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Huaca Pucllana, as ruínas de um templo no centro de Lima

Huaca Pucllana, as ruínas de um templo no centro de Lima

Huaca Pucllana ou Huaca Juliana, é um templo pré-inca em forma de pirâmide feita de argila e abobe (tijolo grande de argila, seco ou cozido ao sol, às vezes acrescido de palha ou capim, para torná-lo mais resistente) localizado no distrito de Miraflores, no centro de Lima, capital do Peru. Serviu como um importante centro cerimonial e administrativo para o avanço da Cultura Lima, uma sociedade que se desenvolveu na costa central do Peru, entre os anos de 200 e 700 d.C.

O complexo inteiro ocupa uma área de 150 mil m², divididos em dois setores: a pirâmide, construída a partir de sete plataformas escalonadas e 23 metros de altura, era o local das cerimônias onde eram realizados cultos aos deuses. Acredita-se que o local tenha sido usado como templo para sacrifícios de mulheres a fim de acalmar as deusas, que eram consideradas muito violentas. Este era um templo reservado para a elite, sacerdotes e nobres. Já a área das praças era dedicado ao setor administrativo, com uma praça central, que faz fronteira com os limites exteriores e uma grande parede dividindo-a em duas sessões. Uma sessão, com bancos e poços profundos, onde se faziam oferendas de peixes e crustáceos aos deuses e a outra sessão, uma área administrativa, com várias estruturas de barro e cabanas.

Durante muitos anos, o sítio arqueológico foi vítima do crescimento desordenado da capital peruana. O processo de restauração destas ruínas começou em 1981 e, serão necessário mais 30 anos de intenso trabalho para terminar toda a restauração daquela área. Antes de descobrirem as ruínas, a região era usada como pista de moto-cross. Hoje, a Huaca Pucllana ocupa apenas um quarteirão, mas os pesquisadores acreditam que essa área era no mínimo seis vezes maior e que deveria ocupar vários quarteirões em todas as direções. Dizem também que a área mais importante ainda está soterrada, pois, por conta da sua proximidade com o mar, esse local era provavelmente utilizado para observar as deusas que ali habitavam.

Nas escavações, também foram descobertos restos, pertencentes à cultura Wari (500 a 900 d.C), destacam-se os restos do “Señor de los Unkus“, que pertencia ao primeiro túmulo no centro cerimonial, que foi descoberto completamente intacto. Este túmulo tem três mortalhas separadas, contendo os restos de uma criança sacrificada e três adultos, dos quais, dois apresentavam máscaras em seus rostos.

Interessante nessas ruínas é a “técnica do livro” que foi utilizado nas construções desses locais. Graças a essa técnica, eles conseguiram fazer com que suas construções e templos resistissem aos constantes terremotos que aplacavam a região. Os tijolos de barro eram colocados lado a lado como se fossem livros em uma estante, mas sempre deixando um espaço entre eles, o que dava uma certa “flexibilidade” para os tijolos durante os terremotos. Por não serem tão colados, os tijolos encontravam espaços entre eles e conseguiam se mover conforme as ondas do terremoto sem destruir nenhuma parede sequer. É impressionante pensar que eles tinham o domínio completo do seu território, do conhecimento dos eventos naturais e que foram capazes de desenvolver tal tecnologia. Uma prova da eficiência desse sistema é o fato de Lima já ter sido atingida por fortíssimos terremotos que destruíram muitas construções mais modernas, enquanto que a Huaca Pucllana continuou quase intacta.

Atualmente o lugar é um museu a céu aberto e a entrada feita apenas com guias. Além de conhecer a história dos Limas, a importância e grandiosidade das construções, é possível ter contato com os animais que habitam a região desde aqueles tempos, como os cachorros peruanos (“loiros” e sem pelos), llamas e alpacas.

Site oficial: www.huacapucllanamiraflores.pe

Fontes: 1 2 3

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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Me chamo Júlio César e moro em Porto Belo, Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, uma revista digital feita para pessoas que gostam de ler e saber mais profundamente sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos pelo mundo afora, bem como lendas, eventos e outros assuntos inusitados.

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