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Palais Ideal, o castelo dos sonhos de um carteiro

Palais Ideal, o castelo dos sonhos de um carteiro

A história do carteiro Joseph Ferdinand Cheval (1836-1924) começa em 1879, quando ele tinha 44 anos e trabalhava como carteiro rural no sudeste Palais Ideal, o castelo dos sonhos de um carteiroda França. Sua rotina diária era andar 32 quilômetros entregando cartas aos produtores rurais. Um dia ele tropeçou numa pequena pedra calcária que o intrigou e decidiu leva-la para casa. Em sua autobiografia, ele disse:

“Havia tropeçado numa pedra que quase me fez cair. Foi um tropeço tão incomum que coloquei a pedra no bolso para admirá-la quanto estivesse em casa”.

E depois daquilo, catar pedras se tornou um vício, enchendo os bolsos com as pedras que ele encontrava pelo caminho. Mas sua esposa começou a reclamar, cansada de remendar seus bolsos, então ele mudou o modo de transportar pedras, usando um carrinho de mão.

E ao longo dos 33 anos seguintes, ele e sua esposa construíram, das pedras, um dos monumentos mais estranhos de todos os tempos, o Palácio Ideal ou Palais Idéal, que Cheval dizia ser o palácio dos sonhos e dos contos de fadas que ele tanto imagina em suas caminhadas como carteiro. Pela sua contagem, ele e a esposa levaram mais de 9.000 dias ou 65.000 horas. “Eu queria provar que a força de vontade pode conseguir tudo“, comentou Cheval sobre sua obra. Sua inspiração veio dos cartões postais e nas primeiras revistas ilustradas da época, que ele entregava como carteiro.

Palais Ideal, o castelo dos sonhos de um carteiro

A construção tem 26 metro de comprimento e uma altura que varia de 8 a 10 metros. O Palais é uma mistura de diferentes estilos, com inspirações do cristianismo ao hinduísmo. Há uma versão de um templo hindu ao lado de um chalé suíço, ou um prédio típico da Argélia ao lado de um castelo medieval, e em algum lugar no meio disso tudo, também tem uma mesquita árabe. “Meus mentores espirituais, foram Júlio César, Arquimedes e Vercingétorix“, Cheval disse um dia.

Palais Ideal, o castelo dos sonhos de um carteiro

Em 1912, com a idade de 77 anos, ele finalmente decidiu que seu sonho estava concluído e sua obra começou a chamar a atenção internacional e foi destaque na mídia, saindo em cartões postais e revistas e as pessoas vieram de longe para ver este edifício surpreendente. O bizarro palácio leva 150.000 visitantes por ano para a cidade de Hauterives, norte de Valence, França. Palais Idéal foi classificado Monumento Histórico em 1969 por André Malraux (Ministro dos Assuntos Culturais 1959-1969), indo contra a opinião de todos do Departamento de Cultura, que achavam a construção de Cheval bizarra e de mal gosto e um deles comentou na época “A coisa toda é absolutamente medonha. Uma pilha deplorável das insanidades que passam no cérebro de um homem rude”.

Palais Ideal, o castelo dos sonhos de um carteiro

Apesar de Cheval ter colocado a pequena cidade de Hauterives no mapa, a prefeitura negou o seu pedido para ser enterrado, juntamente com sua esposa, no palácio. Sem desanimar, ele voltou a trabalhar e em 1914 começou a construir uma segunda estrutura, menor no cemitério local. Nessa, ele passou oito anos construindo o que ele chamou de “Le Tombeau du Silence et du sans fin repos”, traduzindo algo como: “O túmulo do silêncio e descanso sem fim”. Dois anos após a sua conclusão e apenas alguns dias depois que ele terminou de escrever sua autobiografia, Cheval morreu e foi enterrado nesta nova estrutura e que fica a um quilômetro de Hauterives.

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Estrutura que Ferdinand Cheval construiu no cemitério local para ser enterrado junto com sua esposa

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A estrutura no cemitério, Cheval chamou-a de “Le Tombeau du Silence et du sans fin repos”

Site oficial: Palais Idéal

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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