Um único raio pode fornecer energia suficiente para abastecer uma família média por mais de um mês e quando tal raio atinge uma área de areia em uma praia ou duna, as partículas de areia podem derreter-se e fundir-se em menos de um segundo. As partículas de areias podem se fundir a cerca de 1.800 graus Celsius, mas a temperatura de um raio pode chegar a 30.000 graus, cinco vezes mais que a temperatura na superfície do sol. Se as condições forem adequadas, irá criar com a areia fundida, longos tubos ocos chamados fulguritos. O termo vem da palavra em latim fulgur, que significa “relâmpago”. Embora os raios atingem a terra pelo menos, um milhão de vezes por dia, só raramente se formam fulguritos.

Quando o raio cai sobre a areia e esta é – como a imensa maioria das areias – formada de quartzo, surge um mineral chamado lechatelierita. É uma substância fácil de identificar porque ocorre na forma de tubos alongados, com poucos centímetros de diâmetro e algumas dezenas de centímetros de comprimento, de cor clara, rugosos e foscos por fora, mas lisos e brilhantes internamente. Alguns fulguritos chegam a atingir 20 m de comprimento e diâmetro de 6,2 cm, mas o usual é se encontrar peça menores mesmo porque ela se quebra facilmente. A espessura da parede costuma ter 1 a 5 mm.

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Encontrado na Província de Boujdour, no deserto do Saara | Crédito da foto

Já se tem relatos da descoberta de fulguritos desde 1711 e podem ser encontrados em qualquer parte do mundo, desde os picos das montanhas até no meio do deserto do Saara, mas mesmo assim, são considerados raros, devido a dificuldade de localiza-los. Não são considerados preciosos, mas são apreciados por muitos pesquisadores, por seu valor científico. Ao estudar a distribuição de fulguritos de uma área específica, pode-se aferir a ocorrência das atividades climáticas na área durante um determinado período, que por sua vez pode ajudar a entender o clima naquela região. Fulguritos com 250 milhões de anos de idade, já foram encontrados no deserto do Saara e confirmaram, que o deserto era uma região fértil, onde as tempestades de chuva eram comuns.

No Rio Grande do Sul, há um local particularmente rico em fulguritos desse tipo. Fica em São José do Norte, no litoral sul do Estado. Ali, a queda de raios nas dunas é tão frequente que facilmente se encontram pedaços de lechatelierita com 10 cm de comprimento em média. O Geólogo Lauro Calliari, professor da FURG (Fundação Universidade de Rio Grande), diz que, dependendo da direção do vento, fica mais fácil ainda a coleta de amostras. Mas, cabe perguntar, por que caem tantos raios ali. O Prof. Lauro explica que sob os montes de areia há grande concentração de minerais de ferro e manganês, na forma de grãos de areia, o que atrai as descargas. Apesar da frequência do fenômeno, os moradores não se acostumaram e vivem temerosos com a possibilidade de serem atingidos por descargas elétricas nas tempestades.

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Fulgurito encontrado em Queen Creek, Arizona, EUA | Crédito da foto

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Encontrado na Província de Boujdour, no deserto do Saara | Crédito da foto

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Fulguritos encontrados na Argélia. Em exposição no San Diego Country Fair, Califórnia, EUA | Crédito da foto

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Encontrado no deserto da Mauritânia | Crédito da foto

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Encontrado em Southwestern, Egito | Crédito da foto

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Sobre o Autor

Curioso desde sempre, queria um lugar para guardar às curiosidades de lugares e histórias inusitadas que lia em livros ou pela internet e assim nasceu o site Magnus Mundi em 2015. Me chamo Julio Cesar, sou natural de Blumenau e morador de Porto Belo, litoral de Santa Catarina.

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