Guerra

Lago Toplitz, um esconderijo nazista

Lago Toplitz, um esconderijo nazista

Localizado em meio a uma densa floresta cercada pelas montanhas Totes Gebirge na Áustria, está o lago Toplitz (toplitzsee), com apenas um quilômetro e meio de extensão. Mas o que falta a este lago em extensão é compensado em profundidade, pois o fundo fica a cerca de 107 metros abaixo da superfície, e uma das características do lago é a sua baixa concentração de oxigênio abaixo dos vinte metros e esta falta do oxigênio preservou tudo o que caia em suas águas escuras ao longo do tempo.

Acreditasse que no fundo do lago Toplitz, contém cerca de 4.000 quilos de explosivos não detonados, usados em testes e que foram abandonados por um laboratório experimental nazista na Segunda Guerra Mundial, que testaram minas e outras bombas para a Marinha alemã, entre 1943 a 1945. Também testaram torpedos, disparando-os de uma plataforma no lago, nas encostas das montanhas, produzindo grandes buracos nas mesmas. O lago distante cerca de 100 quilômetros da cidade de Salzburg, que foi o berço do compositor Wolfgang Amadeus Mozart também foi usado para esconder 130 milhões de notas falsas, libras britânicas e dólares americanos, produzidas por 142 falsários de elite, selecionados pelos nazistas em campos de concentração, inclusive o de Auschwitz e levados para o campo de Sachsenhausen.

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A produção dessas notas fazia parte da Operação Bernhard, que leva o nome de seu idealizador, o major da SS Bernhard Krüger. O plano inicial era o de inundar a Grã-Bretanha com as notas falsas – consideradas até hoje como perfeitíssimas –, provocar uma inflação incontrolável e desestabilizar a economia. O plano jamais foi posto em prática por várias razões técnicas, entre as quais a dificuldade de fazer as notas chegarem à Grã-Bretanha. O falso dinheiro tivera, porém, vários usos: de pagar suprimentos e matérias-primas comprados no “mercado paralelo” continental, até o de custear salários de agentes e espiões no estrangeiro.

Depois da guerra, várias expedições de mergulho foram feitas no lago, tentando resgatar o que possa estar no fundo dele, e muitos morreram mergulhando em suas águas escuras. As operações de mergulho neste lago são complicadas e perigosas, pois além dos explosivos não detonados, há uma abundância de madeira não apodrecida devido a falta de oxigênio na água. O lago também é um lugar sagrado para a comunidade austríaca que mora nas redondezas e que são contra qualquer mergulho que seja feito nele em busca de objetos em sua profundeza. O lago muitas vezes é chamado de Armazém do Diabo ou Cova do Demônio, como uma referência a toneladas de explosivos não detonados acumulada no fundo.

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Suspeita-se que no lago também há outros tesouros escondidos dos quais a Alemanha havia se apropriado durante a guerra, incluindo grandes quantidades de ouro, documentos e obras de arte. Na época da guerra, as montanhas da região eram conhecidas como “Alpine Fortress” ou “Alpenfestung“, uma área de refúgio para as forças armadas alemãs e seus oficiais, se a guerra estivesse perdida e assim pudesse se fazer um movimento de resistência, mas tal plano nunca foi aprovado por Adolf Hitler, porém no final da guerra, muitos nazistas e simpatizantes tinham recuado para essa região, e jogado no lago, documentos e objetos, para não serem descobertos.

Em abril de 1945, os moradores próximos do lago foram acordados às 4 horas da manhã por soldados alemães e obrigados a deixarem as pressas suas casas, e forçados a retirar de caminhões, cinquenta caixas de madeira pesadas, coloca-las em suas carroças e transportá-las até a margem do lago, tudo sob a mira de fuzis. Os alemães tinham tentando mover tal carga sozinhos, mas os veículos pesados ficaram presos na lama, forçando-os a confiar nas carroças dos moradores, mas que também ficaram presas e então usaram os moradores para transportar nos braços, tais caixas. Uma moradora viu os alemães marcarem as caixas com inscrições que ela não pode ver e jogarem as caixas no lago. Ida Weisenbacher, na época tinha 21 anos, e foi uma das últimas a sair das margens do lago, sendo empurrada de volta a sua casa, mas a tempo de olhar para trás e ver o que os alemães faziam. Com medo, ela ficou anos sem comentar nada, na época, nem mesmo outros moradores ousaram tentar descobrir onde estavam as caixas e o que continham nelas.

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Em julho de 1959, uma equipe financiada pela revista alemã Der Stern, conseguiu recuperar um grande número de caixas de madeira com 72 milhões de libras em notas falsas do fundo do lago, e todas em excelente estado de conservação, que chegaram a serem usadas no mercado, a tal ponto que a Grã-Bretanha decidiu substituir todas as notas de mais de 5 libras em circulação, por novas emissões do seu Tesouro. Também encontraram no fundo, uma prensa de impressão, equipamento de laboratório, armas e controles de foguetes. Em 1983, Hans Fricke, um biólogo alemão explorou o lago e os terrenos adjacentes e encontrou também caixas de dinheiro falso, munição, armas, peças de foguetes e partes de um avião explodido.

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Em novembro de 2000, a rede de televisão CBS, juntamente com a Oceaneering Technologies, a mesma empresa de salvamento submarino que descobriu o Titanic e o Simon Wiesenthal Center tentaram recuperar os documentos relativos a bens roubados pelo regime nazista. Em vez disso, eles encontraram evidências e equipamentos da operação Bernhard e uma caixa contendo centenas de tampas de garrafas de cerveja que moradores afundaram de forma irônica, dias anteriores a exploração da equipe. A equipe usou um mini submarino tripulado por uma pessoa para vasculhar o fundo escuro, porém devido aos inúmeros destroços, não pode fazer uma busca mais detalhada, mas no final da pesquisa, conseguiu encontrar restos de caixas de madeira, que acabou por conter libras esterlinas e dólares norte-americanos falsificadas.

Lago Toplitz, um esconderijo nazista

Mais tarde também foi encontrado um bunker escondido perto do lago, mas nada de interessante dentro dele, mas fotografias de uma grande caixa e um mapa com rotas na Rússia afixados na parede, alimentaram especulações que este poderia ter sido o esconderijo de parte da Câmara de Âmbar, conhecida como a Oitava Maravilha do Mundo (decoração de painéis em âmbar e espelhos folheados a ouro pertencente ao Palácio de Catarina em Tsarskoye Selo, próximo a São Petersburgo, na Rússia.

Embora tesouros mais valiosos não surgiram do Lago Toplitz durante as várias expedições, muitos estudiosos afirmam, que ele possa ocultar muito mais objetos submersos, debaixo de tonelada de lodo e entulhos, mas em outubro de 2009, o governo austríaco, a fim de proteger a integridade do meio ambiente, anunciou planos para proibir novas pesquisas na área por 99 anos.

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Fontes: 1 2 3

“Há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia.” – William Shakespeare

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Me chamo Júlio César e moro em Porto Belo, Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, uma revista digital feita para pessoas que gostam de ler e saber mais profundamente sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos pelo mundo afora, bem como lendas, eventos e outros assuntos inusitados.

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