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Shōwa-shinzan, a montanha que o Japão escondeu do mundo

Shōwa-shinzan, a montanha que o Japão escondeu do mundo

Shōwa-shinzan é a montanha mais jovem do Japão com 398 metros de altura, localizada dentro do Parque Nacional Shikotsu-Toya, na ilha de Hokkaidō, não muito longe do vulcão ativo do monte Usu, que já entrou em erupção quatro vezes desde 1900. Com a erupção do vulcão Usu, uma série de fortes terremotos sacudiu a região, e a montanha começou a aparecer no meio de um campo de trigo em 28 de dezembro de 1943. Quando o magma derretido rompeu a superfície, ele elevou o campo e nos dois anos seguintes a cúpula de lava continuou a subir até atingir quase 400 metros de altura.

Shōwa-shinzan, a montanha que o Japão escondeu do mundo

Crédito da foto

O nome Shōwa-shinzan significa “nova montanha Shōwa“, devido a montanha ter sido formada no reinado do imperador Hirohito, conhecido como o período Shōwa (1926-1989). Quando Shōwa-shinzan entrou em erupção, o Japão estava lutando contra os Aliados na Segunda Guerra Mundial. A aparição de um vulcão em um momento em que o país inteiro estava em perigo foi tomado como um mau presságio pelas pessoas mais supersticiosas. As autoridades tentaram abafar e pediram aos moradores que mantivessem a montanha em segredo.

Shōwa-shinzan, a montanha que o Japão escondeu do mundo

Diagrama Mimatsu

Masao Mimatsu, um carteiro que morava nas proximidades, começou a observar e registrar o progresso do vulcão. Devido aos tempos de guerra, materiais científicos básicos estavam em falta e Masao teve que improvisar. As anotações que ele registrou e os esboços que fez de Shōwa-shinzan são os únicos registros disponíveis aos geólogos sobre a formação dessa montanha.

Shōwa-shinzan, a montanha que o Japão escondeu do mundo

O vulcão Usu, visto da montanha Shōwa-shinzan | Crédito da foto

Masao amarrou várias linhas de pesca horizontalmente através de duas vigas verticais ao lado do posto dos correios. E ficou observando o crescimento do vulcão através dessas linhas – elas agindo como linhas guias – dia após dia, desenhava a montanha, em momentos diferentes em seu crescimento. Em 1948, Masao apresentou seus dados e esboços na Conferência do Vulcão Mundial, em Oslo e seu trabalho foi amplamente elogiado por vulcanologistas de renome. Seus trabalhos foram chamados de “Diagrama Mimatsu” e por ele, Masao recebeu o Primeiro Prêmio Cultural de Hokkaido.

Shōwa-shinzan, a montanha que o Japão escondeu do mundo

Ilustração de como Masao Mimatsu fez para medir o vulcão

Masao usou todas as suas economias e comprou as terras onde se localizava o vulcão, para poder estudar o mesmo mais aprofundadamente. Registros mais precisos sobre essa compra não existem. Moradores locais contam que ele havia comprado, quando a montanha estava crescendo, outros já dizem que foi só depois que o vulcão adormeceu.

Qual a verdadeira ninguém sabe ao certo, mas o carteiro tornou-se proprietário de um vulcão e até hoje ele continua em propriedade privada e fumegando, apesar do governo japonês declarar que é um monumento natural do Japão – uma raridade em qualquer lugar do mundo. Masao foi homenageado com o Mimatsu Masao Memorial Hall, próximo ao Shōwa-shinzan e uma estátua de bronze sua foi erguida dele olhando através de um equipamento de topografia.

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Comparação do campo de trigo, antes do vulcão e depois

Fontes: 1 2 3

“Na corrida dessa vida é preciso entender que você vai rastejar, que vai cair, vai sofrer.E a vida vai lhe ensinar que se aprende a caminhar e só depois correr”. – Bráulio Bessa

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