El Alto é a quarta maior cidade da Bolívia, pertencente ao Departamento Autônomo de La Paz, no oeste de país a uma altitude de 4.000 metros no planalto e na Região Metropolitana de La Paz, com a qual forma o maior aglomerado urbano do país, com uma população de 1.184.942 habitantes (censo 2010).

A arquitetura na cidade é predominantemente de casas térreas de tijolos, com fachadas inacabadas e não pintadas, na tonalidade ocre-vermelho (tijolos aparentes), e alinhadas em ruas empoeiradas e não pavimentadas. O visual da cidade é tão deprimente que os moradores por si só, começaram a mudar esse cenário, adicionando cores berrantes onde podiam e também começaram a construir suas casas, de forma um tanto bizarras.

Quem está a frente desta revolucionária arquitetura é o arquiteto Freddy Mamani Silvestre, que trabalha na construção civil desde os 14 anos. Seu pai era pedreiro e ensinou-o a trabalhar com alvenaria e depois foi para a escola de engenharia e começou a esboçar seus desenhos à mão. Ele ainda trabalha dessa maneira – sem computador, sem escritório. Seus projetos de mansões e edifícios extravagantes em cores chamativas começam a aparecer por toda a cidade. Esses edifícios são conhecidos por “cholets“, e seus proprietários são os “novos ricos” do país, pessoas da tribo indígena Aymara, que representa 25% da população boliviana.

Cholets, a arquitetura colorida e inusitada de El Alto

Freddy Mamani Silvestre | Crédito da foto

Cholets é uma mistura das palavras chola, um termo pejorativo para o povo Aymara, com a palavra chalé. Esses edifícios chamativos são a última moda para quem pode construir um em El Alto e quer mostrar que tem poder aquisitivo. A maioria dos edifícios construídos por Mamani tem cinco ou seis andares, com fachadas exuberantes, com símbolos andinos, vidros coloridos e padrões geométricos em relevo. Tais prédios são geralmente projetados pelo arquiteto, para terem lojas comerciais no piso térreo, salões de festas no segundo e terceiro andar, apartamentos no quarto e quinto, e a residência dos proprietários na cobertura. A construtora do arquiteto tem cerca de duzentos funcionários em dois grupos, um para a construção básica e outro para os trabalhos de acabamento e detalhes. Seus interiores são quase inteiramente feitos com gesso e tintas à base de óleo.

Fundada há pouco mais de um século, El Alto era originariamente uma favela e um subúrbio localizado nos arredores de La Paz, a capital administrativa do país. Nos últimos anos, a região cresceu tanto que tornou La Paz a segunda cidade mais populosa da Bolívia, atrás de Santa Cruz. Também é uma das metrópoles mais altas do mundo e uma com o crescimento mais rápido da América do Sul. A maioria de seus moradores são pessoas que moravam no interior do país ou próximos ao Lago Titicaca e se mudaram para perto de La paz em busca de melhores oportunidades.

Cholets, a arquitetura colorida e inusitada de El Alto

O crescimento da região começou a partir de 2005, depois que o atual presidente da Bolívia, Evo Morales foi eleito. Ele próprio sendo um indígena Aymara, deu a seu povo, que há muito tempo foram marginalizados na sociedade boliviana, uma nova autoconfiança. Seu governo deu aos grupos indígenas, maior autonomia política e os encorajou a investir em empreendimentos comerciais. Sob o comando de Evo Morales, nos últimos dez anos, a pobreza no país foi reduzida a mais de um terço. Em 2012, cerca de 1,2 milhões de bolivianos se tornaram classe média. A arquitetura inusitada projetada por Mamani é um símbolo desta nova confiança e florescimento econômico. “Sempre houve Aymaras ricos, mas antes de Morales, eles eram tímidos e não queriam chamar a atenção para si mesmos“, comentou Mamani.

Alguns Aymarans se tornaram tão ricos, que agora podem se dar ao luxo de construir seu próprio chalé extravagante. Os prédios projetados por Mamani custam entre 300 a 600 mil dólares e dependendo do tamanho, podem custar bem mais que isso. Para os comerciantes Aymara, as obras do arquiteto são um símbolo de status. Até agora, Mamani projetou cerca de sessenta ou setenta prédios em El Alto, com dezenas de outros em construção, nos últimos oito anos. Os planos de Mamani são se restringe somente a prédios, ele quer projetar praças, terminais de ônibus e bulevares em El Alto. O próprio Mamani transborda de confiança. “Em 20 anos, a metade das casas aqui será construída em meu estilo“, diz ele.

Embora alguns criticam às cores ousadas e o design extravagante, e descartam como sendo arte kitsch, outros o comparam a Hundertwasser. Alguns acreditam que Mamani pode fazer em El Alto, o que Antoni Gaudí fez em Barcelona e Oscar Niemeyer fez em Brasília – transformar inteiramente a forma e a estética da cidade.

Cholets, a arquitetura colorida e inusitada de El Alto

Cholets, a arquitetura colorida e inusitada de El Alto

Vista panorâmica de El Alto

Fontes: 1 2 3 4

“Tudo o que o homem não conhece não existe para ele. Por isso, o mundo tem para cada um o tamanho que abrange o seu conhecimento”. – Carlos Bernardo González Pecotche

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