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Corippo, a aldeia que se transformará em hotel

Corippo, a aldeia que se transformará em hotel

Corippo é uma comuna no Cantão Ticino que existe há mais de 600 anos, porém tem apenas 12 habitantes, sendo o menor município da Suíça. Estende-se por uma área de 7,7 quilômetros quadrados, com uma densidade populacional de dois habitantes por quilômetros quadrados, sendo o italiano a língua oficial. A aldeia tem seu próprio brasão e um prefeito que lidera o conselho da cidade composto por apenas três cidadãos locais. A comuna tem mantido o seu status como uma entidade independente desde a sua constituição em 1822, quando se separou da comuna de Vogorno. Na época a aldeia tinha mais de 300 habitantes.

Corippo está localizada na encosta de uma montanha no vale Verzasca, a cerca de doze quilômetros de Locarno, no extremo norte do lago artificial Vogorno e a vinte quilômetros da fronteira com a Itália. A região é conhecida como “Riviera Suíça“, e atualmente um destino turístico muito popular, ao contrário do passado, que a região era evitada por causa do alto risco de contrair malária.

As casas são construídas a partir do granito local Ticino com telhados de ardósia e pisos de madeira de castanheiro, e mudaram pouco durante os séculos. O escritor italiano Piero Bianconi descreveu a aldeia como “a mais gentil de Verzasca“. A única igreja da aldeia foi fundada no início do século 17 com o nome Santíssima Virgem Anunciata e mais tarde mudado para Virgem Maria Carmine. Em 1975, o Congresso do Patrimônio Arquitetônico Europeu nomeou a vila como um “modelo exemplar” de preservação histórica.

Corippo, a aldeia que se transformará em hotel

Crédito da foto: Maxime Fossat para The New York Times

O despovoamento tem sido um problema de longa data na aldeia, já que a escassez de recursos agrícolas levou os habitantes, historicamente agricultores e pastores a se mudarem para áreas mais povoadas, e nos últimos cento e cinquenta anos, o censo da aldeia diminuiu em mais de 94%. Os mais jovens se mudaram da aldeia atrás de trabalho, educação e uma vida melhor.

Dos doze moradores, o único empregado é o prefeito, sendo o resto aposentados. A idade média é de 75 anos e o conselho da cidade teme que Corippo em breve não tenha mais ninguém. Para evitar que a aldeia vire uma cidade fantasma, uma fundação local dedicada a preservar a aldeia, sem fins lucrativos chamada “Fondazione Corippo 1975” criou um plano – transformar toda a vila em um resort turístico.

Corippo tem cerca de sessenta casas vazias e a ideia é transformar algumas dessas casas em casas de férias. O restaurante da vila se tornará a recepção, a praça da vila como um saguão ao ar livre e as ruas os corredores, e as casas serão os quartos do hotel. Este conceito é conhecido como albergo diffuso ou “hotel disperso“, e foi tentado pela primeira vez no nordeste da Itália para reviver aldeias que haviam sido destruídas por um terremoto em 1976.

A ideia será a primeira do gênero na Suíça, e a primeira casa de férias da aldeia, a Casa Arcotti de dois quartos abriu para os hóspedes no final de julho de 2018. O restante das casas está sendo reformadas e o hotel programado para abrir em 2020. Toda a vila de Corippo está protegida como um monumento histórico, o que significa que o arquiteto Fabio Giacomazzi, responsável pelas reformas enfrenta um desafio enorme: modernizar o interior das casas sem afetar o exterior.

Uma espiada dentro de algumas casas revela a escala dessa tarefa: muitas delas estão intocadas desde a década de 1950 – alguns moradores emigraram para os Estados Unidos e outros simplesmente morreram, não restando ninguém na manutenção da propriedade. Roupas velhas, cartões postais e garrafas de vinho se espalham pelo chão. As paredes estão úmidas e empoeiradas. Não há sinal de água corrente nem de vaso sanitário.

Claro que nós vamos pintar, claro que vamos colocar banheiros“, diz Fabio Giacomazzi. “Mas as portas originais serão mantidas, as madeiras e pedras originais também devem ficar. A experiência dos hóspedes deverá ser similar à vida no século 19 em Corippo.” Será relativamente espartano, admite o arquiteto. Os doze habitantes de Corippo, entre eles o prefeito Claudio Scettrini, estão depositando suas esperanças nessa ideia. Mas eles estão determinados que sua vila não se transforme em um parque temático – os hóspedes vão conviver lado a lado com os moradores.

Corippo, a aldeia que se transformará em hotel

Crédito da foto: vorFilm Renatus Mauderli GmbH para HotellerieSuisse

Para o diretor turístico do Cantão de Ticino Elia Frapolli, o atrativo de Corippo é justamente ser um lugar para se desligar completamente, para escapar da vida do século 21. “Esse é o lugar perfeito para o que chamamos de detox digital“, diz ele. “É uma nova tendência. No século 21, a autenticidade será considerada a nova luxúria. Ter um lugar onde você possa sentir a história do local, onde você possa deixar seu celular de lado. Isso é real, não é falso, há séculos de história aqui.” Os planos de Corippo, porém, ainda levarão um tempo para serem executados, mas a novidade já se espalhou, e os pedidos de reservas já estão chegando.

Corippo, a aldeia que se transformará em hotel

Crédito da foto: Ziegler175 / Wikimedia

Corippo, a aldeia que se transformará em hotel

Crédito da foto: Ticino Turismo

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Crédito da foto: Ticino Turismo

Corippo, a aldeia que se transformará em hotel

Crédito da foto: BBC News Brasil

Corippo, a aldeia que se transformará em hotel

Crédito da foto: Moreno Saccani

Corippo, a aldeia que se transformará em hotel

Os telhados das casas são feitas com pedras ardósias | Crédito da foto

Site oficial: www.corippo.ch

Fontes: 1 2 3

“É preciso que o discípulo da sabedoria tenha o coração grande e corajoso. O fardo é pesado e a viagem longa”. – Confúcio

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Me chamo Júlio César e moro em Porto Belo/SC. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, um site sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos pelo mundo afora, bem como histórias inusitadas de pessoas, lendas, eventos e outros assuntos interessantes. Feito para as pessoas que gostam de saber mais sobre um determinado assunto que é tratado superficialmente por outros sites do gênero.

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