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Campo de Dalías, as estufas de Almeria

Campo de Dalías, as estufas de Almeria

Na planície costeira a cerca de 30 quilômetros a sudoeste da cidade de Almeira na Espanha, desde 1980 a área conhecida como Campo de Dalías, que inclui os municípios de Dalías, Berja, El Ejido e outros é considerado a maior concentração de estufas do mundo, cobrindo uma área de 50.000 hectares. Uma estufa é um ambiente protegido que acumula o calor proveniente do sol, gerando assim, um microclima adequado ao desenvolvimento da vegetação. São cultivados nessas estufas de plástico, 1,5 milhões de toneladas anuais de vegetais e frutas, tais como: alfaces, tomates, pimentões, pepinos, abobrinhas e outras. Toda a economia da cidade gira em torno da agricultura, e mais da metade do consumo da Europa de frutas e hortaliças são cultivados nesta região, trazendo para a província de Almeria, 1,5 bilhões de dólares em receita anual.

Campo de Dalías, as estufas de Almeria

Crédito da foto: Edward Burtynsky

Há 35 anos atrás, está região do sudeste da Espanha era pobre e desértica, sendo a terra seca e árida, recebendo uma média de 200 mm de chuva por ano. Muitos filmes de faroeste espaguete como ficaram conhecidos, entre 1960 e 1970 usaram a região como cenário, por a terra ser assim, seca e estéril, sendo um ambiente semelhante aos desertos do oeste americano. Mas ao longo dos anos, com a compra de terra importada de outras cidades, a implantação do cultivo hidropônica, e a utilização de fertilizantes químicos na base do gotejamento controlado por computadores, a área tem sido desde então, utilizada intensamente para a agricultura, transformado a região numa das mais ricas da Espanha.

Milhares de pequenos agricultores e grandes empresas produzem suas colheitas dentro de estufas plásticas. A temperatura pode chegar a mais de 45º Celsius no interior dessas estufas. Muitos trabalhadores espanhóis reclamam do ambiente demasiado quente e das condições de trabalho insalubres das estufas, mas a mão de obra empregada é na grande maioria de imigrantes legais e ilegais da África e da Europa Oriental. Acreditasse que há 100 mil imigrantes trabalhando, sem os devidos direitos trabalhistas ajudando as empresas a ser tornarem rentáveis. Muitas fazendas não têm banheiro e as mulheres são frequentemente forçadas à prostituição. Alguns trabalhadores também são vendidos como contratos de trabalho, que tem que ser reembolsados aos seus chefes. A Rede para a Promoção do Consumo Sustentável em Regiões da Europa, estimam que os trabalhadores são pagos entre 33 e 36 euros por dia.

Campo de Dalías, as estufas de Almeria

Crédito da foto: Bing Maps

O mar de estufa com telhado branco de Almeria é tão grande que os pesquisadores da Universidade de Almeria descobriram que ao refletir a luz solar de volta para a atmosfera, as estufas conseguem o arrefecimento da província. Enquanto as temperaturas no resto da Espanha subiram a taxas superiores à média mundial, a temperatura local caiu uma média de 0,3 graus Celsius a cada 10 anos desde 1983.

O cultivo em estufas foi tão bem sucedido, que inundaram de telhados brancos a planície de Dalías, subindo também os vales das montanhas Alpujarra nas proximidades, uma das áreas mais agradáveis e intocadas da Espanha.Algumas pequenas cidades da região foram completamente tomadas pelas fazendas brancas de plástico. Fabricantes de plásticos e empresas de reciclagem também se criaram na região, onde o descarte folhas de plástico e lixo é soprado pelo vento, indo parar nos rios.

Campo de Dalías, as estufas de Almeria

Crédito da foto: Bing Maps

Fontes: 1 2 3

“Tudo o que o homem não conhece não existe para ele. Por isso, o mundo tem para cada um o tamanho que abrange o seu conhecimento”. – Carlos Bernardo González Pecotche

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1 Comentário

  1. Rosana M Leao

    31 de maio de 2018 às 17:34

    Viajando pelo litoral da Espanha de Almeria a Málaga vimos as estufas e não sabia o que plantam ali. Obrigada pelo teu artigo.

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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