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Cueva de las Manos, a caverna das mãos na Patagônia

Cueva de las Manos, a caverna das mãos na Patagônia

Pinturas rupestres, impressões de mãos, estênceis pré históricos podem ser encontrados em todos os continentes e começaram a aparecer em paredes de rochas em todo o mundo há pelo menos 30 mil anos. Mas a caverna chamada Cueva de las Manos na Patagônia, contém um conjunto excepcional de arte rupestre, descoberto em 1941 por um padre chamado De Agostini.

“Cueva de las Manos”, literalmente “cova das mãos”, está localizado no vale do rio Pinturas, nas proximidades de Bajo Caracoles, na província de Santa Cruz, Argentina, 163 quilômetros ao sul da cidade de Perito Moreno. A caverna tem esse nome devido ao conjunto de estênceis de mãos humanas que decoram as paredes da caverna. Essas pinturas rupestres foram feitas por comunidades de indígenas locais (provavelmente os antepassados dos Tehuelche) que viveram na região entre 13.000 e 9.500 anos atrás, conforme determinado por restos de cachimbos feitos de ossos usados para pulverizar a tinta nas paredes da caverna para criar as silhuetas de mãos.

A maioria das mãos pintadas nas paredes são de mãos esquerdas, o que sugere que os pintores manipularam o tubo de pulverização com a mão direita. Dentro do abrigo de rochas, existem cinco concentrações de arte rupestres, com 829 mãos pintadas, figuras e outros motivos, muitas vezes sobrepostos um período sobre outro anterior. A mais antiga, retrata caça de guanacos, choiques e pumas. A segunda geração, cerca de 7.000 a.C., possui pinturas estáticas que se acredita ter sido feitas num período de grande seca, onde os animais migraram de região, sendo as pinturas um ritual para trazer os guanacos de volta, período que inclui as pinturas das mãos. Há também alguns exemplares de estênceis de pés do avestruz americano (ñandú).Esta cultura durou até cerca de 3.300 a.C., quando a arte tornou-se mais esquemática e inclui figuras altamente dinâmicas e antropomórficas estilizadas.

Cueva de las Manos, a caverna das mãos na Patagônia

Crédito da foto

Já a terceira e mais recente, em torno de 1.300 a.C., apresenta arte em pigmentos vermelho brilhante, concentradas em figuras geométricas abstratas e representações altamente esquemáticas de animais e humanos.Acredita-se que tenha sido o trabalho de caçadores-coletores da tribo Tehuelche que habitavam a vasta área da Patagônia, quando chegaram os primeiros comerciantes e colonos espanhóis. Foi a criação de vastas fazendas de gado que acabaram com o modo de vida dos primeiros habitantes. As pinturas foram feitas com pigmentos minerais naturais – óxidos de ferro para a cor vermelha e roxa, caulim para branco, natrojarosite para amarelos e óxido de manganês para a cor preta e misturado com um aglutinante, cuja natureza é desconhecida.

Além das impressões de mão, também há representações de seres humanos, animais, bem como formas geométricas, padrões em ziguezagues, representações do sol e várias cenas de caça. As cenas de caça retratam uma variedade de estratégias com animais sendo cercados, presos em emboscadas ou atacados por caçadores usando armas de arremesso, tais como pedras redondas. Algumas cenas mostram caçadores individuais e outras, grupos de dez ou mais homens. A caverna foi classificada como Monumento Histórico Nacional Argentino e também é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1999 e a pesquisa arqueológica no local começou na década de 1960.

Site oficial: www.cuevadelasmanos.org

Fontes: 1 2

“Viemos girando do nada, espalhando estrelas como pó. As estrelas puseram-se em círculo e nós ao centro dançamos com elas” – Jalal ud-Din Rumi

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1 Comentário

  1. Marcela Felinto

    14 de fevereiro de 2018 às 12:29

    Texto muito bem escrito, assunto relevante e de grande valia, gostei muito do site e da seriedade da divulgação. Grata! continuem o trabalho, nao pare! para que a informação chegue aos lugares mais remotos, como aqui em campina grande na paraiba.

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Me chamo Júlio César e moro em Porto Belo, Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, uma revista digital feita para pessoas que gostam de ler e saber mais profundamente sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos pelo mundo afora, bem como lendas, eventos e outros assuntos inusitados.

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