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Topsy e Mary, os elefantes que foram executados em público

Topsy e Mary, os elefantes que foram executados em público

Numa época, quando ainda não existia televisão, cinema, internet, etc…as opções em entretenimento eram limitadas, e assim, os circos itinerantes foram muito populares, principalmente em regiões mais distantes dos grandes centros. Animais exóticos vindos da África ou Ásia geralmente eram suas grandes atrações, e a maioria das pessoas os viam pela primeira vez através destes circos.

No início do século 19, os Estados Unidos já tinham uma boa malha ferroviária e vários circos as utilizam para se locomoverem pelo país, e por questão de conveniência, montavam suas tendas ao lado dos trilhos, próximos as cidades. Topsy e Mary foram dois elefantes que trabalharam em circos por vários anos, mas em alguns acessos de fúria acabaram matando pessoas, e foram executados em público, num show de horror à parte. Até a década de 1920, a execução de animais nos Estados Unidos por decisão dos tribunais eram comuns. Por via de regra, mataram cães e cavalos quando estes conduziram à morte de pessoas pelas suas ações. Conheça as histórias dos primeiros elefantes que foram executados em público que se tem registro.

Topsy

Topsy era um elefante fêmea, asiático de 28 anos, e uma das principais atrações do Luna Amusement Park, de Coney Island, quanto foi eletrocutado em público em janeiro de 1903. Topsy, era um magnífico animal de três toneladas que empolgava os visitantes do parque, com suas performances. No entanto, seu temperamento era agressivo, devido aos constantes maus tratos recebidos de seus treinadores. Ela causou a morte de três pessoas no decorrer de poucos anos.

Em maio de 1902, quando Topsy ainda pertencia ao Forepaugh & Sells Brothers Circus, ela estava amarrada junto com outros elefantes numa tenda, quando um bêbado entrou no recinto e começou a provocar os elefantes. Todos os elefantes ficaram agitados, mas o homem escolheu justamente Topsy para provocar, jogando areia em seus olhos e em seguida apagando seu charuto no corpo do animal, enfurecendo-o ainda mais. O animal irritado jogou o homem ao chão com sua tromba e esmagou sua cabeça com a pata. A notícia de que um dos elefantes tinha assassinado um homem e que já havia matado antes, trouxe muita gente ao circo, querendo ver o elefante assassino, aumentando a má fama de Topsy.

Topsy e Mary, os elefantes que foram executados em público

Em junho do mesmo ano, enquanto Topsy estava sendo retirada de um vagão, um espectador começou a provoca-la, espetando-a com uma vara. Inesperadamente, Topsy conseguiu agarrar a pessoa com sua trompa, ergueu-a e a jogou ao chão e antes que pudesse matar a pessoa, um treinador a impediu. Depois deste episódio, os proprietários do circo decidiram se livrar do animal, antes que ela fizesse outra vítima e o circo sofresse às consequências. Venderam Topsy ao Coney Island Lion Park Sea, um parque fixo em Coney Island, que a adicionou aos seus animais em exposição. Posteriormente, o parque foi rebatizado para Luna Amusement Park. Topsy virou imediatamente a atração principal do parque, sendo sua imagem estampada em todos os cartazes de publicidade espalhados pela cidade.

A fama de assassino continuou acompanhando o animal e isso atraia cada vez mais pessoas ao parque e seus donos não deixaram o elefante em paz, usando-o nas mais diversas formas de ganhar dinheiro. Em outubro de 1902, a usaram para puxar um bonde cheio de visitantes, pelas ruas adjacentes ao parque, porém ela se recusou, fazendo seu tratador, William Alt ficar aborrecido e a espetá-la com um ancinho. Um policial viu e chamou-lhe a atenção, principalmente por estar trabalhando bêbado. O tratador contrariado, ameaçou soltar o animal sobre as pessoas que se aglomeravam no local. O policial acabou levando o tratador e o elefante presos.

