frequentes do que se esperaria de um dos lugares mais especiais para o cristianismo. Em agosto de 2002, onze pessoas foram hospitalizadas pela briga criada por um religioso copta (igreja cristã nacional do Egito (copta significa egípcio) e uma das igrejas da Ortodoxia Oriental mais antigas do mundo) que moveu sua cadeira para buscar a sombra, o que indignou os monges etíopes.

A escada imóvel do Santo Sepulcro em Jerusalém

Gravura da Igreja do santo Sepulcro datada de 1728

No século 18, o sultão otomano Osman III forçou um compromisso que chegou a ser chamado de acordo Status Quo: também na divisão de Jerusalém em quadrantes, decretou que quem nesse momento tivesse o controle de um determinado espaço, o continuaria controlando indefinidamente. Se vários grupos reivindicassem um lugar, todos eles teriam que concordar com quaisquer alterações, por mais pequenas que fossem. Certos lugares foram para os muçulmanos, alguns foram para os judeus, mas a maioria foi para os cristãos. Apesar das muitas mudanças subsequentes do poder político na Terra Santa, esse Status Quo permaneceu essencialmente em vigor, com cada grupo religioso guardando obstinadamente seus lugares relevantes.

A escada imóvel do Santo Sepulcro em Jerusalém

Foto de 2007 | Crédito da foto

Esse Status Quo não só evitou guerras, como também impediu a manutenção de diversos lugares de peregrinação. A menos que todas as partes relevantes chegassem num comum acordo sobre um trabalho para melhorar as instalações, nada se podia fazer. Como a escada está numa área comum, os seis grupos religiosos devem entrar em acordo para tirá-la de lá, que decidiram que é mais fácil deixar a escada onde está. Alguns argumentam que o lugar onde a escada está pertence à Igreja Apostólica Armênia, mas a borda onde a escada retém pertence ao ortodoxo grego.

Era comum que os armênios colocassem uma escada sob a janela e descessem até a borda abaixo para assistir cerimônias na praça em frente à igreja. Os armênios também usaram a borda para puxar para cima com corda, comida e suprimentos. Isso ofendeu os gregos, mas eles não podiam protestar porque o status quo já estava estabelecido com a escada abaixo da janela.

A escada imóvel do Santo Sepulcro em Jerusalém

A Igreja do Santo Sepulcro em 1987 | Crédito da foto

Flagrante da escada sendo surrupiada em 1997

Em 1964, a escada imóvel tomou um novo significado. O Papa Paulo VI estava visitando a Terra Santa, sentiu-se triste em saber que a escada tinha se tornado símbolo do acordo de Status Quo, e que também era uma recordação das escandalosas divisões entre os cristãos. Posto que a Igreja Católica Romana é um dos seis grupos cristãos com poder de veto sobre qualquer mudança, a escada não se moverá desse lugar até que se chegue à união tão desejada. Alguns dizem que a escada serve como um lembrete de que a Igreja do Santo Sepulcro pertence a todas as igrejas ao invés de qualquer grupo de crentes. Para outros, a escada simboliza a estupidez humana do que qualquer outra coisa.

Na história recente da escada, houve algumas tentativas de movê-la. Em 1981, alguém roubou a escada que desapareceu por um curto período de tempo. A polícia israelense local logo encontrou a escada, e a recolocou no seu devido lugar, embora os surrupiadores nunca tenham sido descobertos. Em 1997, a escada desapareceu por várias semanas. Pensou ser uma brincadeira, foi devolvido mais tarde em meio ao rumor de novos conflitos entre a Igreja Apostólica Armênia e os líderes da Igreja Ortodoxa Grega. Em 2009, a escada foi movida de novo. Foi colocada na janela esquerda por um curto período, para dar passagem aos andaimes na reforma do campanário.

A escada imóvel do Santo Sepulcro em Jerusalém

Ilustração da janela e da escada, por volta de 1874 e 1878

A escada imóvel do Santo Sepulcro em Jerusalém

Uma foto da igreja de 1895

A escada imóvel do Santo Sepulcro em Jerusalém

A Igreja do Santo Sepulcro, cerca de 1890-1900

A escada imóvel do Santo Sepulcro em Jerusalém

Fontes: 1 2 3 4

“A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos”. – Fernando Pessoa

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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