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Bonnie & Clyde, a dupla infernal

Bonnie & Clyde, a dupla infernal

Bonnie & Clyde, são provavelmente o mais famoso e romântico casal de criminosos da história americana, devido a uma série de assaltos pelo interior dos Estados Unidos no início de 1930. O país estava em plena Grande Depressão, e o casal acabou ganhando uma fama graças as manipulações de jornais e rádios da época, que diziam que a vida de amor, roubos e fugas era um luxo, mas a história era outra. Eles, junto com o resto da gangue, vivia em constante estresse pela falta de dinheiro para sobreviver e tentando fugir a qualquer preço da polícia. O frenesi de amor e crime só parou quando ambos foram impiedosamente cravados de balas numa estrada da Louisiana.

Clyde Champion Barrow e sua companheira, Bonnie Elizabeth Parker, foram mortos a tiros por policiais em uma emboscada perto de Sailes, em Bienville Parish, Louisiana, nos Estados Unidos em 23 de maio de 1934, depois de uma das perseguições mais espetaculares que aquele país tinha visto até aquele momento.

Bonnie & Clyde, a dupla infernal

Fotos do casal foram encontradas em um filme não revelado, abandonado em Missouri, esconderijo da dupla quando a polícia invadiu a casa.

O Federal Bureau of Investigation (FBI), passou a investigar e encontrou pistas singulares de Clyde e sua amante em dezembro 1932. Um automóvel Ford, que havia sido roubado em Pawhuska, Oklahoma, foi encontrado abandonado perto de Jackson, Michigan, em setembro do mesmo ano. Em Pawhuska, soube-se de outro carro Ford abandonado que havia sido roubado em Illinois. A busca realizada neste carro revelou, por artigos abandonados nele, que tinha sido ocupado por um homem e uma mulher. Neste carro foi encontrada a prescrição e um frasco que levou os agentes especiais a uma drogaria em Nacogdoches, Texas. A investigação revelou a identidade que a pessoa para quem a prescrição tinha sido receitada era a tia de Clyde Barrow.

Investigações posteriores revelaram que a mulher que obteve a prescrição recebera a visita recentemente de Clyde Barrow, o seu irmão de Clyde, LC Barrow e Bonnie Parker. Descobriu-se que estes três estavam dirigindo um carro Ford, identificado como aquele roubado em Illinois. Em 20 de maio de 1933, o Comissário dos Estados Unidos em Dallas, Texas, emitiu um mandado contra Clyde Barrow e Bonnie Parker, acusando-os de transporte interestadual, de Dallas para Oklahoma, do automóvel roubado em Illinois. O FBI começou, então, a caçar o casal.

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A primeira prisão de Clyde foi por conta de um carro alugado não devolvido

Enquanto cumpria sua sentença de 14 anos em uma prisão do Texas por roubo e furto de automóveis em janeiro de 1932, Clyde já não suportava mais o trabalho implacável e as condições brutais da conhecida Eastham Prision Farma. Na esperança de forçar uma transferência para uma penitenciária menos dura, Clyde cortou o seu dedão do pé esquerdo e uma porção do segundo dedo também com um machado. A automutilação incapacitou Clyde de andar e usar sapatos durante muito tempo. Cerca de seis dias depois ele foi posto em liberdade condicional.

Ligação Perigosa

Bonnie e Clyde conheceram-se no Texas em janeiro de 1930. Na época, Clyde, com 21 anos, era solteiro e Bonnie, com 19 anos, era casada com um assassino que se encontrava na prisão.  Logo depois, Clyde também foi preso por um roubo e enviado para a prisão. Ele escapou, usando uma pistola que Bonnie tinha contrabandeado para ele, mas foi recapturado e enviado de volta para a prisão. Clyde, em liberdade condicional em fevereiro de 1932, voltou a se relacionar com Bonnie e retomou a sua vida de crime.

