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Pirâmide de Ball, a maior ilha vulcânica do mundo

Pirâmide de Ball, a maior ilha vulcânica do mundo

A cerca de 644 quilômetros a nordeste da costa da Austrália, no Mar da Tasmânia, há uma enorme pirâmide natural, um dos últimos remanescentes secos de um conteúdo submerso. A Pirâmide de Ball é considerado a maior ilha vulcânica do mundo, subindo a uma altitude impressionante de 562 metros acima do nível no mar, com um comprimento de 1.100 metros e 300 metros de largura. A estrutura monolítica se formou após anos de erosão de um antigo vulcão em escudo, há cerca de sete milhões de anos, e é o lar do que talvez seja o inseto mais raro do mundo. Faz parte do parque marinho da Ilha de Lord Howe, integrado na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

A pirâmide consiste em fluxos de lava de basalto colocados horizontalmente que vêm de uma tampão vulcânico formado em uma abertura de um vulcão anterior. O basalto, uma rocha comum formada a partir do mando fundido da terra, também pode ser encontrado na Lua, Marte, Vênus e no asteroide Vesta. Assim, aqueles que escalaram a Pirâmide de Ball, afirmam que a experiência pode se assemelhar a estar ao redor da Lua ou outra superfície planetária distante.

Enquanto a ilha fica bem longe da Austrália, fica apenas a 20 quilômetros da costa da Ilha Lord Howe, uma antiga ilha baleeira descoberta em 1788 por um tenente da Marinha Real inglesa chamado Henry Lidgbird Ball. Ele encontrou tanto a massa de terra, quanto a imponente estrutura de pedra quando estava a caminho da colônia penal da Ilha Norfolk, em Sydney Cove.

Pirâmide de Ball, a maior ilha vulcânica do mundo

Lagosta-das-árvores (Dryococelus australis) | Crédito da foto

Essa estranha estrutura em forma de pirâmide que parece existir sozinha no oceano, na verdade, está no topo do que os pesquisadores chamam de “continente perdido”. Geólogos descobriram uma massa de crosta continental de origem “gondwânica” quase totalmente submersa, chamada Zelândia ou Tasmantis, em 2017, após décadas de amostragem de rochas e pesquisas geológicas. A massa abrange uma área de 4,9 milhões de quilômetros quadrados, sendo maior do que a Groenlândia ou a Índia, e quase a metade do tamanho da Austrália.

O nome Zelândia foi proposto em 1995 pelo geofísico e oceanólogo Bruce Peter Luyendyk. Desde da sua proposição, o uso do nome Zelândia como continente geológico não foi totalmente aceito pela comunidade internacional devido tanto a questões políticas como por não se ter todos os dados necessários para caracterizá-la como continente.

Os geólogos Nick Mortimer e Hamish Campbell retomaram essa discussão em 2014, defendendo essa proposta através de critérios ecológicos e geológicos, no seu livro Zealandia: Our continent revealed. Porém foi somente em 2017 que um grupo de geólogos neozelandeses, australianos, e neocaledônios conseguiu comprovar que a Zelândia possui todos os quesitos para ser considerada um continente.

O que torna a Pirâmide de Ball ainda mais interessante é sua história e a sua vida selvagem única. Depois que foi descoberto, o tenente Ball foi incapaz de ir à terra devido à sua crosta recortada e elevações íngremes. Na verdade, ninguém foi capaz de desembarcar na ilha até quase um século depois.

Em 1882, acredita-se que Henry Wilkinson, geólogo do Departamento de Minas de Nova Gales do Sul levou uma equipe para escalar a pirâmide. No entanto, pouco se sabe sobre esta primeira jornada. Desde então, o mundo assumiu a ilha como uma terra árida, desprovida de vida.

Foi escalada até ao topo pela primeira vez em fevereiro de 1965, por uma equipe de montanhistas do Clube de Escalada Sydney Rock. A equipe descobriu algo que os cientistas pensavam que havia perdido há muito tempo!  O imenso “Lord Howe Island Stick Insect“, apelidado de lagosta-das-árvores (Dryococelus australis), uma espécie de bicho-pau endêmica e que era abundante na ilha Lord Howe durante a maior parte de sua história.

Uma infestação de ratos pretos de um naufrágio em 1918 dizimou a população de lagosta-das-árvores, e depois de 1920, não foram encontradas mais espécimes, e os especialistas acreditavam que estivessem extintos. A equipe de escaladores numa tentativa frustada de escalar a Pirâmide de Ball em 1964, tiraram fotos de um exemplar morto da espécime que se supunha estivesse extinto e isso deu aos pesquisadores a esperança de que esses insetos pudessem ser encontrados novamente.

Finalmente em 2001, um grupo de entomologistas descobriu um grupo de 24 insetos vivos vivendo em torno de um único arbustro de Melaleuca. Acreditava-se que essa população compreendia quase todos os insetos restantes da Ilha Lord Howe na Terra. Em 2003, uma equipe retornou e conseguiu reunir dois casais reprodutores, que acabaram conseguindo produzir algumas crias no Zoológico de Melbourne. Em 2012, os cientistas conseguiram criar mais de 12.000 insetos individuais em cativeiro, levando as espécies para longe da extinção. Planos estão sendo feitos para reintroduzir esses insetos na natureza.

A sobrevivência deste inseto raro é graças ao fato de que a Pirâmide de Ball existia relativamente intocada na maior parte da era moderna. Em 1982 foi proibida a prática de escalada na ilha, mediante uma emenda ao Ato da Ilha de Lord Howe, e em 1986 o Conselho da Ilha de Lord Howe proibiu o acesso à pirâmide. Em 1990 mudou a política, de modo que se permitisse alguma atividade de escalada, sob condições muito restritas. Nos últimos anos, para se poder realizar escalada é preciso requerer autorização ao ministro competente.

Os exemplares adultos da lagosta-das-árvores podem chegar a medir até 15 centímetros e a pesar até 25 gramas; as fêmeas são maiores que os machos. Eles tem medidas largas e também tem patas robustas; não é estranho que nos machos a parte superior do par de patas inferiores sejam particularmente grossas. Diferentemente de muitos Phasmatodea, eles não tem asas, porém, por isso podem correr muito rapidamente. Eles são insetos noturnos.

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Crédito da foto

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