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Shell Grotto, a misteriosa gruta da Inglaterra

Shell Grotto, a misteriosa gruta da Inglaterra
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Entrada ao complexo da Shell Grotto

Shell Grotto (gruta da concha), é um complexo de passagens e câmaras escavados por mãos humanas e cobertas de conchas que fica na cidade costeira de Margate, localizada no distrito de Kent, no Reino Unido, cidade essa com cerca de 57 mil habitantes e uma orgulhosa tradição marítima. Desde 1760, Margate é um dos destinos de férias prediletos para muitos moradores de Londres, ávidos por desfrutar de suas praias. O túnel principal da gruta das conchas se estende por 21 metros, e estão em toda parte, mesmo embaixo das casas, jardins e ruas da pequena cidade.

Ela foi descoberta em 1835, quando James Newlove, diretor de uma escola local, desejava construir um lago artificial em seu jardim. Enquanto escavava, sua pá desapareceu em uma abertura debaixo de uma placa de pedra. Removendo essa placa ele encontrou o que parecia ser a entrada para uma caverna muito profunda que estava imersa nas trevas. Ele amarrou seu filho Joshua em uma corda e o desceu pela abertura com um lampião.

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Depois de verificar o interior da caverna, o garoto foi puxado de volta e retornou falando de estranhas decorações nas paredes feitas de conchas e de coisas que ele sequer conseguia descrever. “É como um outro mundo” disse o menino. Várias pessoas desceram e tiveram a mesma impressão: estavam diante de algo inexplicável. Para facilitar o acesso para a caverna uma rampa horizontal foi escavada e aberta ao público em 1837. Os corredores foram iluminados com lampiões à gás que concediam uma aura sobrenatural ao interior.

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O que torna a gruta de Margate um mistério incomum é que não se sabe praticamente nada a respeito de sua origem. Não se sabe, por exemplo quem o construiu, quando e para qual propósito. Tudo indica que o lugar tenha sido erguido como uma espécie de Templo, mas não há qualquer pista de quais divindades eram veneradas naquelas câmaras profundas alagadas de acordo com a variação da maré. O trabalho de construir e ornamentar toda a caverna deve ter sido monumental, consumindo anos e indicando que um número considerável de pessoas esteve envolvida na tarefa. Pesquisadores pressupõem que pode ter sido criada a mais de três mil anos.

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São aproximadamente 4,6 milhões de conchas que ornamentam as paredes, espalhadas ao longo das passagens e cavernas. As conchas de todos os tamanhos foram dispostas uma ao lado da outra em padrões simétricos diferentes: estrelas, espirais, triângulos, círculos. As imagens formadas com as conchas são alinhadas e lembram os padrões utilizados em igrejas ou catedrais medievais, exceto pelo fato de que são muitíssimo mais antigas.

Na câmara maior, onde Newlove encontrou a entrada para a gruta, existe um enorme bloco de pedra ornamentado com conchas que lembra um altar rudimentar. Diante dele, uma espécie de piscina ou túnel alagado ligava o centro da câmara a túneis inundados. Em 1850, essa piscina foi lacrada com pedras por motivo de segurança. O propósito desse acesso para o mar só pode ser especulado, mas tudo indica que a água tivesse uma importância vital nos rituais ali realizados.

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Os corredores terminam em portas no formato de arcadas e são exatamente do mesmo tamanho. Esses corredores ligam quatro câmaras distintas, três delas aparentemente naturais e a quarta escavada artificialmente. Os desenhos no interior das câmaras parecem reminiscentes de padrões orientais. Com um pouco de imaginação, é possível enxergar tartarugas, pássaros, flores, luas e árvores em alguns desenhos. Não há, contudo, nenhum símbolo que remete a cristandade, nem mesmo o peixe que era um símbolo associado aos primeiros cristãos.

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Noventa por cento das conchas que decoram as paredes são da costa britânica. Já outras, são típicas da costa da França e Irlanda e foram colocadas em lugares de destaque como para evidenciar o fato delas terem sido trazidas de regiões distantes. Pesquisadores afirmam que na câmara maior existem conchas cor de rosa que só podem ser encontradas no litoral de Cuba, no Caribe. O fato seria apenas curioso se muitos não tivessem atribuído a construção da gruta a homens pré-históricos ou a pescadores anteriores ao período de ocupação romana nas Ilhas Britânicas, ou seja muitos séculos antes dos primeiros navegadores chegarem a América.

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Outra possibilidade, levantada por pesquisadores é que a caverna tenha sido construída por fenícios. Esse povo que habitava as regiões que hoje conhecemos como Síria e Líbano tiveram seu apogeu entre 1500 e 400 antes de Cristo. Sabemos que os fenícios eram excelentes navegadores e responsáveis pela criação de um alfabeto complexo. Entretanto, a cidade de Margate se localiza no ponto mais distante de Kent uma região que na época dos fenícios dificilmente poderia ser atingida através da costa. Além disso, nenhum dos padrões remete a divindades cultuadas por esse povo.

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A verdade é que até hoje foi impossível precisar a idade das conchas que não são passíveis de análise por radiocarbono, devido aos anos em que as grutas e câmaras eram iluminadas a gás, impregnando seu interior de uma fuligem escura. Outros métodos foram usados ​​na tentativa de datar a caverna, mas até agora eles se mostraram infrutíferos, e uma investigação sobre a argamassa usada para fixar as conchas na parede só foi capaz de concluir que ela era “baseada em peixes”. É bem provável que na ausência de pistas adicionais, jamais venhamos a saber quando a gruta das conchas de Margate foi construída.

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Outro tema polêmico diz respeito a utilização da gruta como templo pagão. Os desenhos permitem uma ampla especulação a respeito de sua origem, podendo ser fenícios, romanos, egípcios e até templários dependendo a quem se pergunta. O fato da caverna ter servido como templo religioso, no entanto, parece óbvio.

No final do corredor, na câmara principal existe um altar que tudo indica, era o ponto central da construção e onde a congregação devia se reunir para assistir as celebrações. No chão, ao redor do altar há indícios de que o piso foi gasto, formando um padrão de círculos concêntricos o que é condizente com várias religiões do mundo antigo, onde andar ao redor de um altar, fazia parte do rito.

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Muitos acreditam que deuses e espíritos marinhos seriam as divindades mais prováveis de receber a atenção daquela congregação formada por homens do mar. Grupos de pescadores primitivos poderiam se reunir na gruta afim de pedir proteção ou o favor dos deuses para que eles proporcionassem uma pesca abundante. Comunidades pesqueiras desse tipo eram comuns em muitas regiões da Europa, mas em nenhuma se viu tamanho grau de devoção.

Outro elemento importante é a piscina que leva a um túnel alagado que também sugere ser o mar um elemento importante dos rituais ali conduzidos. Especialistas não afastam a possibilidade de que esse túnel fosse utilizado para rituais de sacrifício, no qual vítimas poderiam ser lançadas no túnel para morrerem afogadas, cumprindo assim o papel de oferendas para divindades marinhas.

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Publicado inicialmente em maio de 2015

Site Oficial: Shell Grotto

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