Além da acusação de roubo de automóvel, Bonnie e Clyde eram suspeitos de outros crimes. No momento em que foram mortos em 1934, acreditava-se que teriam cometido 13 assassinatos, vários assaltos e roubos. Clyde Barrow, por exemplo, era suspeito de ter assassinado dois policiais em Joplin, Missouri e sequestrado um casal na região rural de Louisiana. Mais tarde, o homem e a mulher foram libertados perto de Waldo, Texas. Numerosas testemunhas ligaram Bonnie e Clyde a assaltos a bancos e furtos de automóveis.

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A imagem mais famosa de Bonnie a mostra segurando uma pistola, com o pé em cima do para-choque de um Ford e um charuto preso em sua boca.

Clyde supostamente assassinou um homem em Hillsboro, Texas;  cometeu roubos em Lufkin e Dallas, Texas; assassinou um xerife e feriu outro em Stringtown, Oklahoma; sequestrou um deputado em Carlsbad, Novo México; roubou um automóvel em Victoria, Texas; tentou assassinar um deputado de Wharton, Texas; cometeu um assassinato em Abilene e assalto em Sherman, Texas; cometeu assassinato em Dallas, Texas; sequestrou um xerife e o chefe de polícia em Wellington, Texas; e cometeu um assassinato em Joplin e Columbia, no Missouri.

Carreira Criminosa

Mais tarde, em 1932, Bonnie e Clyde começaram a viajar com Raymond Hamilton, um jovem pistoleiro. Hamilton deixou o casal alguns meses depois e foi substituído por William Daniel Jones, em novembro de 1932. Ivan “Buck” Barrow, irmão de Clyde, foi libertado da prisão no Estado do Texas, em 23 de Março de 1933, ao receber um perdão completo pelo governador. Ele rapidamente se juntou a Clyde, trazendo a sua esposa, Blanche, de modo que o grupo passou a contar com cinco pessoas.

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A jovem Bonnie casada e infeliz, no seus tempos de garçonete, 1930

Esta quadrilha conhecida como Barrow Gang, embarcou em uma série de assaltos ousados que repercutiu em manchetes em todo o país. Eles escaparam da captura em vários encontros com os homens da lei, exigindo a intensificação dos esforços policiais. Durante um tiroteio com a polícia em Iowa em 29 de julho de 1933, Buck Barrow foi ferido mortalmente e Blanche foi capturado. Daniel Jones, que era frequentemente confundido com “Pretty Boy” Floyd, foi capturado em novembro de 1933 em Houston, Texas, pelo xerife local. Bonnie e Clyde continuaram a fuga juntos.

Na noite de 10 de junho de 1933, Clyde, com Bonnie no banco do passageiro, estava em alta velocidade ao longo de uma estrada rural no Norte do Texas. A velocidade era tanta que rapidamente Clyde perdeu o sinal de desvio em uma ponte em construção. O Ford V-8 do casal destruiu uma barricada e flutuou antes de cair em um rio seco. O ácido escaldante derramado da bateria do carro esmagou e queimou gravemente a perna direita de Bonnie, corroendo sua carne e osso em alguns lugares. Como resultado das queimaduras de terceiro grau, Bonnie mancou para o resto de sua vida. Ela tinha tanta dificuldade para caminhar que às vezes pulava ou, quando necessário, era carregada por CLyde.

A ordem de prisão de Bonnie e Clyde

Em 22 de novembro de 1933, uma armadilha foi armada pelo xerife de Dallas, Texas na tentativa de capturá-los perto de Grand Prairie, Texas, mas eles escaparam do cerco policial. Eles interceptaram um advogado na estrada e levaram o seu carro, que abandonaram em Miami, no Oklahoma. Em 21 de dezembro de 1933, Bonnie e Clyde reapareceram e roubaram um cidadão em Shreveport, Louisiana.

