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O caramujo de ferro

O caramujo de ferro

Chrysomallon squamiferum, popularmente conhecido como caramujo de ferro ou caramujo de pé escamoso, não é um caramujo comum, mas um enigmático molusco marinho que vive nas chaminés hidrotermais das profundezas do Oceano Índico, a mais de 2.500 metros de profundidade, ao lado de fumarolas negras (tipo de fonte hidrotermal) que produzem água superaquecida superior a 350° C. Em segundo, é o único gastrópodo conhecido com uma armadura de escamas. Em terceiro, as escamas bem como a concha são mineralizadas com sulfeto de ferro. É isso mesmo – estes caramujos fazem um esqueleto de ferro, e são os únicos animais conhecidos até agora a fazê-lo.

Credito foto: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Three_populations_of_Chrysomallon_squamiferum.jpg

Os três populações conhecidas de Chrysomallon squamiferum: Kairei, Longqi, Solitaire (esquerda para a direita).

A armadura desde gastrópode é tão eficaz que o exército dos Estados Unidos está atualmente financiando pesquisas sobre a armadura do caracol na esperança de desenvolver novos projetos militares.

As chaminés hidrotermais foram primeiramente descobertas no Rifte das Galápagos em 1977. Isto é exatamente ao largo das Ilhas Galápagos cuja famosa fauna inspirou Charles Darwin no desenvolvimento de sua teoria da seleção natural. As chaminés são fontes termais do mar profundo abastecidas por atividade geológica; o fluído quente em erupção é geralmente ácido e contém vários metais, bem como sulfeto de hidrogênio. Isso é o que faz os ovos podres cheirarem mal e é tóxico para a maioria dos organismos. Algumas bactérias, no entanto, são capazes de usá-lo para produzir energia em um processo conhecido como quimiossíntese.

Crédito da foto: http://morethanadodo.com/2015/04/28/the-iron-snail/

Na escala de tempo geológico muitos organismos notáveis se adaptaram para viver nesta ‘utopia tóxica’, e floresceram explorando a energia produzida por estas bactérias. O caramujo de pé escamoso também tem aproveitado do poder da quimiossíntese, abrigando bactérias endosimbióticas – bactérias que vivem dentro de outra criatura para benefício mútuo – em uma parte ampliada de seu intestino. Isso produz a energia que necessita. Em outras palavras – ele tem uma fábrica de comida dentro de seu corpo e nem precisa se alimentar! Esta é provavelmente a razão pela qual ele pode crescer até cerca de 45 mm de tamanho, quando a maioria de seus parentes próximos, sem os endossimbiontes chegam a 15 mm ou menores.

Crédito da foto: http://www.dpc-mother.com/gallery/scaly-foot.html

Caramujos de pés escamosos foram descobertos pela primeira vez em 2001, no campo de chaminés Kairei no Oceano Índico. Sua descoberta veio como uma grande surpresa que mesmo entre os animais especializados para viver nas chaminés, foi muito, muito estranho. E legal. Embora a concha de um caramujo seja bem conhecida por ser modificada numa grande variedade de formas, este não é o caso com as partes duras no pé, e exceto pelo opérculo (o “alçapão” que serve como uma tampa quando o animais se retrai à sua concha) nenhum outro gastrópodo tem outras estruturas mineralizadas no pé. No entanto Chrysomallon squamiferum tem milhares de escamas!

Crédito da foto: http://www.dpc-mother.com/gallery/scaly-foot.html

A concha, apesar de não ser particularmente excitante em sua forma, não é exatamente comum como a camada mais externa é feita de sulfeto de ferro. E assim são as escamas. Então, esse animal inteiro é coberto de composto de ferro, principalmente pirita (FeS2, ou “ouro de tolo”) e greigita (Fe3S4). Como a greigita é magnética, o animal realmente adere aos ímãs. A função das escamas é tida como de proteção ou desintoxicação, mas seu verdadeiro uso permanece um mistério.

Crédito da foto: http://www.dpc-mother.com/gallery/scaly-foot.html

Crédito da foto: http://www.dpc-mother.com/gallery/scaly-foot.html

Crédito da foto: http://www.dpc-mother.com/gallery/scaly-foot.html

Crédito da foto: http://www.dpc-mother.com/gallery/scaly-foot.html

Fonte: 1 2

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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