A França é um país com uma longa história, farta cultura e uma arquitetura única, com belos palácios e castelos, monumentos culturais e antigos, feitos por arquitetos e construtores famosos, que ganharam fama mundial. Mas houve um pessoa simples, um carteiro do interior, que sonhava alto e decidiu construir sozinho um palácio imaginado em seus sonhos. 

Palais Idéal, o castelo dos sonhos de um carteiro

A história do carteiro Joseph Ferdinand Cheval (1836-1924) começa em 1879, quando ele tinha 43 anos e trabalhava como carteiro rural no sudeste Palais Ideal, o castelo dos sonhos de um carteiroda França. Sua rotina diária era caminhar cerca de 32 quilômetros entregando cartas, revistas e cartões aos produtores rurais. Nessas andanças, ele visualizava os cartões postais vindos de países distantes, muitos deles exibindo palácios e castelos, que um dia ele se imaginava visitar.

A ideia de construir um palácio do jeito que sonhava, foi inspirado por tantos outros que havia visto ao longo dos anos, em revistas e cartões. Num dia qualquer, ele tropeçou em uma pedra incomum. O carteiro ficou tão impressionado com a beleza e o formato dela, que interpretou essa descoberta como um sinal divino. Em sua autobiografia, ele comentou:

“Havia tropeçado numa pedra que quase me fez cair. Foi um tropeço tão incomum que coloquei a pedra no bolso para admirá-la quanto estivesse em casa. Eu comecei então, a imaginar construindo um palácio magnífico. Não contei nada a ninguém sobre meus sonhos, pois tinha receio que às pessoas rissem da ideia. Eu mesmo me sentia envergonhado com essa ideia, mas aquilo martelava constantemente a minha cabeça.

Palais Idéal, o castelo dos sonhos de um carteiro

Porém a vida era dura e o seu ganha pão não sairia de seus sonhos. Por quase quinze anos, eles foram deixados de lado, mas nunca esquecidos, até que se deparou com outra pedra incomum, e achou que aquilo não fosse mera coincidência.

Novamente colocou-a no bolso e levou para casa e concluiu que a natureza estava lhe dando os materiais de construção para realizar seus sonhos, portanto era um sinal para ele se tornar um arquiteto e pedreiro.

Palais Idéal, o castelo dos sonhos de um carteiro

Ferdinand voltou ao mesmo lugar inúmeras vezes (ao longo de 20 anos) para coletar as pedras que considerava ideais para seu projeto. Todos os dias ele as coletava e deixava-as em lugares específicos e à noite voltava para buscá-las. E ao retornar para casa, ele empilhava as pedras em seu jardim.

Sua esposa começou a reclamar, cansada de remendar seus bolsos, então ele mudou o modo de transportar pedras, no início usou uma cesta, para depois usar um carrinho de mão e assim, transportar um maior número delas. Nesse meio tempo, em suas horas de folga começou a estudar arquitetura de vários países e épocas e técnicas de construção. 

Palais Idéal, o castelo dos sonhos de um carteiro

Depois de se aposentar, Ferdinand finalmente começou a erguer seu palácio, após vinte anos desde a descoberta da primeira pedra. Com a ajuda de ferramentas simples e de sua esposa, eles começaram a conectar as pedras coletadas com cal e argamassa de cimento.

Ambos passaram as duas primeiras décadas construindo apenas as paredes externas, naquele que ficou conhecido como um dos monumentos mais estranhos de todos os tempos. Inicialmente foi chamado de “O Templo da Natureza”, e mais tarde, como Palácio Ideal ou Palais Idéal, que Ferdinand dizia ser o palácio dos contos de fadas que ele tanto imagina em suas caminhadas como carteiro.

Palais Idéal, o castelo dos sonhos de um carteiro

Pela sua contagem, ele e a esposa levaram mais de 9.000 dias ou 65.000 horas, utilizando 3.500 sacos de cal na construção. “Eu queria provar que a força de vontade pode conseguir tudo“, comentou Ferdinand sobre sua obra. 

A construção tem 26 metro de comprimento, 14 metros de largura e com uma altura que varia de oito a dez metros. O Palais é uma mistura de diferentes estilos, com inspirações do cristianismo ao hinduísmo.

