A Albânia é um pequeno país da península Balcânica, no sudeste da Europa, de infinitas belezas naturais, litoral pitoresco, atrações notáveis e uma infinidade de bunkers de concreto, que já se tornaram parte inseparável dos cenários urbanos e rurais do país.

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Enver Halil Hoxha

Durante o regime do ditador Enver Halil Hoxha, líder socialista entre 1944 a 1985, a Albânia se tornou conhecido por seu isolamento do resto do mundo, devido a paranoia de Hoxha que de seu país seria invadido.

Durante os 40 anos de seu governo, a Albânia foi transformada de uma relíquia semi feudal do Império Otomano em uma economia industrializada com a sociedade europeia mais controlada do século 20. Como é habitual nos regimes socialistas rígidos, viajar para o exterior e seguir uma religião eram extremamente proibidos, e também o país estava fechado para os estrangeiros. Hoxha havia se coroado o salvador do país, e usava apelidos arrogantes como “O Grande Professor” e “A Força Única”.

Albânia, o país com 750 mil bunkers

O medo paranoico de Hoxha, de uma invasão da URSS ou da OTAN fez ele investir fortemente na proteção de seu povo através da construção de numerosos bunkers e túneis.

Quase um quarto do orçamento do país foi para os militares, drenando parte significativa dos recursos da Albânia, desviando-os para longe de necessidades mais imediatas do país na época, tais como lidar com a escassez habitacional e com estradas em péssimas condições e que até hoje estão assim.

Albânia, o país com 750 mil bunkers

O número exato dessas casamatas de concreto e aço que foram construídos é desconhecido. Mas se sabe que há aproximadamente 750.000 deles espalhados por todo o país. Se for levar em conta que a Albânia tem 28.748 quilômetros quadrados, chegasse ao incrível número de 24 bunkers para cada quilômetro quadrado do país, e um para cada quatro habitantes!

Seu valor militar é considerado pequeno, nunca tendo sido utilizados para os fins previstos durante os anos de regime comunista (1945-1990).

Albânia, o país com 750 mil bunkers

Eles podem ser encontrados em jardins, parques infantis, escolas, condomínios, postos de gasolina e até mesmo em cemitérios. E há diferentes tipos e tamanhos, variando de casamatas pequenas com apenas uma metralhadora, a um bunker gigantesco situado na região de Lezhe, no norte da Albânia, a cerca de setenta quilômetros de Tirana, a capital do país, construído a 100 metros de profundidade, com cinco andares e 106 quartos que comportava 250 pessoas, e foi construído para suportar um ataque nuclear. Atualmente este foi transformado em um albergue para estudantes de arquitetura alemães e albaneses.

Albânia, o país com 750 mil bunkers

No entanto, a maioria deles são pequenos, geralmente com 2,1 metros de altura e consistem em uma base cilíndrica, de 1,8 metros de diâmetro, com uma abertura estreita horizontal e com um teto abobadado, concebido para desviar o fogo de artilharia ao invés de absorver o impacto. Há também casamatas para dez ocupantes construídos para resistir a fogo de artilharia de curto alcance.

Existe um lenda local que diz que o protótipo para os bunkers foi construído na década de 1950, com o engenheiro responsável assegurando aos militares que ele suportava um ataque fulminante de um tanque. O presidente Hoxha decidiu testá-lo usando o engenheiro de cobaia, que permaneceu dentro de um bunker, enquanto era atacado por projeteis de um tanque, e como ele saiu ileso do ataque, a produção em massa dessas estruturas começou.

Albânia, o país com 750 mil bunkers

A construção e instalação desta enorme rede de concreto e aço como proteção foi um grande projeto, mantendo um grande contingente de operários e soldados ocupados por décadas. Diz-se que os bunkers tornou-se um empregador tão vital que era difícil parar o programa. De fato, as estruturas ainda estavam sendo construídas com o mesmo design até a morte de Hoxha em 1985, altura em que provavelmente, perdeu muito de sua relevância tática.

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Muitos albaneses não veem essas casamatas abandonados como algo negativo, e há outros mais criativos, que se apossaram dos maiores e os transformaram em casas e comércios. Antes, eram estruturas militares pouco atraentes, e agora são cafés, restaurantes, adegas, banheiros, casas de cachorro ou grandes latas de lixo. Por outro lado, nem todo albanês quer salvar essas relíquias, e muitos querem destruí-los e vender o material como sucata.

Albânia, o país com 750 mil bunkers

Demolir bunkers, no entanto é ilegal, mas as autoridades acabam fechando os olhos quando a isso, desde que não usem explosivo no processo de destruição. Também se mostraram úteis durante os conflitos ocorridos nos Bálcãs durante a década de 1990; no entanto, são contemporaneamente muito usadas por jovens albaneses como local para fazerem sexo.

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Queda da estátua de Hoxha na Praça Skanderbeg de Tirana em meio a manifestações de estudantes

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Fontes: 1 2 3

Artigo publicado originalmente em junho de 2016

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Sobre o Autor

Curioso desde sempre, queria um lugar para guardar às curiosidades de lugares e histórias inusitadas que lia em livros ou pela internet e assim nasceu o site Magnus Mundi em 2015. Me chamo Julio Cesar, sou natural de Blumenau e morador de Porto Belo, litoral de Santa Catarina.

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