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Pilar Katskhi, a coluna da vida da Geórgia

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É preciso ter muita determinação e força de vontade para se tornar um monge. Mas um homem levou sua devoção a outro nível, quando decidiu se isolar do mundo, indo morar em Katskhi Pillar, um monolito de calcário de 43 metros de altura, com vista para o pequeno vale do rio de Katskhura, um afluente do rio Q’virila, situado na aldeia de Katskhi, região de Imereti, no oeste da Geórgia, pequeno país da região do Cáucaso.

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Depois de um passado marcado por violência, drogas e detenções, Maxime Qavtaradze de 63 anos, ex operador de guindaste se tornou monge em 1993, e construiu seu lar ao lado de uma antiga igreja sobre o monolito, para viver “mais perto de Deus“, como ele mesmo gosta de dizer. Sem qualquer tipo de ajuda, o monge carregou nas costas o material necessário para construir um complexo que consiste de uma igreja dedicada a Máximo, o Confessor, com 4,5 por 3,5 metros quadrados, uma cripta, três celas para monges eremitas, uma adega e um muro de contenção. O cume tem uma área de aproximadamente 150 metros quadrados.

Maxime precisou de duas décadas de trabalho árduo para ver concluído seu trabalho. Nos dois primeiros anos, o monge morou nas ruínas e no decorrer dos anos, com a ajuda da comunidade cristã da região, foi construída uma escada, uma casa para o monge e a reconstrução da igreja.

Pilar Katskhi, a coluna da vida da Geórgia

Maxime Qavtaradze, apreciando o vale do rio de Katskhura

O monólito, é conhecido localmente como a “Coluna da Vida”, e por cerca de mil anos, a rocha foi venerada como um símbolo da cruz em que Jesus morreu e acredita-se que antes do cristianismo chegar a região, o monólito era usado para rituais pagãos de fertilidade, e se considerando a forma da rocha, isso não é de surpreender. Ninguém sabe ao certo como os monges chegaram ao topo ou como conseguiram carregar materiais de construção ao topo há mil anos atrás, sendo ainda hoje, um desafio enorme.

Um história local, diz que um monge corajoso, escalou a pedra, carregando nas costas, grossas cordas que amarrou no topo e que foi usada então para carregar materiais pesados e pessoas. Mas tarde, foi afixada uma corrente de ferro no topo à cúpula da igreja Katskhi, localizada a cerca de 1,5 quilômetros de distância.

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Durante séculos, o monolito ficou abandonado e os moradores locais só podiam olhar para as misteriosas ruínas em seu cume. Em 1944, um grupo de alpinista liderado por Alexander Japaridze faz a primeira ascensão documentada e descobriu restos de uma capela e o esqueleto de uma pessoa que se acredita ser do último monge estilista que habitava o topo da pedra. O escrito Levan Gotua e o especialista em arquitetura Vakhtang Tsintsadze também estavam no grupo e relataram num artigo de 1946, que as ruínas encontradas no topo da rocha eram restos de duas igrejas, provavelmente datadas dos séculos 5 e 6, associadas a prática estilista, relacionado a Simeão, o velho.

Santo Simeão, nasceu em 390 e viveu na Síria e se tornar um monge eremita aos 16 anos de idade. A lenda diz que Simeão passou 37 anos acorrentado a uma rocha de 28 metros de altura, de onde pregava, convertia pecadores e dava orientação as pessoas, sendo chamado de “o estilista“, que vem da palavra grega sytilos, e que significa coluna. Quando morreu, Simeão havia criado um novo tipo de religiosos ascetas (aqueles que fazem renúncias durante a vida).

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O pilar Katskhi é mencionado pela primeira vez por Prince Vakhushti, um estudioso do século 18, que registrou aspectos geográficos do monólito e as construções do cume: “Há uma rocha surgindo da ravina, em pé como um pilar, consideralvemente elevado. Nele, há uma pequena igreja no topo da rocha, mas ninguém é capaz de subir lá. Nem sei como fizeram isso“.

Desde 1999, o pilar Katskhi tornou-se tema de uma pesquisa mais sistemática. Com base em estudos e escavações arqueológicas realizadas em 2006, Giorgi Gagoshidze, um historiador de arte com o Museu Nacional da Geórgia, datou as estruturas como sendo obras do século 9 ao 10. Ele concluiu que esse complexo era composto por uma igreja do mosteiro e as celas de monges eremitas. A descoberta dos restos de uma adega de vinhos também minou a ideia de um extremo ascetismo florescendo no topo do pilar.

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Em 2007, uma pequena placa de calcário com a inscrições georgianas Asomtavruli (um dos três sistema de escrita usado para escrever o idioma do país) foi encontrado, e datado como uma obra do século 13, revelando o nome de alguém chamado “Giorgi”, que foi responsável pela construção de três celas de eremitas. As inscrições também fazem menção a “Coluna da vida”, repetindo a tradição popular de veneração da pedra como um símbolo da verdadeira cruz. Entre 2005 e 2009, o mosteiro no topo do pilar foi restaurado com o apoio da Agência Nacional para a Preservação do Patrimônio Cultural da Geórgia.

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“Aprenda com o ontem, viva para o hoje, acredite no amanhã. O importante é não parar de questionar!”. – Albert Einstein

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