Os vegetais gigantes do Alasca

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Em Palmer, a 68 quilômetros de Anchorage no Alasca, Estados Unidos, todos os anos acontece a “Alaska State Fair“, uma feira agrícola em que alguns vegetais gigantes batem todos os recordes em tamanhos. Agricultores do vale de Matanuska-Susitna, produzem e exibem repolhos de 63 quilos, abóboras de 29 quilos e brócolis de 15 quilos e outros vegetais que são tão grandes que mal se consegue reconhece-los.

Se perguntado a especialistas de o porquê deste crescimento anormal nos legumes do Alasca, vão dizer que neste estado americano há uma maior incidência de luz solar, em torno de 20 horas diárias. Mas essa teoria, no entanto, não convence a todos, uma vez que a registros de fazendas próximas, onde uma pode produzir monstros vegetais, enquanto a outra só consegue produzir em tamanhos normais.

Uma abóbora e um repolho gigante na Alaska State Fair em 2009

Uma abóbora e um repolho gigante na Alaska State Fair em 2009 | Crédito da foto

No Alasca normalmente o período de crescimento dos vegetais é muito curto, apenas 105 dias, em média. Para efeito de comparação, o período de crescimento na Califórnia é de cerca de 300 dias. No entanto, no Alasca não se tem longas noites, como na Califórnia. O estado está localizado perto do polo norte onde goza de até 20 horas de sol por dia, durante o verão e no pico do período de crescimento. As horas extras de luz solar permite que as culturas do Alasca se mantém crescendo mais tempo. Mesmo o período de crescimento ser mais curto do que o resto do país, os fazendeiros do Alasca conseguem produzir alguns dos maiores vegetais do mundo. Esse extra em luz solar também torna alguns vegetais mais doce. Cenouras do Alasca, por exemplo, gastam quase 3/4 do dia, enquanto o sol está disponível na produção de açúcar, e apenas o restante 1/4 de seu tempo é gasto em transformar esse açúcar em amido. Outros vegetais como repolho, brócolis, couve-flor, couve de bruxelas, rabanetes, nabos, batatas, beterraba, cenoura, espinafre, alface e outros crescem muito bem no Alasca.

Os repolhos gigantes da | Crédito da foto

Os repolhos gigantes que participaram de um concurso na Alaska State Fair de 2013. Os vencedores e seus repolhos juntos as mulheres conhecidas como fadas do repolho são: Da esquerda para a direita Brian Shunskis (35.108kg), Keevan Dinkel (41.867kg) e Scott Rob (41.776kg)| Crédito da foto

A agricultura no vale de Matanuska-Susitna originalmente começou como um experimento em 1930 para aumentar a produção agrícola do país durante a Grande Depressão. Mais de 240.000 acres foram reservados para a agricultura às famílias de Minnesota, Wisconsin e Michigan que foram trazidas para colonizar a terra. Mas a falta de infraestrutura e indisponibilidade de suprimentos básicos desencorajou os colonos e por volta de 1940, mais da metade da população tinha deixado o vale. Em 1965, restavam apenas 20 famílias. Embora a colônia não foi um sucesso, ela se tornou estável o suficiente para fornecer pastagens e agricultura para a região. Mesmo sem um aumento significativo na população, o vale de Matanuska não deixou de desenvolver-se como uma região agrícola produtiva. O rápido crescimento e o tamanho gigante de seus produtos hortícolas já se tornaram a marca registrada desta região.

Alaska produtor Brittney Kauffman detém dois abobrinhas ela entrou em uma competição vegetal gigante em 2013. Crédito da foto

Fazendeira Brittney Kauffman com dois abobrinhas que participaram da competição de vegetal gigante em 2013 | Crédito da foto

Já por outro lado, tem a história de John Evans que nasceu na Irlanda e diz que sempre gostou de mexer com plantas. Atento às orientações de sua avó, o jovem jardineiro logo se profissionalizou e, aos oito anos, já cultivava uma flor conhecida como “Sweet William” em grande escala e as vendia aos supermercados da região de Dungarvan, onde nasceu. Com o passar do tempo, Evans começou a estudar novas técnicas de cultivo, se tornou perito no assunto e se mudou para o Alasca, onde enxergou uma excelente oportunidade de negócio.