Em dezembro do mesmo ano, o mesmo treinador bêbado puxando Topsy pela rua, parou na estação de trem e a amarrou ao lado da estação. O animal conseguiu se soltar e o seguiu, entrando no prédio, porém ficou entalado na porta. Para se livrar, ficou agitada, assustando os funcionários e passageiros, fazendo a estação virar um caos. Na mesma semana, William Alt instigou o paquiderme sobre um grupo de trabalhadores italianos, fazendo-os correrem e se abrigarem sobre um andaime. Após esses episódios o parque decidiu demitir o treinador problemático, porém, depois disso, ninguém mais conseguiu lidar com o animal, que se tornou cada vez mais agressivo.

Decidiram então, também se livrar do elefante, e anunciaram que ele seria enforcado em público, claro, cobrando uma pequena taxa de entrada. A divulgação do enforcamento revoltou algumas pessoas, que acharam ser uma forma desumana de executar um animal, fazendo os responsáveis buscarem outra solução. Com o aconselhamento da American Society for the Prevention of Cruelty to Animals, decidiram matá-lo com doses de veneno e eletricidade.

Em uma ilha sendo construída, numa área que estava sendo ampliada no parque foi preparada para o espetáculo macabro da morte de um elefante, o lugar era grande e o fosso com água ao redor, protegeria o grande público, caso algo saísse de errado e perdessem o controle sobre o animal. No dia planejado para a execução, domingo, 4 de janeiro de 1903, Topsy se recusou a atravessar a ponte improvisada de madeira que dava acesso a ilha e não teve pessoa que a fez mudar de ideia e assim chamaram William Alt, o antigo tratador para convencer o animal a ir para a ilha, porém esse se recusou em ajudar.

Topsy e Mary, os elefantes que foram executados em público

Em torno de 1.500 pessoas pagaram para ver o espetáculo e cerca de 100 repórteres estavam a postos para noticiar o evento. Diante da recusa do animal e a inquietação do público, o jeito foi trazer o cenário da morte preparado pela empresa Edison Electric Illuminating Company of Brooklyn, para onde estava o elefante.

Depois de algum tempo, ela foi posicionada sobre uma grade de ferro que receberia a energia elétrica e amarrada com cabos grossos e resistentes. O paquiderme já meio grogue por ter sido envenenado antes, com cenouras misturadas com 460 gramas de cianeto de potássio, não esboçou nenhuma reação quando recebeu uma descarga de 6.600 volts. Simplesmente caiu de lado, morrendo dez segundos depois.

Em alguns sites pode-se ler que tal espetáculo tinha sido planejado e executado pelo inventor Thomas Alva Edison pessoalmente, mas isso não é verdade, pois ele havia vendido sua participação na empresa de iluminação em 1892. Anos antes, ocorreu entre a empresa do inventor e George Westinghouse, seu concorrente, um evento chamado “guerra das correntes”, onde Edison defendia a corrente contínua, enquanto a corrente alternada era defendida por Westinghouse, na utilização de eletricidade nas moradias e alegavam que Edison se utilizará da morte de Topsy, para mostrar os perigos da corrente alternada de seu concorrente.

Foi sua empresa de filmagens, que vez o filme da morte do animal e que posteriormente era exibido em máquinas que funcionavam com moedas, com o título “Electrocuting an elephant”. A empresa de Edison percorria o país fazendo filmagens de assuntos interessantes para serem exibidos nessas máquinas. Talvez o fato de a empresa de energia ter ainda o nome do inventor, ou do nome dele aparecer em todos os filmes que eram exibidos nas máquinas, possa ter sido a causa da confusão, colocando o inventor como sendo e executor do elefante. Tempos depois da morte de Topsy, o Luna Park foi destruído por um incêndio e o filme de Edison, a única lembrança que restou do episódio.

Mary

Já Mary, um elefante fêmea asiático de cinco toneladas, foi anunciado durante anos pelo circo Sparks World Famous Shows, como “a maior criatura viva sobre a terra”, e ele foi enforcada em setembro de 1916, nos arredores da estação ferroviária de Erwin no Tennessee, também nos Estados Unidos e sendo assistido por cerca de 2.500 pessoas. Jornais da época descreviam o animal como “elefanta assassina” e foi executada, sendo erguida por um vagão guindaste que era usado no carregamento de madeira.

