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Makhunik, a antiga aldeia dos anões

Makhunik, a antiga aldeia dos anões

Em um canto remoto da província de Khorasan, no sul do Irã, a 75 quilômetros da fronteira com o Afeganistão, foi encontrado um 2005, um corpo mumificado com apenas 25 centímetros de altura. Na internet apareceram centenas de teorias e suposições sobre o pequeno corpo e alimentando a crença de que no passado, havia um “cidade de anões” naquela região do país. Cientistas acabaram constatando que a múmia era, na verdade, de um bebê prematuro, que morreu há cerca de 400 anos.

Na região existem, cerca de treze aldeias e Makhunik é uma delas, e devido a arquitetura inusitada desta cidade antiga de 1,5 mil anos, se acredita que ela poderia ser a tal cidade dos anões. Das cercas de duzentas casas de pedra e barro que compõem a antiga vila, setenta ou oitenta delas são de altura excepcionalmente baixa. Essas moradias de barro têm menos de dois metros de altura, com portas estreitas que não se consegue entrar sem se abaixar.  Muitas das casas tem o teto com apenas 1,40 centímetros de altura.

A existência de Makhunik traz à mente a imagem da ilha de Liliput, descrita no famoso romance do irlandês Jonathan Swift, As Viagens de Gulliver, de 1720, onde o personagem Lemuel Gulliver sobrevive a um naufrágio e vai parar na ilha, povoada por habitantes de até 15 centímetros de altura. Se acredita que os casamentos entre parentes, má alimentação e água contaminada com mercúrio fizeram os moradores de Makhunik, com cerca de meio metros a menos que a altura média daquela época.

Makhunik, a antiga aldeia dos anões

Crédito da foto: Mohammad M. Rashed

Durante séculos a comunidade de Makhunik viveram em completo isolamento da civilização moderna. A região era seca, desolada e estéril, que dificultava o cultivo e a criação de animais. Nabos, grãos e uma fruta parecida com tâmara, conhecida como jujuba constituíam as lavouras. As pessoas sobreviviam a base de pratos vegetarianos simples, como kashk-beneh, feito de soro de leite e um tipo de pistache cultivado nas montanhas e pokhteek, uma mistura de leite seco e nabo.

A desnutrição contribuiu significativamente para a deficiência na altura dos moradores. O isolamento também forçou as pessoas a se casarem com parentes próximos, permitindo que genes ruins compartilhados por ambos os pais sejam expressos de forma mais pronunciada em seus filhos. Alguns desses genes produziram nanismo.

Makhunik, a antiga aldeia dos anões

Crédito da foto: Mohammad M. Rashed

A falta de altura não foi a única razão pela qual as pessoas da vila construíram casas menores. Ter uma pequena casa significava que eram necessários menos materiais de construção, o que era conveniente, já que os animais domésticos grandes o suficiente para puxar os vagões eram escassos e as estradas adequadas eram limitadas. Então, os moradores tinham que carregar todos os suprimentos nas costas por quilômetros. Também as casas menores, eram mais fáceis de aquecer e esfriar do que as maiores, e se misturavam mais facilmente com a paisagem, tornando-as mais difíceis de serem detectadas por invasores em potencial.

Em meados do século 20, a região viu um surto de desenvolvimento urbano, com a construção de estradas e acesso de veículos que permitiram aos residentes de Makhunik levar uma grande variedade de alimentos para suas refeições, como arroz e frango. As crianças cresceram mais saudáveis e mais altas do que seus pais e, com a melhoria da assistência médica, o nanismo começou a diminuir.

Atualmente, a maioria dos setecentos habitantes de Makhunik são de estatura mediana. Faz anos desde que deixaram as habitações no estivo liliputianas de seus ancestrais e se mudaram para casas de tijolos mais altas. Mas além de suas casas e suas alturas, as condições de vida não melhorou muito para esses aldeões. A vida ainda é dura e a agricultura escassa, devido à seca continuada. Os mais jovens migram para as cidades próximas para trabalhar e as mulheres se dedicam a tecelagem. Moradores mais velhos contam com subsídios do governo. A arquitetura e o legado únicos de Makhunik têm um rico pontencial para o turismo, que os moradores esperam um dia possa criar oportunidades de emprego e negócios na aldeia.

Makhunik, a antiga aldeia dos anões

Mumia de apenas 25 centímetros de altura encontrada em Makhunik

Fontes: 1 2 3

“Se você está buscando ideias criativas, saia para caminhar. Os anjos sussurram para os homens quando eles caminham”. – Raymond Inmon

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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