Naufrágios

O triste fim do Mar sem Fim

O triste fim do Mar sem Fim

A imagem sinistra deste barco afundado na Baía de Fildes, na ilha Rei George, na Antártica, foi amplamente divulgada em centenas de sites e blogs e na maioria desses sites, o assunto é lugares e coisas abandonadas, mas poucos contam a história do barco, se limitando apenas a exibir a imagem e dando alguns detalhes sobre a sua localização. O barco em questão era o barco brasileiro de pesquisa Mar Sem Fim com 76 pés, que afundou no dia 07 de abril de 2012, esmagado por blocos de gelos, exatamente um mês após zarpar de Ushuaia, na Argentina.

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“Marzão”, como era carinhosamente chamado o barco, é um trawler avaliado em US$ 700 mil de propriedade do jornalista e pesquisador João Lara Mesquita de 56 anos, dono da Rádio Eldorado (atual Estadão) e era a segunda viagem do barco pela Antártica para a produção de uma série de documentários das consequências do aquecimento global no continente gelado. No barco estavam o proprietário e mais três tripulantes, Pedro (Pedrão) Camargo (que deu lugar a Plínio Romeiro Jr. às vésperas do dia fatídico) e os marinheiros Alonso Goes e Manuel de Souza.

Dias antes do afundamento, o barco começou a fazer um barulho estranho, vindo do eixo do motor e a tripulação achou que se tratava de alguma linha de pesca ou algum cabo enrolado na hélice e depois de mergulhar um celular a prova de água, para filmar a hélice, foi constatado que se tratava de uma bucha fora do lugar, mas que precisariam de ajuda para consertá-la e então, se dirigiram a base argentina de Carlini na ilha Rei George, no arquipélago Shetland do Sul, para que mergulhadores argentinos fizessem o conserto.

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Após o conserto, a previsão do tempo indicava ventos fortes para os próximos dias e zarparam no dia 02 de abril em direção a Fields Bay e dias depois ancoraram na Baía Fildes, mas a previsão do tempo continuava nada animadora e era esperado um furacão com ventos de 80 nós e ondas com mais de 10 metros de altura para os dias seguintes. Preocupado com a tripulação, o capitão João Lara decidiu abandonar o barco e seguir rumo a base chilena Presidente Eduardo Frei Montalva, localizado na mesma baía.

O capitão do Mar Sem Fim descreve o clima a bordo:

“Tensão, frio na barriga, sensação de pequenez diante da poderosa força dos elementos que nos cercam: frio glacial, ventania, ondas desencontradas, barulhos estranhos e incomuns.”

No dia seguinte, a baía onde o “Marzão” estava fundeado, estava cercada de blocos de gelo trazidos pelo furacão da noite anterior, com o barco preso entre eles, e sem poder fazer nada para salvar o barco, a tripulação teve que se contentar em vê-los sendo esmagado pelo gelo e afundar aos poucos, até finalmente sumir de vez na água e repousar nove metros abaixo.

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O Mar Sem Fim foi vítima de um fenômeno meteorológico chamado “jato frio inercial”, que potencializa as três piores condições da Antártica. O frio, que já é absurdo, desce ainda mais. O vento, que já é forte, vira vendaval, soprando blocos de gelo para a baía. O acúmulo de gelo acabou provocando uma fissura no casco, e o trawler, de 76 pés, começou a fazer água e afundou. Com receio do impacto ambiental com o vazamento de parte dos 8.000 litros de óleo diesel que o barco afundado pudesse causar, João Lara Mesquita teve que esperar o verão da Antártica e consequente derretimento do gelo para iniciar a operação de resgate do casco e contratou um empresa especializada e um ano depois do dramático naufrágio, o barco volta a tona, amarrado em boias.

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“É maravilhoso ver flutuar novamente este barco que tanto prazer me deu na vida”, comentou o seu capitão – o jornalista João Lara Mesquita –, comovido com a imagem do casco notavelmente preservado, pelas condições do ambiente (as águas eternamente geladas da Antártica) propícias à conservação, sem plantas ou incrustações.

Após o resgate, o barco de alumínio foi rebocado para Punta Arenas, no extremo sul do Chile, onde seria desmontado e reciclado, encerrando de vez sua jornada.

Barco

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Afundamento

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Para saber mais, João Lara Mesquita lançou o livro “A Saga do Mar sem Fim”, que conta o envolvimento com barcos desde pequeno, a viagem pela costa brasileira e na Antártica o naufrágio e resgate de sua embarcação.

 

Fontes: 1 2

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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Ver Comentários (2)

2 Comentários

  1. Leopoldo Abi-Eçab

    11 de abril de 2016 às 11:32

    Para mim o artigo foi educativo e esclarecedor.

  2. Marco

    23 de julho de 2016 às 08:36

    Muito claro o artigo. E apaixonante pois transmite a sensação de tristeza que os tripulantes tiveram. Parabéns!!!

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