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O império do Conde Drácula

O império do Conde Drácula

O cenário não é de nenhum filme de terror, mas que parece, parece. De repente, no alto da montanha, à beira de um precipício e envolto numa constante bruma surgem as torres salientes de um grande castelo de século 14. Os visitantes se aproximam pela estradinha sinuosa e o clima começa a ficar tenso. “Aqui” dispara o guia, “viveu o Conde Vlad, herói de muitas guerras no passado e famoso pelo jeito torturante com que liquidava os seus inimigos. “Silêncio total. O guia prossegue: “Aqui viveu o mais famoso e, ao mesmo tempo, sanguinário personagem da História da Romênia, uma pessoa capaz de mandar matar enquanto sentava-se para jantar.” O tom não chega a ser assustador, mas a história sim. O guia, então, dispara o bote final. “Aqui, nasceu uma lenda. Aqui viveu Drácula”. A última frase soa um tanto exagerada, mas não chega a ser de todo mentirosa: ao que tudo indica, o castelo é mesmo o do famoso personagem. Ou, pelo menos, de quem o inspirou.

Vlad_Tepes

Conde Vlad, o Empalador

Sim, o mais célebre dos vampiros não passou de uma invencionice da cabeça do escritor irlandês Bram Stoker, em 1897. Mas para montá-lo o autor se baseou num homem de verdade, o terrível Conde Vlad, ex-imperador da Valácia, a mais intrigante das regiões da Transilvânia, no norte da Romênia, onde até hoje se impõe o seu gigantesco castelo, de quatro andares e 57 quartos – todos agora transformados numa espécie de hotel dos horrores.

Durante os vinte anos em que reinou na região por três vezes, em 1448, de 1456 a 1462 em 1476, Vlad acumulou um título, dois sobrenomes e cerca de 100 mortes, quase todas iguais: a vítima era colocada sobre uma lança pontiaguda no ânus, de forma que, com o peso do próprio corpo, as suas entranhas fossem sendo lentamente dilaceradas. O método, um dos mais cruéis já inventados pelo homem, recebeu o nome de empalamento e rendeu ao seu mais fervoroso praticante o título de “O Empalador”, ou Tepes, em romeno, como o Conde Vlad passou a ser chamado, apesar do seu sobrenome original ser ainda pior. Vlad nasceu Dracules, ou filho de Dracul, uma palavra derivada do alemão drachen (da Real Ordem dos “Dragões”, da qual o pai dele fazia parte), mas que, coincidentemente, significava “demônios” na língua local. Durante toda a sua vida, Vlad fez juz ao sobrenome. E embora tenha sido uma espécie de herói nacional pela maneira com que combateu as invasões turcas na região, ficou mesmo muito mais conhecido pela violência e sadismo com que tratava os seus inimigos. Daí a arrepiante fama do nome Dracul, quatro séculos depois imortalizados na obra de Stoker.

Para compor o Drácula da ficção, o autor misturou velhas lendas sobre criaturas bebedoras de sangue da região com características reais do Conde Vlad. Como, por exemplo, o seu sombrio castelo nos arredores de Bran, minuciosamente descrito no livro do irlandês. Mesmo assim, ainda existem controvérsias sobre a verdadeira ligação entre o castelo e o Conde. Enquanto alguns historiadores sustentam que o nobre jamais passou por lá, outros garantem que ele não só frequentou o lugar como chegou a ficar preso numa de suas celas, em 1462. Acredita-se que tenha passado dois dias fechado nas masmorras enquanto os otomanos controlavam a Transilvânia. Ninguém sabe qual das duas versões é a correta. Mas todos concordam que, independentemente de onde viveu, o Conde nasceu em 1431 numa casinha no centro da vizinha cidade de Sighisoara, onde, aliás, hoje funciona um restaurante cuja especialidade é uma sugestiva sopa vermelha de beterrabas.

Casa onde nasceu o Conde Vald em 8 de novembro de 1431

Casa onde nasceu o Conde Vald em 8 de novembro de 1431

Até o século passado, Sighisoara era o lugar mais procurado da Transilvânia, graças a sua formidável arquitetura medieval. Hoje, no entanto, a cidade só vive em função do famoso vampiro e a única fachada que realmente atrai a curiosidade dos turistas é a do seu palácio, na vizinha região de Bran. Para os visitantes, Drácula até pode ter sido pura invenção. Mas o seu castelo, não.

