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Os estranhos abrigos de ônibus

Os estranhos abrigos de ônibus

O fotógrafo canadense Christopher Herwig, viajou de norte a sul, leste ao oeste pela ex-repúblicas da extinta União Soviética fotografando curiosos abrigos de ônibus que ele já havia visto anos atrás, quando fazia uma viagem de bicicleta cruzando a Europa. Estes abrigos inusitados são de estilos arquitetônicos diferente de tudo que você já viu em qualquer outro lugar do planeta.

A notável diversidade e criatividade vistos nesses abrigos de ônibus é ainda mais estranha quando você considera o fato de que eles foram construídos numa época em que o sistema de governo soviético era geralmente associado a um estilo de arquitetura padronizado e bruto, onde se levava em conta a massificação das construções, inibindo o individualismo e a criatividade. E este é exatamente a razão pela qual você não vai encontrar paradas de ônibus como essas em nenhum outro lugar da Terra, apenas nos países que compuseram a União Soviética. Esses abrigos nas beiras de estradas foram uma preciosa oportunidade para os artistas e arquitetos se expressarem e se libertarem da monotonia na arquitetura local.

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Os abrigos de ônibus eram um dos poucos tipos de construções que tinham uma certa autonomia na máquina de planejamento centralizado. Na verdade, era uma exceção ou talvez um esquecimento do governo soviético em controlar tais edificações, deixando-as sem restrições de design, ou mesmo limite de orçamento, e isto permitiu que os arquitetos soltassem a imaginação e criatividade. Em vez de um projeto padronizado, como se vê e muito nas construções feitas pelo governo soviético, podes-se encontrar mais de mil paradas de ônibus, em criações únicas e, por vezes caprichosas. Elas representam uma mistura de estilos, formas e tamanhos, desde simples edificações de madeira, a complexas construções em concreto, com formas geométricas elegantes e variadas ou templos em miniatura de expressão simbolista.

O escultor e arquiteto georgiano Zurab Tsereteli, que projetou algumas das estruturas mais elaboradas em torno de Pitsunda, no Mar Negro, relembra, “Eu sugeri que essas paradas de ônibus não deveriam ser apenas um quadrado de vidro com assento. As pessoas deveriam ter prazer em olha-las ou mesmo usá-las. Decidimos que deveriam ser arte monumental no espaço“, disse o arquiteto ao Jornal The Guardian. Zurab Tsereteli, mora em Moscou e é presidente da Academia das Artes da Rússia.

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Para o fotógrafo Christopher Herwig que levou doze anos para fotografar os pontos de ônibus durante o qual, viajou por 14 países e cobriu mais de 30.000 km, virou quase uma obsessão. Em 2002, durante sua viagem de bicicleta de Londres a São Petersburgo na Rússia, ele que começou a catalogar as paradas de ônibus e depois entre 2003 e 2006, morando no Cazaquistão, pode viajar pelas ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central: Quirguistão, Uzbequistão, Tajiquistão, Turquemenistão e Cazaquistão.

Ele conta em seu site, que nesses países, encontrou abrigos de ônibus mais fascinantes, muitas vezes no meio do deserto, estepes ou campos, e o mais estranho, sem sinal de vida humana por perto. Vários desses países têm pouca liberdade de expressão e de imprensa. Os turistas são raros e os vistos para os fotógrafos eram difíceis de conseguir. Apesar dos seus esforços em não levantar suspeitas, em diversas ocasiões, foi acusado de ser um espião, mas alega que isto adicionou um tempero a mais na aventura e fizeram com que, cada novo ponto de ônibus encontrado fosse mais precioso, que o outro. Em Abkhazia, um motorista de táxi acusou-o de ser um agente secreto da Geórgia e estar fotografando material proibido. Tentou convencê-lo de que estava ali somente para fotografar as bonitas paradas de ônibus, mas foi em vão e o motorista exigiu um suborno, caso contrário, o denunciaria aos militares. No fim, Christopher ficou feliz em concluir sua jornada sem nenhum incidente mais grave, e mais feliz ainda, por ter capturado em fotos, algumas das paradas de ônibus mais excepcionais e insanas que existem no mundo, mesmo que para isso, precisou muitas vezes, levar o cartão de memória de sua máquina fotográfica, escondido na cueca. O livro que reúne as fotos do fotógrafo pode ser adquirido no site Amazon.

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Todas as fotos ©Christopher Herwig

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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