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A ilha dos mortos de Nova Iorque

A ilha dos mortos de Nova Iorque

Longe das luzes e glamour da vizinha ilha de Manhattan em Nova Iorque, EUA, Hart Island é a ilha de homens e mulheres esquecidos e crianças rejeitadas por um sistema cruel e insensível, onde nem mesmo os mortos têm direito a um enterro religioso.

Sem acesso ao público desde 1976, quando o Departamento de Correções assumiu o controle da ilha, ela é desconhecida pela maioria dos nova iorquinos, Hart Island é uma ilha com quase dois quilômetros de extensão na costa leste do Bronx em Nova Iorque – tem sido um dos segredos mais bem guardados. Conhecido como “Potter’s Field”, é um cemitério da cidade para aqueles que não podem pagar pelo enterro, ou cuja identidade são desconhecidas.

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Desde 1869, já foram enterradas na ilha entre 900.000 a 1.000.000 pessoas entre pobres, indigentes, ou esquecidos, tornando-se o maior cemitério público do mundo. No entanto, além dos detentos que trabalham lá, apenas algumas poucas pessoas já visitaram este cemitério.

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Uma mais razões é óbvia, impedir a fuga dos detentos e a outra é que o sistema prisional só dá acesso a ilha mediante a apresentação de um atestado de óbito e como a grande maioria dos que são enterradas lá, são indigentes e anônimos, poucos são os que querem ir e os curiosos são desencorajados com placas de advertências “Keep Off”. Mesmo com permissão, o único lugar acessível ao público é um pequeno mirante, que fica a 20 metros do cais e é cercado com barreiras, que os detentos chamam de galinheiro e mesmo ali, celulares, tablet e fotos são proibidas. A ilha já foi prisão para soldados confederados, hospício para os pobres, asilo feminino e até mesmo base de mísseis durante a guerra fria.

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Hart Island é mantida pela Secretaria da Administração Penitenciária, que traz presos de Rikers Island e pagam 50 centavos por hora para cavar túmulos e empilhar caixões de madeira simples nas sepulturas – cerca de 2.000 enterros são feitos a cada ano e as sepulturas são valas comuns com 4 metros de largura, com 1,5 metros de profundidade e que podem comportar cerca de 150 adultos ou 1.000 crianças.

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De acordo com Melinda Hunt, fundadora da organização “Hard is Land” e que ajuda famílias a encontrar seus familiares mortos, luta contra a gestão de enterros em valas comuns pelo sistema prisional. Graças a Melinda, Laurie Grand encontrou seu filho em 2011, que morreu em 1993, após uma gravidez difícil. Laurie disse ao jornal “Le Figaro” que: “Eu ainda estava sob a influência de drogas quando me fizeram assinar um documento, dizendo que ele seria enterrado pelo município, sem me explicar que seria numa vala comum“. Infelizmente, isso acontece com muitas mulheres. Laurie entrou na justiça para forçar o sistema prisional lhe permitir visitar o túmulo de seu filho. “Proibir uma mãe de visitar o túmulo de seu filho, não é digno de uma democracia como os Estados Unidos” completou ela.

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Foto tirada em 27 de março de 2014. Cada tubo de plástico branco saindo da terra, indica uma vala comum, com 1.000 bebês enterrados. | Crédito foto: AFP PHOTO / Don Emmert

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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