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A técnica do salto do búfalo usados pelos nativos americanos

A técnica do salto do búfalo usados pelos nativos americanos

O bisão-americano, bisonte-americano ou búfalo-americano (Bison bison) é uma espécie de bovino que habita a América do Norte. Pastam nas pradarias, em grandes manadas, migrando para o sul durante o inverno. Antes da colonização europeia da América, foram caçados pelos nativos americanos por milhares de anos. Os índios tornaram-se praticamente dependente deste animal para sua subsistência, tirando de suas carcaças o que podiam.

A carne era secada, defumada e consumida posteriormente, o couro seria usado para roupas, sapatos, abrigo e como roupa de cama. O pelo e a cauda poderia ser usado para fazer cordas e pinceis e os tendões dos músculos serviam para fazer linha de costura, cordas para os arcos de flechas e cola, já os ossos e chifres foram usados para fazer uma variedade de ferramentas para o uso diário. Sendo assim, para alimentar, vestir e abrigar uma comunidade inteira, a caça massiva era mais que necessária.

A técnica do salto do búfalo usados pelos nativos americanos

“Driving Buffalo Over the Cliff”, pintura de Charles Marion Russell | Crédito da foto

Com planejamento, organização e um pouco de sorte, os caçadores indígenas conseguiram matar dezenas ou mesmo centenas de animais de cada vez, usado pouco ou nenhum armamento. Uma técnica desenvolvida pelos nativos para matar esses bovinos é conhecida como ‘salto búfalo‘, onde rebanhos de bisões eram assustados, criado assim, um estouro da manada e os animais correndo descontrolados, eram direcionados a um precipício, saltando para a morte.

Para atrair os rebanhos para o precipício, assustá-los o suficiente para causar uma debandada, criando pânico e finalmente fazer os animais caírem para a morte, exigia uma logística muito bem planejada e o esforço de muitos nativos, mas às recompensa eram enormes. Numa única vez, o ‘salto do búfalo’ poderia fornecer para a tribo inteira, alimentos e roupas por meses.

A primeira tarefa dos indígenas era encontrar um penhasco adequado. Os melhores locais eram aqueles que começavam com uma boa pastagem, e que inclinava suavemente para baixo em direção à borda e terminava num penhasco de uns 10 metros de altura. Um vez que tal local era achado, a tribo começavam a preparar a armadilha, empilhando rochas e tocos de árvores, formando um caminho em forma de funil, onde o final seria o precipício.

Um índio se cobria com pele de bezerro e tentaria atrair o rebanho para a entrada da armadilha. Muitas vezes, os nativos disfarçados mugiam para atrair a atenção dos bovinos e em seguida, começavam a se mover em direção ao penhasco. À medida que a manada se aproximavam, outros caçadores escondidos atrás das rochas saltavam, gritando e agitando couros para manter o rebanho dentro do funil, enquanto outros, assustavam a manada por trás. Quando os animais corriam em direção a borda do penhasco, os bisões que vinham na frente, percebiam o perigo eminente e tentavam parar, mas o peso e a força dos que vinham atrás, pressionavam e empurravam todos para o precipício.

A técnica do salto do búfalo usados pelos nativos americanos

Um diorama de Vore Buffalo Jump exposto no museu de Crook County Museum | Crédito da foto

A queda mataria muitos animais e quebrando as pernas de muitos outros. Imediatamente começaria os trabalhos de esfolar os animais. A carne fresca seria consumida, mas a maioria seria seca e armazenada para uso posterior. Os ossos das enormes pernas seriam esmagados para obter o tutano, e os pedaços de ossos seriam fervidos para extrair a gordura. O processo de abate, esfola e defumação duraria semanas, ao fim do qual os nativos teriam um enorme suprimento de carne e couro. Nenhuma parte do animal seria desperdiçada.

Este tipo de caça era um evento comunitário, que se acredita já ser usado a 6.000 anos atrás. Após a domesticação dos cavalos e com melhores ferramentas de caça, os caçadores seguiam os rebanhos de bisontes e os caçavam durante todo o ano, ao contrário de grandes caças comunitárias no outono. O salto búfalo rapidamente se tornou um método obsoleto de caça.

A técnica do salto do búfalo usados pelos nativos americanos

Diorama em um museu em Montana, EUA | Crédito da foto

Arqueólogos descobriram dezenas de locais na América do Norte onde esse tipo de matança de bisões ocorreram. Esse lugares podem ser identificados pela aproximação com bordas de penhascos, quantidade de fragmentos de ossos, ferramentas e artefatos de pedra encontrados. O precipício de bisontes de Head-Smashed-In é um dos lugares mais antigos e melhor preservados, com um depósito de ossos numa profundidade de 12 metros ainda intactos.

Está localizado onde os montes das montanhas rochosas começam a subir a partir da prataria, a 18 quilômetros ao noroeste de Fort Macleod, em Alberta no Canadá. O local foi incluído em 1981, na lista de Lugares do Patrimônio Mundial da Unesco e é um museu da cultura dos índios americanos. As tribos dos Blackfoot traziam as manadas de bisões das pastagens de Porcupine Hills, a cerca de três quilômetros de distância, em seguida orientavam para o funil preparado por centenas de montes de pedras com cerca de 300 metros de comprimento, fazendo os animais caírem de uma altura de 10 metros.

A técnica do salto do búfalo usados pelos nativos americanos

Depósito de ossos em Vore Buffalo Jump, em Crook County Wyoming | Crédito da foto

O nome original de Head-Smashed-In na língua dos Blackfoot é Estipah-skikikini-kots. Segundo a lenda indígena, um jovem da tribo queria assistir a queda dos búfalos debaixo do penhasco, mas foi esmagado por um deles. Mais tarde, ele foi encontrado morto sob a pilha de carcaças, com a cabeça esmagada. Outros locais notáveis ​​do salto do búfalo incluem Madison Buffalo Jump em Gallatin County, Montana; Ulm Pishkun em Cascade County; Olsen-Chubbuck Bison kill em Colorado; Camp Disappointment em Glacier County em  Montana; Vore Buffalo Jump em Crook County, Wyoming, e Bonfire Shelter no Texas, entre outros.

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Head-Smashed-In Buffalo Jump no Canadá | Crédito da foto

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Madison Buffalo Jump State Park | Crédito da foto

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Ulm Pishkun Buffalo Jump | Crédito da foto

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William R. Leigh (1866 – 1955). “Buffalo Drive,” 1947. Óleo sobre tela | Crédito da foto

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Placa de entrada em Head-Smashed-In Buffalo Jump | Crédito da foto

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Centro e museu da cultura dos nativos americanos em Alberta, Canadá | Crédito da foto

Fontes: 1 2 3

“Tudo o que o homem não conhece não existe para ele. Por isso, o mundo tem para cada um o tamanho que abrange o seu conhecimento”. – Carlos Bernardo González Pecotche

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Me chamo Júlio César e moro em Porto Belo, Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, uma revista digital feita para pessoas que gostam de ler e saber mais profundamente sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos pelo mundo afora, bem como lendas, eventos e outros assuntos inusitados.

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