Nas pastagens do sul da África, ocorre um fenômeno geomórfico conhecido como “círculos de fadas” ou “anéis de fadas“. As lendas locais dizem que tais fenômenos são pegadas dos deuses, outros acreditam que são pontos de aterrissagem de OVNIs, e os cientistas têm suas próprias teorias, mas a verdade é que ninguém sabe ao certo, como os círculos de fadas que pontilham o deserto costeiro da Namíbia surgiram.

Círculos de fadas são trechos circulares sem vegetação uniformemente distribuídas em pastagens áridas do Deserto do Namibe. O tamanho dos círculos varia de 1,5 a 6 metros de diâmetro no centro do deserto, enquanto no noroeste da Namíbia, eles são aproximadamente quatro vezes maiores – e podem chegar a 25 metros de largura, e ocorrem em meio a vegetação gramínea, comumente espécies do gênero Stipagrostis.

São encontrados tanto nas planícies de cascalho quanto nas dunas, os círculos de fadas mantêm sua forma circular quase perfeita nos dois tipos de terreno. Os círculos encontram-se numa faixa a cerca de 160 quilômetros para o interior, estendendo-se ao sul de Angola por cerca de 2.400 quilômetros, até a província do Cabo Noroeste da África do Sul. Localizado em um trecho de terra remoto e inóspito que fica a mais de 160 quilômetros da vila mais próxima.

Os círculos foram reconhecidos e informalmente comentados por muitos anos, sendo mencionados pela primeira vez na literatura técnica na década de 1920 e intermitentemente depois com a intensidade do estudo aumentando durante o último quarto do século 20.

Até 2014, tais círculos eram conhecidos por ocorrerem apenas ao longo do deserto da Namíbia, no sul da África, mas então formações quase idênticas foram descobertas perto da cidade mineira de Newman, no oeste da Austrália. Mesmo assim, os círculos de fadas da Namíbia continuam sendo os mais famosos e fascinantes para os cientistas que os estudam desde os anos de 1970.

Embora a origem destas formações não seja clara, os círculos são velhos conhecidos da população local. O povo Himba acredita que eles são feitos por espíritos – ou melhor, são pegadas deixadas por seu deus, Mukuru. Outra lenda local, diz que são causadas por um dragão que vive abaixo da crosta terrestre cujo sopro de fogo borbulha para a superfície, queimando a vegetação em círculos quase perfeitos.

Outras teorias dizem que o fenômeno é causado por formigas, cupins, solo radioativo ou toxinas secretadas pela Damara euphorbia, uma planta endêmica venenosa. Além das explicações místicas e de ficção científica como fadas dançando nos círculos e impedindo o crescimento da vegetação, ou OVNIs pousando no deserto à noite, existem várias explicações plausíveis de porque os círculos de fadas existem.

Estudos mostram que esses círculos passam por um ciclo de vida de cerca de 30 a 60 anos. Atingindo um pico de diâmetro médio de 12 metros, após o qual amadurecem e “morrem” à medida que são invadidos, principalmente por gramíneas.

Pesquisas feitas em 2013 pelo professor de biologia alemão Norbert Juergens, da Universidade de Hamburgo, descobriu que o fenômeno intrigante é, na verdade, o resultado de sofisticada engenharia ecológica do cupim de areia (Psammotermes allocerus).

O cupim da areia foi encontrado em 80-100% dos círculos e em cem por cento dos círculos recém-formados e foi o único inseto a viver em toda a extensão do fenômeno. Os cupins criam o círculo de fadas consumindo a vegetação e cavando o solo para criar o anel. O círculo árido permite que a água se infiltre no solo arenoso e se acumule no subsolo, permitindo que o solo permaneça úmido mesmo nas condições mais secas.

A grama cresce nas bordas do círculo devido à água subterrânea armazenada, da qual os cupins se alimentam e aumentam lentamente o tamanho do círculo. Por causa desse comportamento, os cupins da areia cultivam suas próprias fontes de alimento e água, criando um ecossistema local de maneira semelhante ao castor comum.

O biólogo da Universidade Estadual da Flórida, Walter R. Tshinkel, que também pesquisou os círculos de fadas, desafiou as descobertas de Juergens, dizendo que ele “cometeu o erro científico comum de confundir correlação (até mesmo correlação muito forte) com causalidade”. Anteriormente, Tschinkel havia procurando cupins colhedores sem sucesso. Tschinkel defende a ideia que as gramíneas que formam o anel estariam sugando os nutrientes existentes na parte central dos círculos, matando as plantas.

.Juergens lhe respondeu dizendo que ele estava “procurando os cupins errados”. Os cupins da areia são diferentes dos cupins colhedores e vivem nas profundezas do círculo, não criam montes ou ninhos acima do solo e se movem de forma a não deixar rastros na areia.

O debate já existe há algum tempo quanto à causa da formação dos círculos e é provável que continue no futuro. O povo Himba, entretanto, não se preocupa. Para eles, não há nada a explicar: os círculos são “pegadas dos deuses”.

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