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Roswell: O que caiu aqui?

Roswell: O que caiu aqui?

Faltava dez minutos para as dez horas da noite tempestuosa de 2 de julho de 1947. Na varanda de sua casa, num bairro da cidade de Roswell, no Estado americano do Novo México, o casal Wilmot espantou-se ao ver surgir velozmente no céu um objeto enorme, oval e incandescente. Um outro homem, William Woody, teve a mesma visão. Foi tudo muito rápido. Na sequencia, o capataz do Rancho Foster, William Mac Brazel e seus vizinhos ouviram um estrondo perto do lugar onde vivem, na zona rural da cidade. Algo ocorreu em meio à tempestade. Seja lá o que foi, e isso ninguém sabe até hoje, a única certeza é de que o mundo inteiro começou a falar da pacata Roswell a partir daquela noite.

Roswell, o que caiu aqui?

Local em Roswell onde o suposto UFO acidentado tenha caído

Os fatos que se seguiram explicam os motivos de tantos mistérios sobre o episódio. Na manhã seguinte à queda, o fazendeiro Brazel saiu a cavalo para avaliar os danos causados pelo temporal. Numa área remota da fazenda, encontrou os destroços de algo que havia se espatifado no chão na noite anterior. Muitos pedaços de uma folha metálica maleável, que, após ser apertada, voltava como por encanto à forma original.

Encontrou também barras finas e varetas feitas de um metal muito leve. Brazel percebeu que numa dessas barras estavam impressos estranhos sinais, na cor lilás, que lembravam uma escrita oriental ou hieroglífica. Recolheu certa quantidade e a colocou em seu galpão, sem saber bem o que fazer. E, mesmo relutante, ele acabou comparecendo à delegacia, dois dias depois.

Depois de falar com Brazel, o xerife George Wilcox entrou em contato com o major Jesse Marcel, oficial do setor de Inteligência do Grupo 509 de Bombardeiros da Força Aérea americana – único no mundo, na época, equipado com armas nucleares, e de cuja base aérea, quase dois anos antes, partira o Enola Gay, o avião-bombardeiro que soltou a bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima.

Ao mesmo tempo em que Marcel era designado para visitar o lugar do suposto desastre, seu superior, o general Roger Ramey, enviara um comunicado ao Pentágono a respeito do incidente. Começava nesse momento um intrincado jogo. Enquanto Marcel examinava os estranhos destroços, constatando que não eram radioativos, o governo americano empreendia uma busca sigilosa no local da queda do misterioso objeto voador.

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Sinais encontrado numa barra no local do acidente exposto no museu da cidade

Um frenético trabalho teve início no Rancho Foster. Algumas versões dão conta de que, além dos destroços do suposto disco voador, alguns de seus ocupantes teriam sido localizados e recolhidos à base aérea do Grupo 509. Hoje, é difícil aquilatar a credibilidade desses relatos, mas não há dúvidas de que o fato tinha implicações mais profundas do que, por exemplo, um simples desastre de avião.

Tanto que a partir do dia seguinte, o governo americano fez o possível para abafar toda e qualquer publicidade em torno do incidente. As vias de acesso a Roswell foram bloqueadas e o Rancho Foster foi cercado por soldados, empenhados em evitar a bisbilhotice das pessoas do lugar.

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Supostos fragmentos do OVNI acidentado

Só que era difícil manter uma cortina fechada em torno desse episódio tão singular. Glenn Dennis, agente da Funerária Ballard, teria recebido um estranho telefonema da base aérea. Um oficial queria saber se ele tinha em estoque caixões pequenos, hermeticamente fechados. Dennis, perplexo, suspeitou ter havido algum acidente nas proximidades, resultando na morte de várias crianças. Mas o militar recusou-se a dar explicações. Uma hora e meia depois, ligou de novo.

Desta vez, queria saber detalhes de como conservar cadáveres que haviam ficado muito tempo no deserto. Dennis recomendou que os corpos fossem congelados e ofereceu seus préstimos profissionais, mas foi recusado. Intrigado, o agente funerário teria ido até a base, onde uma amiga sua, Naomi Self, trabalhava como enfermeira.

Encontrou ali um movimento incomum e uma atmosfera de tensão. Ao encontrar a amiga, ouviu dela um apelo veemente: “Desapareça já, se não quiser se meter numa grande encrenca“. Antes que Dennis pudesse se recobrar da surpresa, foi alcançado por dois guardas, que o levaram porta afora.

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A esquerda, o general Roger Ramey em seu escritório em Fort Worth Army Air Field, mas tarde conhecido como Carswell Air Force Base, examinando restos de um balão meteriológico, que os ufólogos afirmam que foi usado para encobrir o verdadeiro acidente

Nessa noite, a maior parte dos restos do objeto já havia sido analisada. E ninguém sabia de onde viera aquilo. Seria de outro país? De outro planeta? Ou quem sabe de dentro dos Estados Unidos mesmo, como resultado de alguma experiência ultra-secreta, ignorada até mesmo pelos altos escalões daquela base aérea? Mas, se assim fosse, como explicar as inscrições? Pelo que se sabe, não pertenciam a nenhum idioma conhecido na Terra.

