Todos os dias, às 12h55, uma esfera vermelha com sua cor desgastada, no telhado da Flamsteed House, antigo Observatório de Greenwich em Londres, sobe até a metade do caminho de um mastro. Às 12h58, ela sobe o caminho todo até o topo do mastro e exatamente às 13h00 em ponto, ela cai com um baque surdo, voltando a sua posição inicial. Qualquer pessoa que esteja nas imediações, podem verificar se seus relógios estão lhe mostrando as horas corretas, pela “esfera do tempo” no telhado. Atualmente, o tempo pode ser facilmente sincronizado através da internet, usando dispositivos móveis ou GPS, e as esferas do tempo podem parecer coisa de criança, mas no passado, na era vitoriana, essa era uma das poucas maneiras pelas quais o tempo era anunciado as pessoas.

Naquela época, poucas pessoas podiam se dar ao luxo de ter seus próprios relógios, em vez de ficar contando com o bater dos sinos de hora em hora do relógio da torre da igreja, ou das esferas do tempo, para conferir o tempo. Os relógios da igreja não eram muito precisos, mas também, a maioria das pessoas não tinha necessidade de saber o tempo certo, as pessoas simplesmente levavam suas vidas, sem se importar muito com o tempo.

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo no telhado da Flamsteed House em Greenwich, Londres | Crédito da foto

Mas para um capitão de navio, as coisas eram bem diferentes, pois eles precisavam saber as horas exatas para poder posteriormente, determinar a sua posição no mar, ajustando as leituras da posição do sol e das estrelas, quando estiverem em alto mar. Em 1761, John Harrison, um carpinteiro de Portsmouth, em Yorkshire na Inglaterra, desenvolveu um cronômetro marítimo que era portátil e preciso o suficiente para fazer o trabalho. Mas mesmo sendo uma notável invenção, o cronômetro era inútil se não podia ser configurado com o tempo correto antes de partir para uma longa viagem.

A ideia da esfera de tempo foi proposto pela primeira vez em 1829 por Robert Wauchope, um capitão da Marinha Real, que sugeriu a construção de uma esfera de tempo em Greenwich, devido ao observatório estar localizado numa colina perto do rio Tâmisa, para indicar visualmente aos marinheiros às horas corretas e assim, eles através de telescópio poderiam configurar seus cronômetros antes de partir para uma viagem. Além do mais, um sinal visual ao invés de um audível, como sinos de igreja se mostravam mais vantajosos, pois o som viaja através do ar mais lentamente, levando cerca de três segundo para percorrer um quilômetro e as outras condições atmosféricas também afetam a velocidade do som.

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo no telhado da Flamsteed House em Greenwich, Londres | Crédito da foto

A princípio teve uma certa relutância por parte dos astrônomos, uma vez que alguém teria que subir todos os dias na mesma hora ao telhado para movimentar a esfera, faça sol ou faça chuva. Tempos depois, uma esfera acionado por um guincho foi fabricada por Maudslay, Son & Field e assim uma bola do tempo vermelha foi instalada em 1833, no Observatório de Greenwich, e logo esse tipo sistema de sinalização foi difundido pelas cidades, vilas e portos de todo o mundo.

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo no telhado da Flamsteed House em Greenwich, Londres | Crédito da foto

Em 1845, foi criado a primeira esfera de tempo no Observatório Naval dos Estados Unidos, mas mostrava às horas ao meio dia, ao contrário do Reino Unido que mostrava às 13h00. Essa diferença, é porque os astrônomos da Inglaterra primeiro precisavam consultar corretamente a posição do sol e das estrelas, para então divulgar as horas corretas e com o passar dos anos, virou tradição.

Esferas de tempo pequenas também foram usadas em estações ferroviárias, hotéis e lojas. Diariamente, o Observatório Real de Greenwich ajustava seus relógios de acordo com as observações da posição do sol e das estrelas e enviava um sinal para esses relógios. Mas isso só foi possível por volta de 1850, com a invenção do telégrafo, antes disso, as esferas de tempo não podia ficar muito distantes desses centro de observação. Esses esferas de tempo foram muito usadas até 1924, até a descoberta das ondas de rádio, e depois se tornaram obsoletas e muitas foram desmontadas.

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo no telhado da Flamsteed House em Greenwich, Londres | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo no farol Williamstown, Austrália | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

A esfera sobre um moinho em Wickham Park, Brisbane, Queenland, na Austrália | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo no Observatório de Sidney, Austrália | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo sobre a torre do relógio de Brighton | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo em Portswood Ridge, Victoria and Alfred Waterfront, Cidade do Cabo | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo de 1881 sobre o telhado do edifício Equitable Life Assurance Society | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo moderna, instalada para a celebração de ano novo na Time Square em Nova Iorque | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo moderna, instalada para a celebração de ano novo na Time Square em Nova Iorque | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo moderna, instalada para a celebração de ano novo na Time Square em Nova Iorque | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo sobre a torre do relógio de Brighton | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Esfera do tempo instalada desde 1853, no Nelson Monument, em Edimburgo, Escócia | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Cidade do Cabo, África do Sul | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Observatório Naval dos Estados Unidos, em Washington | Crédito da foto

Esferas do tempo, na divulgação das horas

Gotemburgo, Suécia | Crédito da foto

Fontes: 1 2 3

“Tudo o que o homem não conhece não existe para ele. Por isso, o mundo tem para cada um o tamanho que abrange o seu conhecimento”. – Carlos Bernardo González Pecotche

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