Numa primeira tentativa, quando Mary estava sendo erguida, ela se debateu e as cordas se romperam, e o animal caiu de uma altura de cinco metros. A multidão assustada achando que o “elefante louco” iria sair correndo, matando todo mundo, saiu gritando, correndo para todos os lados. Mas Mary apenas ficou sentada sobre suas patas traseiras sobre os trilhos da ferrovia, impossibilitada de se mover, provavelmente devido a quebra de vários ossos em seu corpo. Testemunhas mais tarde descreveram terem ouvido o som dos ossos de Mary, partindo-se em pedaços. Após o caos terminar, foi feita uma segunda tentativa, agora usando grossas correntes, e o elefante foi erguido com sucesso, e desta vez Mary lutou menos e depois de alguns minutos, estava morta.

Topsy e Mary, os elefantes que foram executados em público

Até o dia de sua execução, como não poderia deixar de ser, Mary por ser o maior elefante de todos os circos que atuavam nos Estados Unidos, era uma das principais atrações do circo. No dia anterior, Mary estava sendo conduzida juntos com outros elefantes pelo recém e inexperiente treinador Walter “Red” Eldridge, quando a elefanta parou de repente, distraindo-se com um pedaço de melancia que encontrou no chão.

Walter havia sido orientado de nunca provocar os animais, mas naquele momento, ele tratou de corrigir o animal, cutucando-o com uma vara com um gancho na ponta, atrás da enorme orelha. O elefante ficou furioso e desferiu um violento golpe com sua trompa, fazendo o domador voar vários metros no ar. Uma vez no solo, Mary aproximou-se dele e pisou em sua cabeça, esmagando-a.

Topsy e Mary, os elefantes que foram executados em público

As pessoas que estavam presentes correram aterrorizados, e muitas gritavam “Matem o elefante!”, “Matem essa besta!” Um ferreiro local até tentou, descarregando sua arma contra ele, mas a pele do paquiderme era muito grossa, fazendo as balas apenas ricochetearam nela. Depois disso, o animal foi preso, sendo amarrado provisoriamente nos fundos da delegacia. O público furioso, não deixaram o animal em paz, e as autoridades locais pressionaram o proprietário do circo, Charlie Spark, para tirar o animal urgentemente da cidade.

Topsy e Mary, os elefantes que foram executados em público

Naquela época, um elefante com gênio ruim, ou mesmo que tivesse ferido ou matado alguém, tinha seu nome mudado e vendido a outro circo sem maiores problemas. Porém a história da morte de Walter se espalhou rapidamente por todo o nordeste do Tennessee. Os jornais apelidaram o elefante de “Murderous Mary” e afirmavam que ela já tinha matado antes.

O prefeito de Johnson City, próxima parada do circo, havia proibido deles se apresentarem na cidade, enquanto Mary estivesse junto com a trupe e outras cidades estavam ameaçando fazer o mesmo, e o pior, havia rumores de um grupo de pessoas que iria fazer justiça com as próprias mãos, matando o animal com um tiro de um antigo canhão, remanescente da Guerra Civil Americana.

Charlie Spark ouviu muitas opções absurdas para acabar com a vida do animal, entre elas, de amarrar o animal a duas locomotivas para então desmembrá-la, indo às locomotivas em direções opostas ou esmagar seu corpo entre duas locomotivas, e até mesmo pensaram na eletricidade, porém a região não fornecia o suporte necessário e no fim optaram mesmo pelo enforcamento. Após a morte, um veterinário examinou o elefante e constatou que ele tinha um dente infeccionado, bem no lugar onde havia sido cutucada pelo inexperiente domador. Após 20 anos de trabalho em circos, a velha Mary recebeu a dolorosa morte como prêmio e se tornou o primeiro elefante a ser enforcado na historia.

Artigo publicado originalmente em dezembro de 2016

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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