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Castelo Houska, o portão do inferno

Castelo Houska, o portão do inferno

O Castelo Houska, também conhecido por “The Gate to Hell” (portão do inferno), se localiza em Blatce, a 47 quilômetros ao norte de Praga, capital da República Checa. Construído em estilo gótico renascentista no século 13, tem características arquitetônicas inusitadas e conhecido pelas suas lendas sobrenaturais. É um dos castelos mais antigo do país e também um dos mais conservados, considerado um monumento cultural. Atualmente, também é considerado um dos mais assombrados do mundo.

Castelo Houska, o portão do inferno

Castelo construído como uma fortaleza onde suas defesas estão voltadas para dentro | Crédito da foto

Mais de 1.000 anos atrás, grande parte da região do castelo era coberto por florestas densas, úmidas, sombrias e sinistras, já que a área era famosa por suas formações de arenito conhecido como ‘skály‘, imensos blocos de arenito corroídos pelo tempo, que se elevam acima da floresta, criando essa paisagem sinistra.

Milênios atrás, essas paisagens teria sido como um mundo alienígena para a população esparsa em que a imaginação poderia gerar todo tipo de misticismo. Havia poucos assentamentos e menos ainda de pessoas que não se apegassem as muitas crenças pagãs sobre espíritos da floresta, demônios e fantasmas. Não surpreendentemente, a área desenvolveu uma má reputação. Dizia-se que demônios e monstros meio humanos, meio animais percorriam os vales cobertos de árvores, procurando sangue quente, de vítimas humanas e animais.

A descoberta de uma rachadura profunda ou fissura num arenito, certamente não teria ajudado muito em termos de amenizar a reputação de terror que existia na área. Esforços de preencher a fissura com terra, pedras e pedregulhos falharam. Na verdade, não tiveram efeito nenhum. A fissura parecia interminável: uma rachadura de desgraça na superfície da Terra, da qual se sabia na época, que monstros, demônios e espíritos emergiam.

Rumores sugeriam que essa fissura sem fim era uma porta de entrada para o inferno e que demônios e espíritos a usavam como uma rota para o ardente reino de Satanás, bem como, por almas humanas perversas e vítimas inocentes da atividade demoníaca na área. As fazendas um pouco mais distantes, perdiam constantemente animais e pessoas, supostamente para essas tais criaturas. A população evitava sair de suas casas após o sol se por e os transeuntes que se aventuravam a andar após a escuridão, certamente estavam buscando uma passagem rápida para o além.

Algo tinha que ser feito e, em algum momento da década de 900, uma capela foi construída sobre a fenda que tanto trazia desgosto a população, e assim bloqueando todas aquelas supostas criaturas infernais. Na verdade, ninguém tem a certeza de quando a estrutura do castelo foi realmente construída, já que, misteriosamente, os registros desapareceram.

Este dado é ainda mais relevante, devido a República Checa estar repleta de castelos semelhantes a contos de fadas, cada um com uma história totalmente documentada. A primeira estrutura que se tem noticia no lugar, através de manuscritos é de uma pequena fortificação de madeira, construída no século 9, pelo príncipe Slavibor para seu filho Housek, e daí vem o nome do atual castelo. Housek era irmão de Ludmila, que depois foi transformada em santa pela igreja ortodoxa.

Castelo Houska, o portão do inferno

Acesso a cozinha | Crédito da foto

A história do castelo se torna ainda mais estranha, pois enquanto a estrutura estava sendo construída, um duque da região, ansioso para acabar com os rumores sobrenaturais do lugar, ofereceu perdão total a um prisioneiro condenado à morte, se ele descesse pelo buraco por uma corda e relatasse tudo que visse. O homem aceitou e desceu vários metros, e minutos depois, começou a gritar incontrolavelmente para que o puxassem de volta. Quando voltou a superfície, parecia ter envelhecido trinta anos, com rugas no rosto e cabelos brancos, e o terror estampado em seus olhos. Nunca mais se recuperou da curta viagem e veio a falecer dias depois, sem divulgar os horrores que havia visto no fosso.