O major Marcel teria até pegado alguns pedações e mostrado à família. “Isto aqui não é desde mundo. Quero que você se lembre disso para toda a sua vida“, teria dito então ao seu filho, Jesse Marcel Jr. E ele se lembrou mesmo por toda a vida. Mais tarde, quando adulto se tornou médico e foi morar na cidade de Helena, em Montana. Quando questionado sobre os objetos, sempre diz estar convencido de que eles não eram desse mundo.

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Placa no Rach Foster do local do suposto acidente com o OVNI

Depois de uma reunião secreta entre Marcel e a cúpula da Força Aérea, a assessoria de imprensa da base divulgou um comunicado confirmando os boatos a respeito da possível queda de um disco voador. “O objeto caiu numa fazenda de Roswell na semana passada”, dizia o texto. O que se seguiu a esse comunicado foi um verdadeiro pandemônio. Nesse mesmo dia, as emissoras de rádio e os dois jornais locais anunciaram o fato aos quatro ventos. A notícia ganhou o mundo.

De uma hora para outra. Roswell tornava-se um nome conhecido em todos os continentes. As autoridades americanas, entretanto, não viam com bons olhos esse estardalhaço todo. Ao emitir um telex para a agência United Press, um radialista recebeu uma advertência de Washington: “Atenção! Aqui FBI. Finalizar relato. Repito: finalizar relato. Assunto de segurança nacional“.

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Anos mais tarde apareceu um vídeo de uma autópsia e que tudo indica seja falso, feito com uma película de filme virgem da década de 1940 nos dias atuais

A farsa começava a ser montada nesse momento, na opinião dos que sustentam a hipótese da queda de um disco. Os destroços do objeto começaram a ser levados para a Base Aérea de Wright Patterson, em Ohio. No lugar onde eles estavam, na fazenda que Brazel trabalhava, teriam sido colocados fragmentos de um balão meteorológicos, juntamente com um aparelho de orientação por radar.

O passo seguinte foi uma declaração à imprensa d próprio Jesse Marcel – todo retraído, constrangido, mas cumprindo ordens como bom militar – de que a versão inicial, em favor de uma nave extraterrestre, não passava de um lamentável engano. Em suma, era um balão mesmo.

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A Manchete do jornal local “Roswell Daily Record” afirmava que os militares haviam capturado um disco voador em um rancho na região de Roswell e que foi desmentido uns dias depois

Mais ou menos a mesma reviravolta aconteceu nas declarações de Brazel. Num primeiro momento, acredita-se que ele teria andado garganteando sobre o disco voador. Mas, de repente, sua conduta mudou tanto quando sua situação financeira. Negando sua versão inicial, Brazel mudou de vida. Se antes do incidente ele era um homem modesto. ao final de tudo saiu com uma caminhonete nova e recursos suficientes para comprar uma casa e uma empresa de fornecimento de gelo.

Enquanto tudo isso acontecia atrás das cortinas oficiais, um surto de versões sobre o caso se espalhava por Roswell – para a população de uma lugar encravado no deserto, acostumado apenas com os uivos dos coiotes, um acontecimento como aquele tinha de ser saboreado até a última gota. O agente funerário Dennis teria recebido uma ligação de sua amiga enfermeira, que lhe revelou, em sigilo absoluto, ter acompanhado. a pedido de dois médicos, uma autópsia preliminar de corpos de extraterrestres. Seriam três, dois deles bastante mutilados, segundo ela, talvez em consequência de ataques de coiotes do deserto.

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Um dos museus da cidade sobre o assunto

Conforme o relato da moça, os corpos dos extraterrestres teriam não mais que 1,2 metro de comprimento e exalavam um odor quase insuportável. Eles teriam uma cabeça proeminente, sem cabelos, dotada de olhos grandes e profundos, diminutos orifícios nasais e boca fina. Os braços seriam compridos e delgados. A pele, escura, macia e lisa, sem pelos. As mãos teriam apenas quatro dedos, com orifícios similares às ventosas dos polvos (depois desse dia, Dennis jamais voltaria a ver sua amiga.

Ela teria sido transferida para um país distante, talvez a Inglaterra. Ele lhe escreveu algumas semanas depois, mas a carta retornou com o carimbo “falecida”. Mas, anos depois, um pesquisador do caso descobriu que, na verdade, nenhuma enfermeira chamada Naomi Self trabalhou na base aérea nos anos 40. Dennis, então revelou ter dado um nome fictício a ela. Por quê?).

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Imagem mostra o objeto que teria supostamente caído em Roswell

Curiosos de vários pontos do país rumaram para a cidade. As coisas tomavam um tal vulto que o próprio presidente Harry S. Truman mandou um represente oficial a Roswell. Enquanto isso, na base aérea da cidade, os oficiais mais graduados esforçavam-se para lançar uma pá de cal sobre o incidente. Aos soldados que haviam participado do resgate do OVNI, as instruções eram claras: o assunto dizia respeito à segurança nacional e era, portanto, sigiloso. Depois de um mês, todos acabariam transferidos para outras bases militares.