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Apelidado de “carro da morte”, em exibição no Whiskey Pete’s Hotel and Casino, um Hotel Cassino em Primm, Nevada

Em 16 de janeiro de 1934, cinco prisioneiros, incluindo Raymond Hamilton (que estava sentenciado a mais de 200 anos), foram libertados da Eastham State Prison Farm em Waldo, Texas, por Clyde Barrow, acompanhado por Bonnie Parker. Dois guardas foram baleados pelos presos em fuga com pistolas automáticas, que tinham sido previamente escondidas em uma vala por Clyde. À medida que os prisioneiros corriam, Barrow fazia a cobertura com rajadas de metralhadora. Entre os fugitivos estava Henry Methvin de Louisiana.

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Fim da Linha

Em 1º de Abril de 1934, Bonnie e Clyde encontraram dois jovens patrulheiros rodoviários perto de Grapevine, Texas.  Os policiais foram baleados antes de reagirem. Em 6 de abril de 1934, um policial de Miami, Oklahoma foi mortalmente ferido por Bonnie e Clyde, que também feriram e raptaram um chefe de polícia.

Embora a participação do agentes do FBI tenha sido vigorosa e incessante, a sua jurisdição era apenas sobre a acusação de transporte interestadual de automóvel roubado. Cada pista foi seguida e avisos de “Procurados” com impressões digitais, fotografia, descrição, registro criminal e outros dados foram distribuídos para todos os oficiais. Os agentes seguiram a trilha deixada pelo casal em muitos estados e em vários redutos da quadrilha, especialmente em Louisiana. A associação com Henry Methvin e a família Methvin de Louisiana foi descoberta por agentes do FBI, quando eles descobriram que Bonnie e Clyde estavam dirigindo um carro roubado em New Orleans.

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Em 13 de abril de 1934, um agente do FBI, através da investigação nas proximidades de Ruston, Louisiana, obteve informações definitiva que colocou Bonnie e Clyde em uma região remota localizada no sudoeste dessa comunidade. A casa dos Methvins não estava longe, como havia descoberto o agente que fez visitas ao local durante a busca por Bonnie e Clyde. Agentes especiais no Texas haviam descoberto, também, que Clyde e Bonnie tinham viajado do Texas a Louisiana acompanhados de Henry Methvin.

O FBI e as autoridades policiais locais na Louisiana e no Texas concentraram-se nas buscas de Bonnie e Clyde naquela área. Soube-se que Bonnie e Clyde, com alguns dos Methvins, tinham participado de uma festa no Black Lake, Louisiana, na noite de 21 de maio de 1934 e que deviam retornar para a mesma área dois dias depois. Antes do amanhecer em 23 de maio de 1934, um pelotão composto por policiais de Louisiana e Texas, incluindo Frank Hamer do Texas Rangers se esconderam em arbustos ao longo da estrada perto de Sailes, Louisiana.

Bonnie e Clyde apareceram em um automóvel, à luz da manhã, e, quando tentaram fugir, os policiais abriram fogo e eles foram mortos instantaneamente. O carro foi atingido por 167 balas de diversos calibres, sendo Bonnie atingida 23 vezes e Clyde 25 vezes. A violência dos disparos foi tanta que a mão direita de Clyde havia sido arrancada pelos tiros e o agente funerário teve dificuldade de embalsamar os corpos, devido a quantidade de buracos de bala.

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Ainda com cheiro de pólvora no ar e com os corpos dos bandidos caídos no banco da frente, alguns do envolvidos tentaram extrair lembranças macabras dos corpos de Bonnie e Clyde. Segundo o livro de Jeff Guinn “Go Down Together“, um homem tentou cortar a orelha de Clyde com uma faca de bolso enquanto outro tentava cortar o dedo do gatilho antes que algum oficial intervisse. Uma pessoa no meio da multidão conseguiu cortar mechas do cabelo e faixas do vestido ensanguentado de Bonnie.

A repercussão da morte de Bonnie e Clyde foi tanta, que uma multidão estimada em 16 mil pessoas, encheu as ruas, tentando ver a dupla caída. No dia seguinte, os familiares levaram os corpos para enterrá-los em Dallas. A história de suas mortes foi estampada nas primeiras páginas em centenas de jornais pelo país. Mortos, Bonnie e Clyde atraíram mais manchetes do que em vida.