O local não era o mais propício para o cultivo tradicional, mas foi lá que o jardineiro passou a desenvolver vegetais gigantes. Repolhos com mais de 40 quilos, cenouras com mais de oito quilos e brócolis acima de 15 quilos podiam ser facilmente encontrados em suas lavouras. Os vegetais eram tão excepcionais que Evans decidiu participar de competições e hoje detém nada menos que nove recordes mundiais, além de 18 títulos norte-americanos e mais de 400 prêmios internacionais. O segredo do sucesso ele não revela nem sob tortura. A fórmula de seu fertilizante, tampouco. Quando perguntado, sempre diz, modestamente, que seus alimentos crescem mais que os outros devido à maior incidência solar no Alasca, em torno de 21 horas diárias. Esta teoria, no entanto, não convence, uma vez que não há registro de vegetais gigantes entre seus vizinhos.

Cabeça gigantesca de uma alface no estado justo Alaska | Crédito da foto

Cabeça gigantesca de alface sendo monitorad0 no Alaska | Crédito da foto

“Não existe segredo na agricultura. Eu entendo de terra e de seus nutrientes”, conta o botânico. “Estudo muito sobre o desgaste e a fertilidade do solo. Posso ver suas necessidades só de olhar. É como a alimentação humana e o metabolismo, o processo é o mesmo, por isso eu me interesso tanto. Agora estou estudando também os minerais marinhos, inclusive os microorganismos que vêm do mar. Isso pode ajudar muito no desenvolvimento das plantas. Ele diz que em sua fórmula secreta, contém micróbios do Alasca, que, segundo Evans, são capazes de revigorar qualquer solo, por mais pobre que seja. De acordo com o vendedor, o fertilizante natural é muito poderoso, e só precisa ser aplicado no início do ciclo, uma vez por safra. “Ganho muita sabedoria desenvolvendo estes produtos. É uma jornada sem fim em busca das novas informações que estão sempre surgindo. Você não pode parar, sempre tem algo novo aparecendo. A jardinagem mantém as pessoas humildes, esta é a verdadeira sabedoria”, completa Evans, de 59 anos, mais de 50 deles dedicados à agricultura.

Dale Marshall abraçando uma abóbora gigante pesando cerca de 807.39kg dentro de uma estufa em Anchorage

Dale Marshall abraçando uma abóbora gigante pesando cerca de 807.39kg dentro de uma estufa em Anchorage | Crédito da foto

 

Ashleena Roberts detém uma rena de escala ao lado de uma abóbora na Feira do Estado de Alaska concurso abóbora gigante | Crédito da foto

Ashleena Roberts entre duas abóboras gigantes participantes do concurso de abóboras gigantes da feira do Alasca | Crédito da foto

Nabos suecos na feira do Alasca de 2009 | Crédito da foto

Nabos suecos na feira do Alasca de 2009 | Crédito da foto

Vegetais no Estado Alaska Fair 2009 | Crédito da foto

Vegetais gigantes na feira no Alasca em 2009 | Crédito da foto

Outros vegetais gigantes pelo mundo

O israelense Yitzhak Yazdantana colheu um pepino de 1,18 metro na horta de sua casa em Petah Tikva, próximo a Tel Aviv, em 2009.

O produtor de abóboras Oliver Langheim posa em seu jardim com um exemplar de 320 kg do vegetal, em Fuerstenwalde, na Alemanha, em setembro de 2013. De acordo com ele, sua abóbora gigante cresceu de quatro a cinco quilos por dia.

Trabalhadores carregam uma abóbora de 900 kg para ser pesada durante a 40ª Annual Safeway World Championship Pumpkin Weigh-Off, em outubro de 2013, em Half Moon Bay, California. Gary Miller foi o grande ganhador da competição com essa abóbora gigante.

Peter Glazebrook segura uma cebola gigante vencedora do prêmio Flor de Outono, que premia os maiores legumes, flores e vegetais em Harrogate, na Inglaterra, em setembro de 2013.

O fazendeiro libanês Khalil Semhat segura batata doce gigante, em dezembro de 2008, na cidade de Tyre. O legume pesava 11,3 kg.

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Halterofilista se esforça para levantar abobrinha de 54,3 kg, produzida por Peter Glazebrook.

Menina observa um repolho maior que ela em um concurso realizado em Shepton Mallet, região rural da Inglaterra

Fontes: 1 2

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