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Ilha de Devon, onde a Terra se parece com Marte

Ilha de Devon, onde a Terra se parece com Marte

A ilha de Devon, na Baía de Baffin, pertencente ao arquipélago ártico canadense, é a 27ª maior ilha do mundo, mas considerada a maior ilha desabitada do planeta, com 55 247 km² de superfície composta sobretudo por gnaisse do Pré-câmbrico e arenitos e argilitos do Paleozóico. E há boas razões para ela ser desabitada. O solo permanece congelado durante quase todo o ano, principalmente a parte oriental da ilha, que é coberto por uma camada de gelo de cerca de 500 a 700 metros de espessura.

Por apenas um breve período, com duração de 40 a 55 dias, durante o verão, o solo está livre da neve e gelo e a temperatura no verão sobe apenas cerca de 8 graus, sendo a temperatura média anual de -16 graus negativos, e o lugar podendo chegar a -50 graus no inverno. Em outras palavras, a ilha é uma terra gelada, rochosa e árida, e quase desprovida de plantas e com pouca vida animal, como bois-almiscarados, aves e pequenos mamíferos se concentrando na área da planície Truelove, onde o terreno mal drenado, favorece o crescimento de musgo, essenciais aos bois-almiscarados pastarem durante o ano. Mas para cientistas e pesquisadores, Devon é um lugar interessante. Seu deserto e o clima severo é muito semelhante às condições do planeta de Marte.

Ilha de Devon, onde a Terra se parece com Marte

K10 Kover descendo Drill Hill para o acampamento base na cratera de Haughton | Crédito foto

Desde 2001, a ilha de Devon tem sido a casa de verão para um grupo de pessoas trabalharem em um projeto de pesquisa internacional chamado Mars Project Haughton (HMP), que estuda como os exploradores humanos pode viver e trabalhar em outros planetas, mais precisamente em Marte.

O terreno árido da ilha, as temperaturas congelantes e o isolamento oferecem ao cientistas da NASA uma série de oportunidades de investigações únicas”, diz a página de informações do projeto no site da NASA. “Outros fatores, como o dia e a noite no ciclo Ártico e logística restritas e as capacidades de comunicação, oferecem análogos de montagem para os desafios que os membros da tripulação provavelmente enfrentarão nos voos espaciais de longa duração.

Ilha de Devon, onde a Terra se parece com Marte

Operado pela Mars Society e principalmente financiado pela NASA, a pesquisa é baseada fora da estação Flashline Mars Arctic Research Station (FMARS), localizada em um cume com vista para a cratera de Haughton, com 23 quilômetros de diâmetro formada aproximadamente 39 milhões de anos atrás, quando um meteoro de 2 quilômetros de diâmetro atingiu a terra, onde então era um lago, rodeado por uma floresta. O impacto foi tão violento que rochas que estavam a 1,7 quilômetros de profundidade, foram trazidas a superfície. Isso porque não há nenhum fluxo de água, devido à temperatura de congelação, sendo mínima, a resistência do terreno da ilha. Como tal, Haughton mantém muitas características geológicas que crateras em outros lugares não possuem. A área do impacto do meteoro, é um dos terrenos da Terra que mais se parecem com os de Marte.

Robert Bylot foi o primeiro europeu a avistar a ilha em 1616 e em 1924 foi criado um posto avançado em Dundas Harbour onde 53 famílias inuits viveram até 1936, mas devido ao clima severo, os inuits optaram por deixar a ilha e o lugar foi povoado novamente no final de 1940, mas fechando em 1951 e atualmente, só ruínas de alguns edifícios permanecem no lugar.

Ilha de Devon, onde a Terra se parece com Marte

Depósito de gesso em Gemini Hills, na Cratera de Haughton | Crédito foto

Ilha de Devon, onde a Terra se parece com Marte

Membros da tripulação 7, em EVA motorizados, em julho de 2002 | Crédito foto

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Truelove Lowlands, Nunavut, ilha de Devon, Canadá | Crédito foto

Ilha de Devon, onde a Terra se parece com Marte

O Projeto Haughton-Mars (HMP) Estação de Pesquisa | Crédito foto: Nasa

Fontes: 1 2 3

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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