Inusitados

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Nem só de pirâmides, desertos, camelos é composta a paisagem do Egito. No Cairo, capital do país e a maior metrópole do continente africano, situado a 20 minutos de um dos mais famosos cartões postais do mundo, Manshyiat Nasser, um bairro onde às ruas, calçadas, casas e os telhados dos prédios são tomados totalmente por sucatas, detritos e sujeira de todas as espécies. Cidade do Lixo como Manshyiat Naser é mais popularmente conhecida, é uma área de favelas que abrange 5.54 quilômetros quadrados, com uma população de cerca de 262.000 habitantes nos arredores dos montes Moqattam. Embora Manshiyat Naser tenha ruas, lojas e apartamentos como outras áreas da cidade, a infraestrutura é precária, e muitas vezes não tem água corrente, esgotos ou eletricidade.

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

O cenário é assustador e o cheiro insuportável para quem não vive ali, e todo esse lixo é devido a cidade não ter um eficiente sistema de coleta de lixo, apesar de ter uma população de quase 20 milhões de pessoas. Noventa por cento dos habitantes de Manshiyat Naser, são cristãos coptas, e estão fazendo a coleta de lixo da cidade nos últimos 70 anos. Esses coletores de lixo informais, chamados de Zabbaleen (palavra que significa literalmente “pessoas do lixo”) recolhem o lixo dos moradores do Cairo, em um serviço de porta a porta em troca de uma pequena taxa e depois transportam todo o lixo por carrinhos puxados por tração animal ou em camionetes literalmente caindo aos pedaços para Manshiyat Naser.

Uma vez em suas casas, eles classificam o lixo, onde o que não é reciclado vira comida para os porcos e o restante é queimado. A coleta do lixo é tradicionalmente o trabalho dos homens, enquanto a classificação fica para as mulheres e crianças. Embora antiquada, a eficiência do sistema de reciclagem dos Zabbaleens é notável. Quase 80% do lixo é reciclado, o que é quatro vezes a porcentagem que a maioria das empresas de reciclagem em outros países conseguem produzir.

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Essa parcela da população vive à margem da sociedade, praticamente excluída de seu sistema econômico pelo simples fato de serem cristãos; pois o Egito é um país muçulmano totalmente contrário ao cristianismo ou qualquer outra religião que não professe a fé islâmica. A religião é, com certeza o fator principal para que eles se mantenham excluídos da sociedade, tendo que sobreviver como podem.

A grande maioria da população é descendentes de camponeses que foram despejados de suas terras e migraram para o Cairo nos anos de 1930 e 1940. Muito dessas famílias se dedicavam na criação de porcos, cabras, galinhas e outros animais domésticos que se alimentavam de forragem e compostos orgânicos. Inicialmente, eles se estabeleceram numa área conhecida como Imbaba, no entanto, em 1970, o governador do estado de Giza ordenou uma ordem de despejo que obrigou as famílias é se mudarem para a periferia da cidade. Muitos se estabeleceram em pedreiras abandonadas no sopé das colinas de Mokattam e começaram a catar papel e papelão para sustentar suas famílias.

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Em 2009, usando como pretexto a epidemia H1N1 (inicialmente conhecida como gripe suína), o governo mandou sacrificar todos os porcos de Manshiyat Naser, em torno de 350.000 animais, os quais também sempre representaram uma grande ajuda para esse povo sofrido. Além do mais, a falta de porcos fez aumentar a quantidade de lixo pelas ruas, pois eles eram um fator essencial na reciclagem, porque comiam aquilo que não se podia aproveitar, como o lixo orgânico, além do fato de sua carne ser vendida mais tarde para hotéis e restaurantes para turistas não muçulmanos. Outro problema gravíssimo de Manshiyat Naser é a excessiva falta de higiene, que contribuí para o aumento da população de ratos e outros animais e insetos, consumidores naturais de produtos deteriorados e também de bactérias nocivas ao ser humano, os quais têm resultado em vários tipos de doenças.

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

O bairro recebeu atenção internacional após o lançamento em 2009 do documentário Garbage Dreams, dirigido por Mai Iskander, sobre meninos nascidos e criados na Cidade do Lixo e como eles deveriam procurar novas maneiras de sustentar suas famílias, com as mudanças na coleta de lixo, que na realidade nunca ocorreu. Desde o lançamento do filme, Manshiyat Naser tornou-se uma atração turística fora do circuito tradicional, para pessoas com espírito aventureiro. Mais ou menos o que acontece com os turistas que vem para o Brasil e vão visitar às favelas do Rio de janeiro.

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Manshyiat Naser, a Cidade do Lixo no Egito

Fontes: 1 2 3

“Tudo o que o homem não conhece não existe para ele. Por isso, o mundo tem para cada um o tamanho que abrange o seu conhecimento”. – Carlos Bernardo González Pecotche

Postagens por esse mundo afora

Visualização: 2229 vezes

Obrigado por avaliar. Divulgue nas redes sociais, o que achou! .
Ajude a melhorar nosso conteúdo! O que achou do artigo??
  • Ótimo
  • Bom
  • Indiferente
  • Poderia ser melhor
Este site é um projeto de um homem só, desenvolvido durante seu tempo livre, por favor, deixe um comentário do que achou do artigo. Ele será muito importante e também estou aberto a críticas construtivas.
Clique para adicionar um comentário

Faça um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Inusitados

Curioso desde sempre, queria um lugar para guardar às curiosidades de lugares e histórias inusitadas que lia em livros ou pela internet e assim nasceu o site Magnus Mundi em 2015. Me chamo Julio Cesar, sou natural de Blumenau e morador de Porto Belo, litoral de Santa Catarina.

Veja mais em Inusitados

La Piedra Del Peñol, um imenso monolito colombiano

Magnus Mundi28 de agosto de 2019

A solitária capela dentro do vulcão de Santa Margarida

Magnus Mundi24 de agosto de 2019

Lago de Monet, a lagoa onde a arte ganha vida

Magnus Mundi23 de agosto de 2019

Os bunkers do Dia do Juízo Final em Dakota do Sul

Magnus Mundi11 de agosto de 2019

Ponte De Le Tette, a Ponte dos Seios de Veneza

Magnus Mundi6 de agosto de 2019

Scheendijk, as ilhas estreitas em Loosdrecht, na Holanda

Magnus Mundi23 de julho de 2019

O telescópio Leviatã de Parsonstown

Magnus Mundi9 de junho de 2019

Porto Flavia, o porto incomum da Sardenha

Magnus Mundi5 de junho de 2019

Gilbert Hill, o monólito insólito de Mumbai

Magnus Mundi29 de maio de 2019

Magnus Mundi é uma revista digital que tem seu conteúdo voltado para lugares, eventos, artes e histórias inusitadas pelo mundo afora

Copyright © 2015 · OceanSite · Desenvolvimento de website e aplicativos para mobiles

Scroll Up