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Caverna do Massacre, a gruta do massacre do povo de Eigg

Caverna do Massacre, a gruta do massacre do povo de Eigg

A abertura apertada do que hoje é conhecido como Caverna do Massacre é um pouco difícil de encontrar, o que tornou o esconderijo perfeito para a população local durante os tempos sangrentos entre clãs escoceses, mas foi essa mesma abertura da caverna que impediu que alguém escapasse, quando o clã rival decidiu eliminá-los.

Ao longo da Idade Média, guerras civis prevaleceram na Escócia: o país inteiro era governado por clãs rivais que lutavam constantemente. Originalmente, os clãs foram formados para trabalhar juntos pela independência da Escócia, de qualquer ameaça estrangeira. Assim que o inimigo exterior foi derrotado em 1314, os clãs começaram a lutar entre si, que durou séculos. Uma das grandes guerras foi travada entre os MacLeods e os MacDonalds que durou de 1375 a 1602. Antecedentes das guerras tribais foram os proprietários de terras e reivindicaram poder no oeste da Escócia. Em 1375, os MacDonalds ocuparam grandes partes das Ilhas de Skye – tradicionalmente área tribal dos MacLeods, lançando as bases para a rivalidade entre eles.

Caverna do Massacre, a gruta do massacre do povo de Eigg

Vista da entrada da caverna, atualmente limpa da vegetação que a encobria na Idade Média | Crédito da foto

No século 16, a ilha de Eigg, nas Hébridas Internas da Escócia era o lar de uma grande população do clã MacDonald de Clanranald, um clã que compartilhava um relacionamento tolerante com o clã MacLeod de Dunvegan. Conta a história que no inverno de 1577, alguns homens de MacLeods desembarcaram na ilhota chamada Castle Island, ilhota essa separada por um pequeno estreito da ilha de Eigg, e usada pelos MacDonalds como pastagens para suas ovelhas e vacas.

Na ilhota, algumas jovens estavam cuidando do rebanho, quando foram emboscadas pelos homens e molestadas sexualmente. Ao fugirem foram pegos pelos MacDonalds que os açoitaram e os castraram.  Depois foram amarrados nos pés e nas mãos e colocados num barco e deixados para morrerem a deriva no estreito de Minch (estreito entre o continente escocês e as Hébridas). Por sorte, eles foram resgatados algum tempo depois, por pescadores do seu próprio clã.

Os MacLeods ficaram furiosos com o que havia sido feito a seus homens e o líder do clã, Alastair Crottach jurou vingança ao seu povo. Dias depois, partiram em vários barcos para se vingarem. Os ilhéus tomando conhecimento do eminente ataque, evacuaram toda a aldeia e a população se escondeu na caverna outrora secreta e que naquele tempo era chamada de St. Francis, localizada na costa sul, com sua entrada escondida por vegetação e uma pequena cachoeira.

A entrada da caverna é apertada, passando uma pessoa de cada vez, e depois tem que rastejar por sete metros, pelo buraco com uma altura de 60 centímetros, para então a gruta se expandir em um espaço maior, tem seis metros de altura, oito metros de largura e 78 metros de comprimento. E ali se refugiou as 395 pessoas da ilha, menos uma idosa que não conseguiu vencer a descida até a caverna e se escondeu.

Os MacLeods conduziram uma busca minuciosa pela aldeia e cercanias que durou três dias, sem encontrar ninguém e decidiram ir embora na manhã do quarto dia. Já dentro dos barcos, avistaram que estavam sendo observados por um ilhéu descuidado que havia subido num promontório para assistir a partida do clã rival. Os MacLeods retornaram e conseguiram seguir as pegadas na neve deixadas pela pessoa até a caverna.

Os MacLeods exigiram que os homens que surraram, castraram e amarraram seu pessoal saíssem e como eles não obedeceram, redirecionaram a água da pequena cachoeira e empilharam palha molhada na entrada da caverna e atearam fogo, encobrindo a entrada, fazendo a fumaça ir para o interior. A Gruta St. Francis rapidamente se encheu de fumaça espessa e acre, matando todas as pessoas que estavam lá dentro por inalação de fumaça, calor ou falta de oxigênio. Daquele dia em diante, o local ficou conhecido como a Caverna do Massacre.

Caverna do Massacre, a gruta do massacre do povo de Eigg

Devido ao seu passado mórbido, a caverna é muito visitada, precisando de placa para indicar sua entrada | Crédito da foto

Restos humanos foram encontrados no local por vários anos após o massacre, e hoje a caverna ainda pode ser visitada. A lembrança das centenas de mortes trágicas cria uma atmosfera misteriosa que é reforçada por velas colocadas ao redor da entrada da gruta. Em 1854, todos os ossos foram removidos do interior e enterrados em outros lugares.

Conta a história que tempos depois, um grupo do clã MacDonalds visitou a vila do clã rival em Waternish, em num domingo, quando sabiam que a maioria das pessoas estavam na igreja e trancaram a porta e atearam fogo na igreja e quem desesperado que tentasse sair pela janela era abatido. Vendo a fumaça do incêndio, o clã MacLeods reuniu um grande grupo e interceptou os MacDonalds, quando estes estavam empurrando seus barcos para irem embora e mataram todos.

Os cadáveres dos MacDonalds foram colocados lado a lado num dique e cobertos com turfa, até se tornarem parte do dique. Tal combate ficou conhecido por “Biar Milleadh Garaidh“. Em 1601, os MacLeods e MacDonalds guerrearam um contra o outro pela última vez. A Batalha de Coire Na Creiche, terminou numa amarga derrota dos McLeods.

Caverna do Massacre, a gruta do massacre do povo de Eigg

Vista aérea da ilha de Eigg | Crédito da foto

Fontes: 1 2 3

“Onde meus talentos e minhas paixões encontram as necessidades do mundo, lá está o meu caminho, o meu lugar”. – Aristóteles

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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