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Burning Man, onde tudo acontece

Burning Man, onde tudo acontece
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Ingresso de 2005

Durante uma semana, sempre começando na última segunda-feira de agosto e terminando na primeira segunda-feira de setembro, coincidindo com o feriado do dia do trabalho americano, qualquer pessoa pode fazer praticamente tudo o que quiser em uma praia num pedaço de deserto no meio do nada, onde por 358 dias do ano, não existe nenhuma forma de vida naquele lugar. Não é uma praia de verdade, mas sim: Black Rock Desert, onde acontece o festival Burning Man (homem em chamas), e o lugar é carinhosamente chamado de a “playa” pelos participantes. Neste festival é erguido uma estrutura de uma verdadeira cidade, sendo a quinta maior população do estado de Nevada, nos Estados Unidos durante os 7 dias de duração do evento, que é um gigantesco acampamento em forma de lua crescente, com ruas com denominação, praças, e uma imensa estátua de madeira e neon do “homem” ocupando o espaço central, que é queimada no dia anterior ao feriado.

A cidade mais próxima de Black Rock Desert é Reno, que fica aproximadamente há 200 quilômetros de distância, mas isso não impede de 68 mil pessoas irem ao evento todos os anos. Burning Man está longe de ser uma colônia de férias, tanto é que o ingresso é um termo de responsabilidade, onde as pessoas assumem os riscos de eventual ferimento ou morte ao participarem do evento. Só para terem uma ideia do que os participantes enfrentam, o calor no deserto durante o dia é de rachar e a noite, o frio é muito intenso e se não bastasse isso, as tempestades de areia são constantes.estrutura-burning-man_026

Por lá, você vai encontrar pessoas nuas com os copos pintados, danças, drogas de todos os tipos, carros steampunk complexos, barracas enfeitadas e instalações gigantescas. Também vai encontrar as coisas mais exóticas e diferentes por centímetro quadrado do que um cérebro humano pode absorver. A proposta de tudo isso, é ser um evento onde todos são encorajados a se expressarem, mas é praticamente impossível encontrar uma definição para o festival. Algumas pessoas dizem que é um festival pagão, outros que é uma reedição de Woodstock dos anos 90 ou um festival hippie onde tudo é permitido e há jornais que escreveram dizendo, “que é um campo de nudismo misturado com um circo de aberrações povoado por malucos“. Mas a verdadeira intenção do evento é ser um fenômeno populista propagado pela Internet, considerado por muitos como um experimento social. Burning Man quer ser uma alternativa para a cultura de massas e a sociedade consumista. Drogas são chamadas de “candy” (doce) e por isso é comum ouvir a frase “nunca aceitar doces de estranhos”.

O resultado é uma overdose dos sentidos, agravada pelas poucas horas de sono que fatalmente se seguem. Como dormir com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo? Cada um dos milhares de acampamentos temáticos merece uma visita de pelo menos um dia. Em um lugar você pode escrever seu pedido ao deus do fogo, em outro fotografar seus genitais para a posteridade, ou controlar luzes piscantes em um arco na areia, passear de camelo, dormir numa cama enquanto se está sendo puxado voluntariamente por uma mulher pelada que lá é chamado de “táxi”, mandar mensagens para o espaço, dançar até amanhecer, andar de avião pelado, entrar em um concurso de fantasias, dar e/ou receber massagens, levar choques elétricos, participar das mais variadas seitas, práticas alternativas, aulas, rituais e festas. Tudo isso sem nenhum tipo de transação monetária. A doação e a troca imperam na playa, um oásis no meio do país mais consumista do planeta. A quantidade de coisas paralelas acontecendo é incontável.

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Outra atividade muito popular no Burning Man é o banho nas piscinas naturais de águas quentes, as chamadas Hot Springs, sendo um dos poucos tipos de banhos que se pode tomar no deserto. O fato de não se poder vender ou comprar nada é o que leva o sueco Stefan Gustafsson a ir todo ano para o Burning Man. Ele acrescenta dizendo que “o festival é extravagante mas muito respeitoso. Não há nenhuma forma de violência e brigas.” ou o que diz Steven, um californiano de São Francisco, que acha que, andar de bicicleta pelado pelo acampamento é uma das coisas mais interessantes do evento. “é uma sensação de liberdade que só existe lá“, diz ele.

Outra atração de destaque é o “Templo“, uma homenagem aos mortos, um lugar sem religião. Nele são depositados pertences, fotos, textos e memórias de pessoas queridas falecidas e animais de estimação. Há também “Bianca’s Smut Shack“. uma grande tenda coberta por lençóis coloridos, com dezenas de sofás macios e almofadas, uma pista de dança com DJs se revezando durante as 24 horas do dia e garçons voluntários oferecendo sanduíches de queijo grelhado recém-feitos acompanhados da frase “Bianca te ama”.

Embora a primeira vista tudo pareça uma grande anarquia, o evento é bem organizado, com áreas separadas para os acampamentos e para as atividades, performances e workshops que rolam durante o festival. Até mesmo um aeroporto é montado na planície deserta com controle de tráfego aéreo e tudo mais. Dentro do evento é proibido a circulação de carros e todo mundo anda a pé ou de bicicleta. Os ingressos não são baratos e os preços variam, sendo mais em conta se comprados antecipados e podem chegar a mil dólares. Seus organizadores, que se autointitulam de “trolls”, levantam fundos o ano inteiro para poder doar comida, bebida, divertimento e abrigo aos participantes do Burning Man e justificam o preço alto dos ingressos para compensar a entrada de pessoas de baixa renda.

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A grande maioria dos trabalhos que essa cidade temporária exige é feito pelos frequentadores sendo voluntários na preservação da limpeza do deserto, prestando serviços médicos ou ajuda aos perdidos, transmitindo uma rádio própria ou escrevendo para um dos diversos jornais locais, fazendo alguma acrobacia mirabolante de circo ou fazendo uma performance musical para uma plateia minúscula, distribuindo bebida, comida ou quitutes, arrumando bicicletas, etc…

Hoje, o Burning Man é organizada pela Burning Man Project, uma organização sem fins lucrativos que, em 2014, conseguiu virar uma empresa (Black Rock City, LLC), que foi formada em 1997 para representar a organização do evento. O evento cresceu tanto que gerou eventos filhotes, inspirados nos conceitos básicos do Burning Man.

Como tudo começou

O primeiro Burning Man aconteceu em Baker’s Beach, em 1986, na cidade de San Francisco. Larry Harvey e seu amigo Jerry James construíram um homem de madeira para queimá-lo. Na época o evento teve mais ou menos 20 pessoas assistindo. Apesar de um início tão modesto, o Burning Man foi repetido todo o ano e cada vez mais com um número maior de participantes. Até que em 1990 a polícia do parque impediu a queima da estátua. Tiveram, então que procurar um novo local, e em 1991 resolveram queimar o homem no deserto (Black Rock Desert). Foi um sucesso, os 250 participantes assistiram a queima do boneco com 13 metros altura. O sucesso do lugar foi se firmando como parte do evento. Distante da cidade, livre para se desenvolver com suas características sem incomodar a sociedade tradicional.

Algumas fotos deste ano, que tem o tema “Carnival of Mirrors (crédito: dailymail.co.uk)

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Alguns veículos bizarros

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Vídeo edição 2014

Site oficial: www.burningman.com

Texto redigido e adaptado das seguintes fontes: 1 2 3

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Me chamo Júlio César e moro em Porto Belo, Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, uma revista digital feita para pessoas que gostam de ler e saber mais profundamente sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos pelo mundo afora, bem como lendas, eventos e outros assuntos inusitados.

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