Castelo Houska, o portão do inferno

Pintura na capela de São Miguel matando um dragão | Crédito da foto: Luke Gracias – The Devil’s Prayer

O castelo ou estrutura que foi construída em torno da capela também era muito estranha. Acreditasse que não foi construído como uma muralha para impedir ataques externos, e considerando que as torres do castelo são viradas para o interior, há uma tendência em acreditar que era para não deixar sair o que estivesse dentro dele. Outros indícios que apontam para isso, era que apesar de ser construído com diversos andares, não havia como chegar ao primeiro térreo pelo lado interno, pois não havia escadas que levava a esse andar e muitas janelas que dão para o exterior são falsas, sem aberturas para o interior.

Sua localização, segundo os pesquisadores, era longe de tudo e de todos, sem fontes de água, rotas comerciais ou povoados adjacentes, como era o costume naquele tempo, onde os aldeões corriam para dentro do castelo em caso de ataque. Nesse caso, falando militarmente, a construção do castelo nesta região não fazia sentido, uma vez que ficava distante de qualquer fronteira. Enfim, o castelo foi construído num lugar onde normalmente nenhum castelo seria ali levantado.

A fissura ou buraco sem fim aparentemente está agora sob o chão da pequena capela. Nas paredes da capela estão alguns dos desenhos mais antigos da Europa, datados de 1400 e considerados misteriosos, que incluem o único exemplo conhecido de centauro feminino canhoto, vergando um arco e ameaçando atirar uma flecha em um homem. Algo incomum para a época, porque centauros eram criaturas pagãs, e de acordo com a cultura medieval, era um sinal de um ser aliado do diabo.

Em outra parede, a imagem de São Miguel mergulhando sua lança na boca de um dragão. Outras imagens incluem São Cristovão, um anjo que pesa as almas humanas e Jesus Cristo. Ser canhoto nos tempos medievais era considerado um sinal do mal (o caminho da esquerda) e São Miguel era o arcanjo encarregado de lutar contra os demônios do inferno, líder do exército de Deus contra as forças do mal.

Outra teoria diz que o Castelo Houska, foi construído na primeira metade do século 13, no lugar onde outrora havia um fortificação de madeira, por ordem de Premysl Ottokar II, Rei de Boêmia (pertencente à dinastia Hohenstaufen e fundador de várias cidades da Boêmia, Morávia e Silésia, e também na Áustria), durante o seu reinado (1253 a 1275). A principio com o intuito de servir como um centro administrativo, onde grandes propriedades do reino pudessem ser geridas. Pois a propriedade não foi projetada para ser habitada por seres humanos. Na verdade, diz se que o rei Ottokar II, mandou construir o castelo como um lacre, quando soube das conexões sobrenaturais do lugar com o reino das trevas.

Ao longo do tempo, vários nobres possuíram o castelo e sua estrutura foi alterada dezenas de vezes para o que é hoje. Mas a reputação sombria do castelo seguiu-o através dos tempos. Durante o século 17, no meio da rivalidade entre católicos e protestantes, conhecido como a Guerra dos 30 Anos, o castelo foi ocupado por Oronto, um comandante sueco renegado e sua força de bandidos tomaram o castelo como quartel general.

Castelo Houska, o portão do inferno

Janelas originais, sem aberturas para o exterior | Crédito da foto: Luke Gracias – The Devil’s Prayer

Oronto era tido como um feiticeiro e alquimista pelos moradores locais e usou as dependências do castelo para os mais variados experimentos ocultos. Após o fechamento do portão do inferno, a região experimentou uma aparente tranquilidade, sendo quebrada agora por esse feiticeiro e seus seguidores, e colocando as vilas vizinhas em perigo novamente. A população local reuniu coragem e dois caçadores deram fim ao praticante das trevas, atirando nele pela janela, quando este trabalhava em seu laboratório. O Imperador Ferdinando III teria dito, “que castelo amaldiçoado é esse!“, e ele estava certo!

