Abandonados

A incrível história de Burro Schmidt e seu túnel

A incrível história de Burro Schmidt e seu túnel

No alto das montanhas El Paso, após o desfiladeiro “Last Chance Canyon” ou “Canhão da última oportunidade” no deserto de Mojave, na Califórnia, existe um túnel que no passado, a escavação e construção foi a determinação e perseverança de um só homem. William Henry Schmidt (1871-1954), mais conhecido como “Burro Schmidt“, passou 38 anos cavando sozinho com pás, martelos, brocas de mão, picaretas e explosivos, uma passagem na rocha sólida de “Copper Mountain”, com quase 800 metros de comprimento.

Em 1890, Schmidt então com 24 anos, deixou sua cidade natal Woonsocket, em Rhode Island, na costa leste dos Estados Unidos, a fim de curar sua tuberculose. “Ele tinha seis irmãos e irmãs e todos morreram de tuberculose, com idades entre 11 e 29 anos. O médico lhe disse que se ele não quisesse o mesmo destino, que se mudasse para um lugar com o clima mais seco e por isso decidiu vir para a Califórnia“. relatou Elva Younkin, curadora do Maturango Museum.

A incrível história de Burro Schmidt e seu túnel

William Henry “Burro” Schmidt e seu túnel

Ao chegar no oeste em 1895, trabalhou por dois anos como mineiro, extraindo ferro na Kern County Land Company, em Bakersfield, voltando depois para sua casa em Rhode Island, onde permaneceu por um tempo. Em 1900, voltou de vez para a Califórnia. Começou sua mina em algum momento entre 1902 e 1906, escolhendo um lugar a 1.200 metros de altura nas montanhas El Paso, e ao longo dos 38 anos em que abria seu túnel, Schmidt trabalhou durante os verões em fazendas ao longo do rio Kern, onde ganhava algum dinheiro que gastava na compra de suprimentos e explosivos na em Joanesburgo e voltava a trabalhar em sua mina/túnel nos outonos e invernos.

Seus únicos companheiros eram Jack e Jenny, dois burros que adotou após encontrá-los abandonados, que usava apenas para transportar sua carroça com suprimentos. Nunca usou os dois burros em sua mina, gostava demais dos animais, para usa-los no trabalho pesado. “Basicamente a vida na montanha era muito difícil. Tudo o que precisavam tinha que ser carregado no lombo de mulas ou nas costas. Muito provavelmente havia outros mineiros na área, quando Schmidt chegou. Esses homens não se socializavam muito, porque na época, suas licenças e direitos de exploração eram frequentemente roubados.” Relata David Ayres aos turistas, um guia de turismo que leva visitantes ao Túnel Burro Schmidt.

Mineração de ouro na época não era mesmo um trabalho para fazer amigos, e o lugar que ele escolheu, era perfeito para Schmidt que gostava de solidão e nunca se casou. Porém para chegar à cidade mais próxima, tinha que atravessar 32 quilômetros de paisagem desértica, além de que, precisava atravessar a montanha de El Paso. Acreditasse que o objetivo de Schmidt ao escavar o túnel foi justamente cortar caminho pela montanha, do oeste para o leste, e assim chegar mais facilmente a estrada de ferro, e aos compradores de ouro em Mojave.

A maioria das pessoas que vivem na região acreditam que ele era simplesmente louco. Ele morava sozinho e tinha uma reputação de ser um avarento – ele consertava suas roupas com sacos de farinha e seus sapatos com latas esmagadas. Muitas vezes, ele ficou gravemente ferido por suas próprias explosões ao escavar o túnel. Por economia, ele não usava um estopim longo que lhe desse mais segurança. Em um ponto, os moradores chamavam de “Jackass Schmidt“, e mais tarde na vida, ele assumiu o nome “Donkey“, em homenagem aos seus burros.

Mas o se passava pela cabeça de Burro Schmidt ninguém sabia e o túnel que ele estava cavando era um completo segredo para todos, só mesmo revelado quando o próprio Schmidt desistiu da mina/túnel, onde nunca moveu minério nenhum, ele vendeu a mina a outro garimpeiro e foi morar numa cidade próxima.

Até aos nossos dias, o túnel do Burro Schmidt ainda é uma fonte de grande mistério e temor, e continua a despertar a curiosidade das pessoas que o visitam. Todo mundo que visita o túnel, atesta o fato de que Schmidt sabia o que estava fazendo. Ele não teve nenhum treinamento formal e aprendeu a maioria das habilidades necessárias para o trabalho ao fazê-lo, mas a precisão de seu trabalho é inconfundível. Ainda assim, a questão permanece – por que alguém iria querer construir um túnel para lugar nenhum?

