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AMA, as sereias japonesas seminuas

AMA, as sereias japonesas seminuas

Por quase dois mil anos, as moradoras de aldeias costeiras japonesas usavam trajes mínimos e enchiam os pulmões de ar por longos períodos para pescar lagostas, ouriços do mar, algas, moluscos e abalone uma ostras que produz pérolas, quando as marés eram favoráveis e a temperatura suportável. Elas são conhecidas como “AMA”, que literalmente quer dizer “mulheres do mar” e se jogavam em mergulhos profundos no oceano Pacífico, e ficaram conhecidas como sereias japonesas. Mesmo hoje em dia, uma ama só mergulha seguindo as tradições do passado, sem equipamento moderno de mergulho, confiando apenas na força dos pulmões, mas é raro encontrar e a tradição esta se acabando.

As Amas retratadas em obras-primas japonesa (1750-1806)

As mulheres mergulhadoras retratadas em obras-primas japonesa (1750-1806)

As mulheres começavam a mergulhar com 15 anos de idade, seguindo os passos de suas mães, mas ficavam em treinamento por quase dois anos antes de se aventurarem a mergulharem em águas mais profundas e congelantes, por mais de trinta metros. As mais experientes faziam aproximadamente 100 mergulhos por dia (eram cerca de 250-280 minutos, ou 4-5 horas debaixo d’água diariamente), e o tempo que ficavam submersas variava de 45 a 60 segundos, mas algumas poderiam ficar até 2 minutos, se houvesse necessidade.

AMA, as sereias japonesas seminuas

Tradicionalmente, era uma profissão puramente feminina, por conta de uma camada isolante de gordura extra no corpo feminino, que lhes permitiam ficar mais tempo na água fria. Em alguns casos, os homens permaneciam no barco, ajudando a carregar a produção e em caso de perigo puxar a mergulhadora pela corda para fora da água. Elas ganhavam em uma temporada de poucas semanas em salários o que os homens levariam um ano para produzir e receber o mesmo.

24012A maioria delas usava nada mais que uma tanga e uma máscara para os mergulhos e usavam trajes mínimos porque na época as roupas de algodão eram pesadas e se tornavam desconfortáveis quando molhadas, inibindo os movimentos. Elas também costumavam usar um tenugui (bandana) em volta da cabeça para proteger os cabelos. As bandanas às vezes continham escritos que evocavam boa sorte, para proteger a mergulhadora dos maus espíritos. As mergulhadoras também utilizava uma espécie de barril na superfície d’água como boia que ficava ligada ao seu corpo por uma corda,  para descansar e recuperar o fôlego entre os mergulhos e servir para depositar o que conseguia tirar do fundo do mar.

Na época, o povo japonês não via a nudez como um tabu, tanto é que há registro de homens nus ajudando as mergulhadoras, porém, após a Segunda Guerra Mundial, com a invasão americana no Japão, eles começaram a sexualizar a nudez até então inocente, o que às obrigou a aumentarem a quantidade de tecido no corpo.

AMA, as sereias japonesas seminuas

Yoshiyuki Iwase (1904 – 2001) era apaixonado pela fotografia e viu-se atraído pela antiga tradição das mergulhadoras de sua cidade natal e elas se tornaram suas musas e no final de 1920 começou uma série de imagens, fotografando as mergulhadoras na costa de Iwawada, especificamente nas regiões mais ativas por elas de Kohaduki, Oohaduki, Futamata, Konado, Tajiri, Koura e Nagahama nos momentos da profissão incomum, enquanto ela ainda estava muito viva. As fotografias talvez sejam a única documentação abrangente dessa tradição praticamente extinta nos dias de hoje.

AMA, as sereias japonesas seminuas

As fotos abaixo foram tiradas por Yoshiyuki Iwase, Fosco Maraini e outros fotógrafos desconhecidos, entre os anos de 1920 e 1960, capturando os últimos momentos preciosos de uma tradição que logo começou a desaparecer, a da beleza simples e primitiva das Amas. Yoshiyuki Iwase posteriormente, usando os modelos que havia conhecido nos mergulhos, passou a criar uma série de nus modernistas excepcionais. Muito do trabalho de Iwase foi perdido após a sua morte em 1997, tornando as cópias existentes extremamente raras.

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As sereias japonesas nas páginas do livro de Yoshiyuki Iwase

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Texto publicado originalmente em junho de 2015

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