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Ford Rotunda, da glória a tragédia

Ford Rotunda, da glória a tragédia

A Ford Rotunda, ficava em frente a Sede Mundial da Ford, em Dearborn, Michigan, e foi o quinto destino turístico mais popular dos Estados Unidos em meados do século 20. Na época, era uma estrutura futurística circular de dez andares e 64 metros de base que se assemelhava a uma pilha de quatro engrenagens, cada uma diminuindo de tamanho em direção ao topo, onde havia uma cúpula geodésica e dois prédios menores anexado a seção central. Na década de 1950, esse centro de visitação da Ford recebia mais visitantes que a Estátua da Liberdade, e outras atrações nacionais, como o Parque Yellowstone, Monumento de Washington e Mount Vernon.

A Rotunda foi construída originalmente para a Feira Mundial de Chicago (1934 World’s Fair – A Century of Progress International Exposition), uma exposição de inovações tecnológicas, que era visitada por cerca de 40 milhões de pessoas. Henry Ford viu o potencial da feira e queria impressionar e então contratou o arquiteto Albert Kahn, que era conhecido por seus projetos inovadores, tais como: o campus da Universidade de Michigan em Ann Arbor. Albert Kahn também desenvolveu muitas das instalações e edifícios da empresa Ford, incluindo Highland Park Plant e Rouge Plant, que atualmente são marcos históricos nacionais.

Na feira, o Pavilhão Ford ou Centro de Exposição Ford, como era chamado, tinha 275 metros de comprimento com um rotunda de vidro (daí o nome do edifício mais tarde) de 12 andares no centro. O edifício também tinha 65 torres em uma extremidade e uma grande sala de exposição na outra. O edifício era tão imponente, que tinha aço suficiente para construir um prédio de 22 andares. Nove mil holofotes escondidos em torno do exterior circular, iluminava a construção em um arco-íris de cores. Do centro do edifício, feixes de luz eram projetados para o céu e em noites claras, podiam ser vistos a mais de 32 quilômetros de distância. Muitas das exposições que ocorreram neste edifício foram projetadas por Walt Disney.

Durante os quase dois anos de duração da feira, o Pavilhão da Ford tinha sido visitado por mais de doze milhões de pessoas. Após o termino da exposição, a rotunda foi desmontada, levada para Dearborn, adaptada e erguida em frente aos prédios centrais de escritórios da Ford Motor Company para servir como um centro de visitante, show room dos lançamentos da marca e ponto de partida para os passeios populares ao interior da fábrica e o edifício rebatizado de Ford Rotunda, sendo reaberto ao público em maio de 1936.

Ford Rotunda, da glória a tragédia

A Ford Rotunda com a recém adicionada cúpula, por volta de 1953 | Crédito da foto

A Rotunda imediatamente se tornou uma grande atração não só para as pessoas comuns, mas também para estrelas de cinema, celebridades, líderes empresariais e chefes de estado, para ver os mais recentes lançamentos da empresa e os shows elaborados da Ford. A maior atração eram as apresentações anuais de Natal durante as férias de inverno, chamada Fantasia de Natal. O interior da Rotunda era transformada em uma imensa oficina do Papai Noel, com uma árvore de Natal de onze metros de altura, presépio em tamanho natural, 2.000 bonecas, e cenas animadas apresentadas em tamanho natural de contos de fadas como Wee Willie Winkie, Hansel e Gretel, Robin Hood e Humpty Dumpty. Novas atrações eram apresentadas a cada ano, como a de 1958, onde foi montado um circo animado com 15.000 peças.

Devido ao racionamento de combustível, o edifício foi fechado ao público durante a Segunda Guerra Mundial, e depois da guerra passou por uma remodelação maciça em 1952, em que o pátio foi coberto com uma imensa cúpula. Em novembro de 1962, um incêndio começou no telhado da Rotunda, que estava sendo impermeabilizado, preparando o edifício para as apresentações de inverno. Os trabalhadores mantinham quente o alcatrão usado como material selante com aquecedores de propano e de alguma forma, esse material pegou fogo e incendiou a cúpula de plástico com estrutura de alumínio, que desabou sobre o pátio interior, espalhando fogo nos materiais inflamáveis da exposição de Natal que estava sendo montada, ficando as chamas fora de controle. Em menos de uma hora, a Rotunda tinha queimado até o chão, pouco restando, além das fundações. Felizmente, não houve mortes e nem feridos graves.

Durante o período de tempo que o Rotunda ficou aberta ao público, um total de 18.019.340 pessoas visitaram as instalações. A Rotunda viu o lançamento do carros modelo Lincoln Continental, do Ford Thunderbird, e também o lançamento e descontinuação do modelo Edsel, um fracasso de vendas da Ford.

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O Centro de Exposição Ford na Feira Mundial de Chicago em 1934 | Crédito da foto

O incêndio causou um dano estimado em 15 milhões de dólares, equivalente a cerca de 116 milhões de dólares atuais, sendo perdidos no incêndios vários carros novos que estavam em exposição e muito material que era utilizados nas exposições de Natal. Ford Rotunda também abrigava os arquivos da Ford (14 milhões de itens, incluído mais de 250.000 fotografias), que sobreviveram às chamas intactos devido a um material especial, que os protegiam, utilizado no sistema de proteção contra incêndio. A empresa decidiu não reconstruir o edifício, e o terreno ficou vago até 2000, quando o Centro de Educação Técnica de Michigan foi inaugurado no local.

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Os novos lançamentos da Ford em 1940, exposto da Ford Rotunda em Deadborn | Crédito da foto

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A exposição “Out of the Earth” mostrava os vários materiais naturais que faziam parte dos Ford-V8, mostrados através de cortes laterais de um carro, na feira de Chicago | Crédito da foto

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Globo terrestre no centro da Rotunda em Deadborn, em 1937 | Crédito da foto

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Cartão promocional da Ford de 1937 | Crédito da foto

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Exibição da árvore de Natal e 2.000 bonecas, na exposição Fantasia de Natal de 1955 | Crédito da foto

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Exposição das bonecas do Ford Motor Company Girls’ Club, em 1958 | Crédito da foto

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Oficina do Papai Noel em 1960, parte da exposição Fantasia de Natal | Crédito da foto

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Entrada majestosa com a réplica de uma catedral, onde era exibido um presépio em tamanho natural | Crédito da foto

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Incêndio na Ford Rotunda em novembro de 1962 | Crédito da foto

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Os bombeiros chegaram rápidos, nas não conseguiram controlar as chamas e o prédio foi inteiramente queimado | Crédito da foto

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Vista aérea da cúpula feita de plástico e alumínio, que estava sendo impermeabilizada e de alguma forma pegou fogo e desabou para o interior do prédio, atingido materiais inflamáveis da exposição de Natal, que estava sendo montada | Crédito da foto

Fontes: 1 2 3

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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