No ano de 1836, o poeta checo Karel Hynek Mácha passou uma noite no castelo e, em seguida, escreveu uma carta ao seu amigo Edward Hindle em que relatou estranhas visões que teve em seus sonhos, onde dizia ter sido transportando para Praga do século 19 e uma garota mostrou fotos em movimento em uma pequena caixa mágica e iluminada (ipad) e que depois flutuou por enormes penhascos de arenito com buracos quadrados que emitiam luz amarela (muito como a descrição de blocos de apartamentos modernos que atualmente existem em Praga).

Mais tarde, SS nazistas tomaram o castelo durante a Segunda Guerra Mundial. Não se sabe o que fizeram por lá, pois destruíram todas as evidências ao saírem da Boêmia, mas o local não era de importância estratégica militarmente. Alguns dizem que a permanência dos nazistas no local estava relacionada às suas práticas baseadas no ocultismo, um assunto muito apreciado por Hitler.

Outros acreditam que a SS estava realizando algum tipo de experimento na criação da raça principal – um lugar onde as tropas alemãs semeariam mulheres arianas de cabelos loiros na esperança de criar uma raça superior de humanos. Em várias renovações no castelo, encontraram-se esqueletos de oficiais da SS executados. Após a guerra, uma limpeza completa do castelo teve que ser feita, mas os donos atuais proibiram qualquer escavação com medo de encontrar explosivos dos nazistas.

Houska permanece um mistério para aqueles que o visitam. Avistamentos de demônios, espectros e outras aparições são reportados a cada ano. Alguns dizem que viram um cavalo sem cabeça, outros uma mulher com um vestido velho que olhava pela janela. No porão acredita-se que há restos de feras enterrados que emergiram do buraco. Dizem que o terceiro andar, é comum visualizar o fantasma de uma bela jovem. No passado, atividades paranormais se manifestaram naquele andar para um grupo de pessoas, quando um copo levitou na frente de todos.

Outro visitante do castelo viu duas figuras escuras que estavam murmurando algo sobre matar algumas meninas. Verdade ou não, o castelo agora hospeda conferências e reuniões sobre uma variedade de tópicos sobrenaturais e é considerado por alguns especialistas como um portal de energia que foi reconhecido pela SS nazista, Oronto e outros ao longo da história.

Muitos “investigadores” do paranormal, extraterrestre e do oculto visitaram o castelo para provar a veracidade de “The Door to Hell“. Alguns sugerem que o Castelo Houska foi construído de acordo com os princípios da Geometria Sagrada, de modo que o local pode ser uma porta de teleporte ou de viagens no tempo. Quer se tratar de demônios ou histórias medievais, a localização e a história por trás do Castelo Houska torna um dos lugares mais misteriosos do mundo, sem contar as inúmeras aves mortas que são encontradas todos os dias no pátio do castelo.

Castelo Houska, o portão do inferno

Vista circundante a partir do castelo | Crédito da foto: Luke Gracias – The Devil’s Prayer

Castelo Houska, o portão do inferno

Atualmente o castelo está aberto a visitação pública | Crédito da foto

Castelo Houska, o portão do inferno

No passado, serviu a vários proprietários diferentes | Crédito da foto

Castelo Houska, o portão do inferno

Centauro em forma feminina, considera pagã | Crédito da foto

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3 Comentários

  1. Pingback: Castelo Houska, o portão do inferno – Digitado

  2. Luke Gracias

    28 de abril de 2018 às 09:32

    Thanks for a superb article and it would be good if you could credit my photos to Luke Gracias in The Devil’s Prayer.

    Best

    Luke Gracias

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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