Em 24 de setembro de 1947, o presidente Truman deu início a uma operação secreta denominada “Majestic 12”, um grupo de doze pessoas, cujo objetivo era investigar ao máximo tudo o que havia acontecido em Roswell – o que dá a entender que a versão do balão meteorológico não passava mesmo de um jogo de aparências. Outro fato confirma tal suspeita: no fim de outubro, o Pentágono preparou um memorando sigiloso incumbindo as Forças Armadas de compilar todas as informações disponíveis a respeito do episódio.

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Visão de Roswell

Anos mais tarde, o que se tem sobre Roswell é um instigante jogo de luz e sombras. O pesquisador Kent Jefrey, um dos maiores estudiosos do caso na década de 1990, contestou todas as evidências da queda de um disco voador. Segundo ele, o que Brazel encontrou na verdade eram os restos de um balão carregando um radar-refletor, parte de um projeto confidencial chamado Mogul, idealizado para rastrear radioatividade em artefatos nucleares soviéticos e divulgado na mesma época pela Força Aérea.

Em junho de 1997, a mesma Força Aérea soltou um relatório de 231 páginas para resumir o Caso Roswell como o resultado de uma “experiência com bonecos de alumínio jogados em para-quedas, de balões para verificar hipóteses científicas sobre consequências para o corpo humano de quedas de grandes alturas”.

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Bonecos na entrada de Roswell

Nem sequer as versões oficiais são unânimes no Caso Roswell, o que alimenta ainda mais o mistério. A única certeza é de que uma lenda se formou sobre a cidade, que já demostrava sua vocação cinematográfica muito antes de nascer ali Demetria Guynes, a estrela de Hollywood consagrada com o nome de Demi Moore. A cidade ostenta dados curiosos em seu currículo, como ser a maior produtora de queijo mozarela do país, mas ganhou fama mundial como centro de romarias “ufológicas”. Há ali dois museus especializados no assunto.

Em julho de 1997, para comemorar o aniversário da data, foi realizado o Roswell UFO Encounter 97, evento para o qual participou 150 mil pessoas – simplesmente o dobro da população da cidade e desde então tal evento é realizado frequentemente na cidade. A ficção se misturou com a realidade em Roswell. De que modo, e em que proporções, provavelmente ninguém jamais saberá.

A terra dos extraterrestres

Os Estados do Novo México, Nevada e Arizona, nos EUA, formam uma zona nobre para aqueles que se dedicam ao culto de assuntos extraterrestres. Ali ainda restam grandes áreas livres da interferência das luzes da cidade, cuja escuridão parece fazer as estrelas despencar do céu, compondo assim o pano de fundo ideal não só para os voos dos OVNIs, mas também da imaginação.

Na minuscula vila de Rachel, em Nevada, a Rodovia 375 passou a ser chamada de Rodovia Extraterrestre. O lugar é considerado uma espécie de “caixa postal negra”, numa alusão a tudo aquilo que os observadores costumam ver, chegando pelo céu. E há, de fato, um pouco de tudo: meteoros, mísseis e até protótipos de aviões que são testados ali. Esses aparelhos são lançados de uma base misteriosa, instalada em altas montanhas cercadas pelo deserto, protegida por sensores eletrônicos e guardas armados.

Ela não tem nome oficial, apenas apelidos estranhos como “Dreamland” (Terra dos Sonhos), “Groom Lake” (Lago dos Noivos) ou simplesmente “Área 51”. Há quem diga, por exemplo, que ali se restauram e testam discos voadores caídos e avariados. Em Rachel fica também o pitoresco bar Little A’Le”Inn, que tem motivos alienígenas espalhados da fachada até as prateleiras.

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Jesse Marcel analisa os destroços da suposta nave espacial que teria caído em Roswell

Na metade do caminho entre Roswell e Rachel, perto das cidades de Winslow e Leupp, no Arizona, fica outra atração extra-espacial. Trata-se de uma imensa cratera, com cerca de 1.200 metros de largura e 170 metros de profundidade, provocada pelo impacto de um meteoro, há 50 mil anos, e que espalhou uma enorme quantidade de pedregulhos por uma grande área.

Os astronautas da Missão Apollo foram treinados ali, pela semelhança desse lugar com a superfície da Lua. O interior da cratera causa profunda sensação de vazio nos visitantes, numa paisagem que certamente difere de tudo o que alguém pode ter visto antes – ao menos neste mundo, é claro.

Vídeo abaixo é um pedaço da filmagem de uma autópsia feita dentro da Área 51, em um alienígena em 1947

Já o vídeo abaixo, acreditasse que seja autêntico

Texto adaptado do artigo publicado da Revista Caminhos da Terra, número 8, edição 64

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