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O reluzente mausoléu Shah-e-Cheragh

O reluzente mausoléu Shah-e-Cheragh

A cidade histórica de Shiraz fica no sudoeste do Irã, sendo a capital da província de Fars. A cidade está situada a 1.486 metros de altura acima do nível do mar, na planície que leva seu nome, e tem uma população de 1.700.000 habitantes. Fundada no século 7, foi capital do Império Zand entre 1750 e 1794, e depois os Qajars (família real iraniana) transferiram a capital para Teerã, que fica à 920 km. Shiraz é conhecida como a cidade dos poetas, dos jardins e dos rouxinóis, além do vinho que também leva seu nome. A uva ainda é cultivada na região, mas apenas para exportação: a produção de vinho para consumo interno, parou com a revolução islâmica. Shiraz é o lugar de nascimento de dois grandes poetas: Sadi e Hafiz, cujos livros são uns dos mais importantes recursos literários do Irã. Além dos poetas, é o berço de outros nomes importantes, como Sibwie, Ibn, Moqata, Mula Sadra, Qotb ao Din Shirazi e outros.

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A Mesquita e mausoléu Shah-e-Cheragh (que significa: Rei da Luz), contém os túmulos de pessoas importantes no islamismo xiita, entre eles, o túmulo de Sayyed Ahmad Mir, um irmão de Imam Reza (765-818), ele próprio um dos doze imãs considerados pelos xiitas como os descendentes do Profeta, que morreu em 835. Originalmente, os túmulos eram apenas simples mausoléus e tornaram-se um importante destino de peregrinação no século 14, quando a Rainha Tash Khatun, que era apaixonada por arte, ergueu uma mesquita e uma escola teológica nas cercanias dos túmulos. Após a realização de reparos básicos, a rainha ordenou que o mausoléu fosse coberto com milhões de pequenos pedaços de espelhos coloridos, tornando Shah-e-Cheragh uma das mais belas mesquitas e um importante centro de peregrinação.

Uma lenda diz que o nome do santuário Shah-e-Cheragh foi dado devido a descoberta do local por Ayatullah Dastghā’ib que numa noite, viu uma luz a distância e resolveu investigar. Ele descobriu que a luz vinha de uma sepultura num antigo cemitério e quando escavou o local, achou um esqueleto usando uma armadura e este estava usando um anel com uma inscrição que dizia: “al-‘Izzatu lillah, Ahmad bin Mūsā“, e então, ele soube que aquele era a sepultura dos filhos de Mūsā al-Kādhim.

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A imensa mesquita é ladeada por dois minaretes e coberta por uma cúpula de mosaico incrustado com ouro, e está localizado na ala oeste. Na entrada, altos beirais estão apoiados por colunas octogonais de madeira grossa, que são totalmente esculpidas. A entrada é guardada por uma porta pesada, revestida com ouro e esmalte com um painel de vidro no centro. Os peregrinos beijam e acariciam a porta por onde entram, mulheres sempre a direita. No interior, a enorme cúpula acima do santuário é incrustada com centenas de milhares de pedaços de vidros finamente trabalhados, recortados na forma de losango, e as paredes internas cobertas com pedaços de uma infinidade de espelhos brancos, verdes, amarelos, vermelhos e azuis, intercaladas com vidros de tons mais pálidos e mosaicos feitos com pedaços de azulejos.

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Janelas altas e grandes que descem ao chão, são em grande parte compostas de mosaicos de vidro colorido que se refletem nos mosaicos de espelhos. Embutidas nas paredes em todos os lugares estão versos do Alcorão escritos em papel de seda e emoldurados. O piso de mármore verde é coberto com tapetes iranianos vermelhos grossos e magníficos lustres de cristal pendem do teto acima.

No centro, sob a cúpula, encontra-se o túmulo de Sayyed Ahmad Mir. A lápide de mármore, coberta por uma estrutura larga e pintada com laca está rodeada por aberturas de vidro que mostram o interior. Os versos do Alcorão estão escritos em letras douradas sobre um fundo azul, e as flores estão embutidas ou esculpidas no metal. Em outro canto está o túmulo de Mir Muhammad, que tem a mesma aparência, mas muito menor do que o túmulo de seu irmão mais velho.

Os túmulos dos irmãos foram construídas no século 12 pelo ministro-chefe do monarca Atabeg Abu Said Zangi, que também construiu a câmara da tumba, a cúpula e uma varanda com colunas na frente do prédio. A mesquita permaneceu assim durante cerca de 200 anos antes de mais trabalho ser iniciado pela rainha Tash Khatun durante os anos de 1344-1349. Foi ela que mandou construir um edifício adjacente, com sala de audiência, uma universidade, e um túmulo para si mesma no lado sul. Ela também apresentou um Alcorão único de trinta volumes, escrito em caracteres dourados com decoração de ouro. Nada resta dos edifícios criados pela rainha, mas o Alcorão permanece e está guardado no Museu Pars, também em Shiraz.

Durante o decorrer dos anos, a mesquita passou por vários reparos, muitos pelos danos causados por diversos terremotos, que são comuns no Irã. Em 1958, cúpula original foi removida e no lugar colocado uma estrutura de ferro, mais leve e para durar mais tempo. O atual edifício é composto pelo pórtico original com suas dez colunas em madeira, no lado oriental, um santuário espaçoso com alcovas elevadas nos quatro lados, uma mesquita no lado oeste do santuário e várias salas e quartos.

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Fontes: 1 2 3

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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Me chamo Júlio César e moro em Porto Belo, Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, uma revista digital feita para pessoas que gostam de ler e saber mais profundamente sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos pelo mundo afora, bem como lendas, eventos e outros assuntos inusitados.

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