Palais Idéal, o castelo dos sonhos de um carteiro

Há uma versão de um templo hindu ao lado de um chalé suíço, ou um prédio típico da Argélia ao lado de um castelo medieval, e em algum lugar no meio disso tudo, também tem uma mesquita árabe. “Meus mentores espirituais, foram Júlio César, Arquimedes e Vercingétorix“, Ferdinand comentou numa entrevista para um jornal.

As paredes do palácio, por fora e por dentro, são decoradas com inúmeras inscrições antigas, que só Ferdinand conhece o significado. Ele incorporou na construção sinais misteriosos, esculturas de deuses, animais fabulosos e fontes. Há também lustres feitos de pedras e conchas.

Palais Idéal, o castelo dos sonhos de um carteiro

Alguns das inscrições se consegue interpretar, e são frases curtas como: “Para um coração ardente de desejo, nada é impossível“, outras: “Humano, lembre-se que você é apenas pó, apenas sua alma é imortal.” Em uma placa na fachada oriental diz: “10.000 dias, 93.000 horas e 33 anos de trabalho! Se alguém acha que pode fazer melhor, deixe-o tentar.

Em 1912, com a idade de 77 anos, ele finalmente decidiu que seu sonho estava concluído. A partir daí, sua obra começou a chamar a atenção internacional e foi destaque na mídia, saindo em cartões postais e revistas na época, atraindo pessoas de todo o mundo, para visitar seu estranho palácio. 

Palais Idéal, o castelo dos sonhos de um carteiro

O bizarro edifício traz certa de 150.000 visitantes por ano para a cidade de Hauterives, no norte de Valence, França. Palais Idéal foi classificado Monumento Histórico em 1969 por André Malraux (Ministro dos Assuntos Culturais 1959-1969), indo contra a opinião de todos do Departamento de Cultura, que achavam a construção de Ferdinand de mal gosto.

Um funcionário público comentou na época: “A coisa toda é absolutamente medonha. Uma pilha deplorável de insanidades que passaram no cérebro de um homem rudimentar”.

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Nos porões do palácio, Ferdinand construiu duas criptas – para sua esposa e para si mesmo, pois planejava ser enterrado com sua criação.

O único desejo do modesto carteiro, depois de ter colocado a pequena cidade de Hauterives no mapa, era um pedido para enterrá-lo dentro de seu castelo, mas as autoridades francesas recusaram. Sem desanimar, ele voltou a trabalhar com 78 anos e em 1914 começou a modificar a cripta da família num cemitério próximo.

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Nessa empreitada, ele passou oito anos construindo o que ele chamou de “Le Tombeau du Silence et du sans fin repos”, traduzindo algo como: “O túmulo do silêncio e descanso sem fim”. Dois anos após a sua conclusão, em agosto de 1924 e apenas alguns dias depois que terminou de escrever sua autobiografia, Ferdinand morreu e foi enterrado nesta nova estrutura que fica a um quilômetro da cidade de Hauterives.

Pouco antes de sua morte, ele recebeu o reconhecimento dos famosos artistas surrealistas André Breton e Pablo Picasso e foi nomeado o fundador do estilo art brut (arte bruta).

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A visão de mundo de Ferdinand não continha o conceito de fronteiras entre países. O mundo unido pelo amor universal, estes são os principais motivos de sua criação, a Bíblia diz que cada um deve erguer sua própria igreja. Ele construiu sua igreja como ele sentiu e viu.

O enorme trabalho árduo de um simples carteiro, que dedicou 33 anos de sua vida à construção de um monumento, um palácio imaginado em seus sonhos, foi coroado de sucesso mundial. 

Palais Idéal, o castelo dos sonhos de um carteiro

Em 1969, sob o governo De Gaulle, o Ministro da Cultura anunciou oficialmente que o Palácio Ideal de Ferdinand foi transformado em monumento histórico. E mais tarde em 1975, o palácio e o túmulo, foram considerados pela crítica como obras-primas da arquitetura e estão agora tombados e protegidos pelo Estado.

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Palais Idéal, o castelo dos sonhos de um carteiro

Estrutura que Ferdinand Cheval construiu no cemitério local para ser enterrado junto com sua esposa.

Palais Idéal, o castelo dos sonhos de um carteiro

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Palais Idéal, o castelo dos sonhos de um carteiro

Site oficial: Palais Idéal

Texto originalmente publicado em 14 de maio de 2015

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