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O obscuro legado da Ilha de Gruinard

O obscuro legado da Ilha de Gruinard

A pequena Ilha de Gruinard em forma oval, tem cerca de dois quilômetros de comprimento por um quilômetro de largura, e está localizada na baía de Gruinard, a meio caminho entre as aldeias de Gairloch e Ullapool, no noroeste da Escócia. O ponto da ilha mais próximo do continente é de um quilômetro e ao visualizá-la do continente, a ilha parece tranquila e pacífica. Mas na década de 1940, a história do lugar era bem diferente.

Foi na Ilha de Gruinard que em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, uma equipe de cientistas militares britânicos do Departamento de Biologia de Porton Down do Reino Unido, demonstrou a Winston Churchill a letalidade do carbúnculo (antraz) e a viabilidade de usar bactérias mortais como agente ativo em armas biológicas.

O antraz é uma doença infecciosa aguda provocada pela bactéria Bacillus anthracis, e é um dos agentes mais conhecidos da guerra biológica, e um dos mais temidos. A inalação de esporos do antraz induz sintomas gripais, como febre, tosse, dor torácica e falta de ar quando o líquido se acumula na cavidade torácica. Quando não tratado, as condições do paciente rapidamente se deterioram, resultando em uma morte rápida dentro de 48 horas. A ingestão dos esporos causa diarreia, sangramento interno, dores abdominais, náuseas e vômitos. É através da inalação que o antraz é mais fatal, com taxa de mortalidade de 80%, mesmo com o paciente recebendo tratamento médico. O Bacillus anthracis foi descoberto por Louis Pasteur em 1879.

O antraz foi usado pela primeira vez em forma de arma na Primeira Guerra Mundial, por rebeldes nórdicos contra o Exército Imperial Russo na Finlândia, embora não se conheça a efetividade da incidência. A primeira experimentação humana foi feita pela notória Unidade 731 do exército japonês durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa na década de 1930. Milhares de prisioneiros de guerra morreram depois de serem intencionalmente infectados com a bactéria.

O obscuro legado da Ilha de Gruinard

Nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, os aliados começaram a pesquisar o antraz. Os cientistas britânicos sabiam que a bactéria era extremamente resistente e podia sobreviver em condições difíceis por décadas ou mesmo séculos. Então, eles precisavam de uma ilha remota e desabitada onde poderiam realizar testes – uma que poderia ser mantida em quarentena. A Ilha de Gruinard foi considerada adequada aos propósitos.

Em 1942, cerca de oitenta ovelhas foram levadas para a ilha e bombas carregadas com antraz seco foram espalhadas perto de onde as ovelhas estavam amarradas. A cepa de antraz escolhido para o teste é uma linhagem altamente virulenta chamada “Vollum 14578”. Dentro de poucos dias de exposição, as ovelhas caíram todas mortas. Foi um bacteriologista canadense que primeiro isolou essa cepa, de uma vaca em Oxfort, na Inglaterra.

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Os cientistas britânicos concluíram que uma grande liberação de esporos de antraz sobre as cidades alemãs não só eliminaria uma grande parte da população, mas também tornaria as cidades inabitáveis por décadas depois. Tal plano se chamava “Operation Vegetarian” ou Operação Vegetariana, um plano diabólico para jogar bolos de linhaça infectados em campos alemães. Esse bolos seriam comidos pelos animais, que seriam então consumidos pela população civil, causando a morte de milhões de cidadãos alemães. Além disso, o antraz eliminaria a maioria do gado da Alemanha, criando uma enorme escassez de alimentos para o resto da população.

Cinco milhões de bolos foram preparados para serem jogados na Alemanha. Alguns desses bolos foram testados nas ovelhas na Ilha de Gruinard. A Operação Vegetariana só entraria em ação se as suspeitas de que a Alemanha usaria armas biológicas contra a Inglaterra se confirmasse. Como isso não ocorreu, os bolos com antraz não foram usados e foram incinerador no final da guerra.

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Uma vez finalizados os testes, a ilha foi declarada em quarentena e qualquer entrada humana foi proibida por mais de 40 anos. A contaminação por antraz foi tão forte e duradoura que as autoridades consideravam inviável a descontaminação do local na época. Em 1981, em uma intervenção clandestina chamada Dark Harvest Operation (Operação Colheita Oscura), um grupo de microbiologistas roubou 140 quilos de amostras de solo infectado da ilha e ameaçou depositá-las em sedes governamentais se as autoridades não procedessem a limpeza da ilha. Um pacote selado de solo foi deixado fora da instalação de pesquisa militar em Porton Down e as análises do solo comprovaram que havia bacilos de antraz.

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A partir de 1986, foi deito um esforço para descontaminar a ilha: 280 toneladas de solução de formaldeíco diluída em água do mar foram pulverizados em todos os 196 hectares da ilha e a camada superficial mais contaminada em torno do local da dispersão foram removidas. Um bando de ovelhas foi então colocadas para pastar no lugar e manteve-se saudável. Em abril de 1990, após 48 anos de quarentena e quatro anos após a aplicação da solução, o ministro júnior de Defesa, Michael Neubert, visitou a ilha e anunciou sua segurança, removendo as placas de alerta. Em maio de 1990, a ilha foi recomprada pelos herdeiros do proprietário original pelo preço de venda original de 500 libras. A partir de outubro de 2007, não houve casos de antraz no rebanho da ilha.

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O ministro júnior de Defesa, Michael Neubert, removendo o último sinal de alerta para a ilha Gruinard, na costa oeste da Escócia.

Fontes: 1 2 3

“A lei de ouro do comportamento é o respeito mútuo, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira e que não vemos senão uma parte da verdade e sob ângulos diferentes”. – Mahatma Gandhi

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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