De acordo com o historiador John Neal Phillips, e ao contrário da errônea imagem fria de Clyde Barrow passada no clássico filme Bonnie & Clyde: Uma Rajada de Balas de Warren Beatty, o objetivo de vida de Clyde não era ficar famoso e rico assaltando bancos, mas se vingar do sistema carcerário americano pelos abusos que havia sofrido em suas prisões, inclusive sendo sodomizado. Segundo Phillips, ele na verdade se sentia culpado pelas pessoas que assassinava.

Carro da morte

Depois da morte do casal de bandidos, as atenções se voltaram ao carro Ford V8 Modelo 730, sedan de luxo em que Bonnie e Clyde foram mortos,  que foi apelidado de “carro da morte“. Um xerife de Louisiana, membro do grupo que encurralou o casal, reivindicou o Ford V8 do casal, ainda coberto de sangue. Os verdadeiros donos do automóvel, Ruth & Jesse Warren, de Topeka, Kansas, tiveram que entrar na justiça para reaver o carro que estava de posse do xerife, mas que o pegou de volta por mais duas vezes, em questão de poucos anos, e os donos tiveram que ir a justiça três vezes para reaver o carro.

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Após terem definidamente o carro de volta, eles o venderam por 3.000 dólares sem consertá-lo, para Charles Stanley. O carro foi exibido em muitas feiras, shows e até carnavais, por quase 30 anos. Em muitos desses lugares, cobravam um dólar para a pessoa poder entrar em seu interior. Depois foi comprado por 250.000 dólares pelo Whiskey Pete’s Hotel and Casino, um Hotel Cassino em Primm, Nevada, uma pequena cidade turística na fronteira da Califórnia, muito próxima do sul de Las Vegas, onde esta até hoje em exibição pública, protegido por vidros de plexiglass. Com a fama do carro da morte, muitos outros carros falsificados apareceram sendo exibidos em circos itinerante pelo país, inclusive há ainda alguns sendo exibidos até hoje e dizendo ser o verdadeiro.

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Carta que Clyde Champion Barrow escreveu a Henry Ford elogiando os carros por ele fabricado

Clyde roubou muitos carros Ford V8, os quais considerava imbatíveis durante suas fugas da polícia. Em 10 de Abril de 1934, dias antes de morrer,  chegou a escrever uma carta a Henry Ford , parabenizando-o pela eficiência do Ford V8. a carta dizia:

Tulsa – Oklahoma / 10 de abril

Sr. Henry Ford / Detroit Michigan

Enquanto ainda tenho ar em meus pulmões, quero lhe dizer que carro excepcional o senhor fabrica. Tenho dirigido exclusivamente Fords, quando consigo roubar um. Dirigi Fords exclusivamente quando era para fugir com eles. Em termos de manter velocidades elevadas e ausência de problemas, o Ford acaba com os outros carros, e mesmo que minha atividade não venha sendo estritamente legal, não é ofensa eu lhe dizer que veículo magnífico o senhor tem no seu V8.

Sinceramente / Clyde Champion Barrow

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O carro da morte sendo exibido em feiras nos Estados Unidos

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Foto colorida digitalmente de Clyde

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Cartaz do filme Bonnie & Clyde, uma rajada de Balas, foi produzido pela Warner Brothers Entertainment em 1967

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Lápide de Clyde e seu irmão Marvin “Buck” Barrow

Mesmo que o desejo da dupla tenha sido claro, eles não foram enterrados juntos. A mãe de Bonnie, que desaprovava o seu relacionamento com Clyde, enterrou a filha em um cemitério em Dallas. Clyde foi enterrado ao lado de seu irmão, Marvin, debaixo de uma lápide escrita: “Gone but not forgotten.”

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Fontes: 1 2 3 4

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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