Quando um homem religiosamente adere a uma tarefa aparentemente sem sentido, ele naturalmente dá origem a uma série de perguntas. Durante os anos de escavação de Schmidt, houve rumores sobre um rico depósito de minério ou veio de ouro que ele estava protegendo através de seu túnel, mas nada disso nunca se confirmou. Ele viveu uma vida tão simples que a teoria do tesouro escondido simplesmente não pegou. Várias pessoas têm explorado a terra e o trabalho de Schmidt em uma tentativa de encontrar algumas respostas para o trabalho de sua vida, mas ele não deixou registros de sua motivação.

Especula-se que Schmidt tenha sentido necessidade de criar o atalho para trazer seu minério de ouro da mina para o mercado. Mas, quando a construção de uma nova estrada tornou o seu esforço desnecessário, ele mesmo assim escolheu continuar o trabalho extenuante por vários anos. Na falta de provas conclusivas, as pessoas foram forçadas a aceitar que ele foi provavelmente apenas obcecado com seu projeto estranho.

Ninguém sabe se ele encontrou o ouro, mas quando o túnel rompeu a luz do dia do outro lado, dando vista para o Vale Fremont e Koehn Dry Lake, bem como, as cidades fantasma de Garlock e Saltdale, em 1938, ele simplesmente abriu mão da obra de sua vida. Se afastou dos 32 anos de escavações rigorosas, fez as malas e deixou Copper Mountain, vivendo a última parte de sua vida em uma cidade próxima. Mais tarde, em parceria com um outro mineiro chamado Mike Lee, levava visitantes para passeios no túnel. Ele morreu em 1954, levando consigo todos os segredos do túnel que ele construiu.

Se você visitar o túnel hoje, você poderá andar ereto através de todo por uns 500 metros, com uma altura de 1.80 metros, e os 300 metros finais, baixar um pouco a cabeça, pois Schmidt com 68 anos, não conseguia mais cavar muito alto. É estruturalmente sólido e ao longo das paredes, você pode ser capaz de identificar os veios dos minerais expostos. E quando você alcançar a borda no fim do túnel, uma vista espetacular espera por você. Embora localizado em uma área remota, o túnel do “Burro Schmidt” é uma grande atração turística. Ela tem atraído visitantes curiosos de todo o mundo e já foi destaque no programa de televisão “Ripley Believe it or Not”, programa esse que lhe deu o apelido de “Homem Topeira“.

Nos 38 anos que durou a escavação no túnel, Schmidt moveu um total de 5.800 toneladas de pedras. Isso equivale a cerca de 450 quilos por dia em média e mais de 70.000 horas de trabalho pesado. Schmidt morreu em janeiro de 1954, três dias antes de completar 83 anos. A cabana de um cômodo de Burro Schmidt fica a uma curta distância de seu túnel.

É uma rara cápsula do tempo da história americana amplamente preservada como era há 80 anos, graças às condições do deserto e à dedicação da falecida Evelyn “Tonie” Seger, que com o marido comprou o local em 1963. Após a morte da Sra. Seger em 2003, no entanto, a cabana foi negligenciada e destruída por vândalos. Schmidt tinha uma cabana, onde as paredes eram forradas com jornais misturados com revistas modernas e velhos papéis que forravam as paredes protegendo o local do calor do dia e o frio da noite.

O curioso foi ter sido encontrado um jornal do Los Angeles Times, de janeiro de 1935, onde na primeira página, as manchetes diziam “Fisch Note Traps Hauptman“, uma reportagem sobre Bruno Richard Hauptmann, o homem condenado e executado em 1936 por sequestrar e assassinar o bebê de Charles Lindbergh, o piloto que fez o primeiro voo solitário transatlântico sem escalas em 1927.

A incrível história de Burro Schmidt e seu túnel

Interior da Cabana de Schmidt | Crédito da foto

A incrível história de Burro Schmidt e seu túnel

Placa pedindo que as pessoas respeitem o local histórico e não retirem nada do lugar | Crédito da foto

Fontes: 1 2 3

“Tudo o que o homem não conhece não existe para ele. Por isso, o mundo tem para cada um o tamanho que abrange o seu conhecimento”. – Carlos Bernardo González Pecotche

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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