Sewell, a cidade mineira abandonada nos Andes

Postado por

Situada a 2.000 metros de altitude nos Andes, no município de Machali, a 60 quilômetros a leste de Rancagua, no Chile, a cidade mineira de Sewell, construída em 1905 pela empresa Braden Copper, para abrigar trabalhadores no que seria a maior mina de cobre subterrânea do mundo, a El Teniente.

Foi a primeira cidade de cobre do Chile e o maior produtor deste material do mundo. É um exemplo notável em que cidades de empresas foram estabelecidas em partes remotas do mundo para extrair e processar recursos naturais, criadas de uma fusão de mão-de-obra local com capital e recursos financeiros externos. Sewell Mining Town é particularmente notável por sua contribuição para a expansão global da tecnologia de mineração em grande escala.

A cidade foi construída nas encostas dos Andes sem estradas planas, apenas uma grande escadaria central subindo da estação ferroviária. Os edifícios foram construídos de madeira e muitas vezes pintados de verde vivo, azul claro, amarelo, vermelho. É conhecida como a Ciudad de las Escaleras (Cidade das Escadas) ou Ciudad Derramada en el Cerro (Cidade espalhada pela encosta) por causa de sua configuração urbana nas encostas íngremes andinas. Estes declives dramáticos deram origem a um design orgânico caracterizado por um sistema de circulação interior exclusivamente de escadas e caminhos para pedestres, com locais públicos construídos em pequenas áreas abertas entre os edifícios. A construção de edifícios e instalações industriais mostram grande criatividade e qualidade na utilização da madeira e do aço. Sua expressão arquitetônica é marcada pela austeridade, funcionalidade e impressão do modernismo.

As origens de Sewell remontam a 1905, quando o governo chileno autorizou o engenheiro mineiro americano William Braden a explorar a mina de cobre. Em um empreendimento comercial épico, Braden construiu estradas, uma fábrica concentradora, acampamentos e uma ferrovia que conectava este lugar remoto a cidade de Roncagua. El Teniente e a cidade de Sewell eram propriedade de empresas americanas até 1971, quando a indústria do cobre foi nacionalizada, tornando-se propriedade do Estado, que até o final de 1960, já havia se tornando o principal acionista.

Em seu início, Sewell não era nada mais do que um pequeno acampamento na área mais próxima da mina, tendo uma usina hidrelétrica e elevadores para transportar cobre e ferro. Desde 1915, quando a cidade foi nomeada Sewell em homenagem a Barton Sewell, sócio de Braden, que começou a crescer em infraestrutura e arquitetura, assumindo as características de uma cidade. Isso foi reforçado com a construção da ferrovia, precisamente a tempo de atender à crescente demanda de cobre devido a Primeira Guerra Mundial.

Edifícios multicoloridos para abrigar mineiros, hospital, igreja, escola técnica, clube social, teatro, pista de boliche e uma piscina aquecida foram construídos. No auge, Sewell tinha 15.000 habitantes em 175.000 metros quadrados até o momento de seu máximo desenvolvimento em 1968. A ferrovia de bitola estreita trazia todos os suprimentos necessários a cidade, enquanto o minério saia da mina em enormes baldes por um sistema elétrico que serpenteava a colina abaixo até a fundição em Caletones. A partir de 1968, a cidade lentamente começou a perder habitantes quando a empresa resolveu que era mais eficiente mover os trabalhadores para Rancagua, a fim de proporcionar melhores condições.

A cidade foi abandonada como um assentamento de mineração em 1980, permanecendo em uso parcial como dormitório para o pessoal de manutenção da mina, o que levou à modificações em alguns dos edifícios e se iniciou um processo gradual de demolição até década de 1990, quando uma política orientada para a proteção e conservação do lugar foi implementado. Em 1998, a cidade foi declarada monumento nacional e em 2006, tornou-se Patrimônio Mundial pela UNESCO. A mina El Teniente ainda funciona, e produz 3% da demando do cobre no mundo.

Fontes: 1 2

“Aprenda com o ontem, viva para o hoje, acredite no amanhã. O importante é não parar de questionar!”. – Albert Einstein

Postagens por esse mundo afora

Visualização: 458 vezes

Obrigado por avaliar. Divulgue nas redes sociais, o que achou! .
Ajude a melhorar nosso conteúdo! O que achou do artigo??
  • Ótimo
  • Bom
  • Indiferente
  • Poderia ser melhor
Ajude a melhorar o conteúdo do site. Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Scroll Up