Morte

Conde Vlad foi morto em batalha contra os turcos perto da pequena cidade de Bucareste em 14 de dezembro de 1476. Algumas fontes indicam que ele foi assassinado por burgueses valaquianos desleais quando ele estava prestes a varrer os Turcos do campo de batalha. Outras fontes dizem que Conde Vlad caiu vencido rodeado pelos corpos dos leais guarda-costas (as tropas cedidas pelo Príncipe István da Moldávia permaneceram com Conde Vlad mesmo após István Báthory ter voltado à Transilvânia). Outra versão é a de que Conde Vlad foi morto acidentalmente por um de seus próprios homens no momento da vitória.

O corpo de Draculea foi decapitado pelos Turcos e sua cabeça enviada à Constantinopla, onde o Sultão a manteve em exposição em uma estaca como prova de que o Empalador estava morto. Ele foi enterrado em Snagov, uma ilha monastério localizada perto de Bucareste. Em 1931, quando arqueólogos escavaram o túmulo, não encontraram nada, apenas ossos de animais, o que contribuiu para o mistério.

O Castelo

O Castelo de Bran, fica localizado próximo de Bran (na vizinhança da cidade de Brasov, no condado com o mesmo nome), é um monumento nacional e marco histórico da Romênia. A fortaleza situa-se na fronteira entre a Transilvânia e a Valáquia, pela estrada 73, encravado na floresta no sopé dos Cárpatos.

Em 1212, os cavaleiros da Ordem Teutônica construíram o castelo de madeira de Dietrichstein como uma posição fortificada na região de Ţara Bârsei, à entrada do vale pelo qual os mercadores haviam viajado por mais de um milênio, embora este edifício tenha sido destruído, em 1242, durante a Invasão mongol da Europa. O primeiro documento que menciona o Castelo de Bran é um ato emitido por Luís I da Hungria, datado de 19 de Novembro de 1377, pelo qual o rei concedia aos saxões de Kronstadt (Braşov) o privilégio de construir a cidadela de pedra; a instalação de Bran começou a desenvolver-se na vizinhança. O castelo começou por ser usado na defesa contra o Império Otomano em 1378, e mais tarde tornou-se um posto aduaneiro no passo de montanha entre a Transilvânia e a Valáquia.

O castelo pertenceu, por um curto período, a Mircea I da Valáquia. Acreditasse que o Conde Vlad, utilizou em várias ocasiões este castelo com fins militares durante o seu reinado, no século XV. A associação a este governante, aliada às suas torres pontiagudas e à sua localização remota, tem rendido fama ao castelo, uma vez que o local constitui um cenário perfeito para um filme de terror.

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No entanto, não há nenhuma evidência de que Stoker sabia sobre este castelo, este que tem apenas associações tangenciais com o Conde Vlad, a inspiração suposta para Drácula. Como descoberto mais tarde pelo autor holandês Hans Corneel de Roos, a locação que Stoker tinha em mente para o Castelo do Drácula, enquanto escrevia seu romance era um topo de montanha, o Monte Izvorul Călimanului, a 2.033 m de altitude, localizado nos Alpes Kelemen, na Transilvânia, perto da antiga fronteira com a Romênia.

O castelo abriga um museu aberto ao público, exibindo peças de arte e mobiliário colecionados pela Rainha Maria. Os turistas podem ver o interior em visitas livres ou guiadas. Ao fundo da colina situa-se um pequeno parque museu ao ar livre, o qual exibe estruturas camponesas tradicionais da Romênia, como cabanas e celeiros, representando todo o país. Em 2009, passou a ser propriedade dos herdeiros da casa real do país, Dominc, Maria Magdalena e Elisabeth. Em 2014, o castelo estava a venda por 58 milhões de euros.

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Fontes: Revista Terra nº 9

Outras fontes: 1 2

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1 Comentário

  1. Jose Silval

    4 de agosto de 2017 às 13:55

    Gostaria de conhecer e validar a história.

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