Na época da Primeira Guerra Mundial, os tanques militares eram apenas meros conceitos. Leonardo da Vinci, o gênio renascentista do século 15, já havia feito alguns esboços de um veículo blindado redondo movido a humanos, com canhões saindo de suas laterais. Também no final deste século, um general tcheco construiu vagões blindados equipados com canhões e os usou efetivamente em várias batalhas.

Tsar Tank, o imenso e estranho tanque do czar

Uma réplica do tanque czar perto de Moscou

No conto, The Land Ironclads, publicado pela primeira vez na revista “The Strand” em 1903, Herbert George Wells, também escritor dos clássicos A Guerra dos Mundos e A Máquina do Tempo, imaginou veículos blindados de trinta metros de comprimento equipados com canhões e rifles, e superfícies grandes para transportar um pelotão inteiro.

Pareciam grandes navios, fortemente armado e blindado, movido a vapor. Ao redor das bordas superiores dos veículos, havia portas de observação e uma torre de comando que podia ser elevada ou abaixada através do centro da tampa superior de ferro.

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Nas descrições de seus veículos, ele usava rodas de pedrail, uma invenção de Bramah Joseph Diplock e publicada uns meses antes. Essas rodas eram projetadas para auxiliar no cruzamento de terrenos lamacentos ou traiçoeiros. No entanto, as rodas de pedrail nunca foram usadas em veículos blindados de combate e seu inventor abandonou o projeto em 1910, mas foram inspirações para desenvolver esteiras de correntes que foram as primeiras a demonstrar vantagens das esteiras sobre as rodas.

Tsar Tank, o imenso e estranho tanque do czar

As máquinas inventadas por H.G.Well eram as mais próximas que alguém imaginava como seria um tanque de verdade. Mas ninguém poderia imaginar o grandioso tanque czar, do engenheiro russo Nikolay Lebedenko. Sua invenção parece mais um veículo de ficção científica imaginado por Julio Verne ou um pesadelo steampunk do que algo construído por engenheiros.

Quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu em 1914, não haviam tanques para ser usado efetivamente nos combates. Os veículos blindados existiam antes do início da guerra, mas não se mostraram úteis em terrenos abertos abertos e não eram muito bons para atravessar obstáculos, como trincheiras e barreiras. Os veículos eram muito pesados por causa de sua armadura e armamentos que eles carregavam, o que os tornava inadequados para trafegar sobre o solo macio.

Tsar Tank, o imenso e estranho tanque do czar

Uma réplica do tanque czar perto de Moscou. Foto: vikond65.livejournal.com

As esteiras sobre rodas resolveram o problema de peso distribuindo o peso do veículo em uma área muito maior sem a necessidade de um trem de força adicional. Tais esteiras, conhecidas como lagartas (em inglês, caterpillar) se tornaram o padrão para todos os tanques e tratores até hoje.

Mas o protótipo do tanque czar de Nikolai Lebedenko era totalmente diferente. Tinha nove metros de altura, dezoito metros de comprimento e parecia um imenso triciclo, com uma rolo de metal na traseira, com apenas 1,5 metros de altura e duas gigantes rodas dianteiras.

Tsar Tank, o imenso e estranho tanque do czar

Foto real do tanque

Entre elas, as rodas sustentavam uma estrutura com doze metros de largura numa armadura de aço e equipado com dois canhões de 76,2 mm e uma linha de metralhadora de 7,62 mm para proteger o tanque da infantaria inimiga, Cada roda era alimentada por um motor de combustão interna Sunbeam de 250 cavalos de potência.

Tsar Tank, o imenso e estranho tanque do czar

Foto real do tanque

Nikolai comparou seu desenho a um morcego pendurado e chamou sua invenção de Netopyr, que é uma espécie de morcego. “Com essas máquinas, toda a frente alemã será invadida em uma noite e a Rússia vencerá a guerra“, afirmava Nikolai Lebedenko.

Nikolai originalmente construiu uma pequena maquete de madeira do tanque, usando como propulsor um motor de mola de um um gramofone no modelo e o apresentou ao czar Nicolau II. A visão de um veículo em forma de carrinho de três rodas andando pelo tapete e escalando uma pequena pilha de livros encantou o czar. Ele decidiu financiar o projeto, e o tanque ganhou o nome de patrocinador, que acabaria investindo 210.000 rublos, equivalente a várias dezenas de milhões de dólares hoje.

Tsar Tank, o imenso e estranho tanque do czar

A evolução dos tanques de 1918 a 2018

Não só Nikolai Lebedenko estava empenhado no projeto, como também Nikolai Zhukovsky, o “pai da aviação russa” e seus sobrinhos, Alexander Mukulin e Boris Stechkin, então estudantes da Universidade Técnica de Moscou e outros acadêmicos da mesma universidade.

Em agosto de 1917, o protótipo T-34 de Nikolai estava pronto para o teste de campo. Como um veículo de 60 toneladas seria praticamente impossível que percorresse longas distâncias, ele foi projetado para ser rapidamente desmontado, transportado em partes e remontado atrás das linhas de frente de combate.

Tsar Tank, o imenso e estranho tanque do czar

Com o protótipo montado num campo de provas secreto especialmente adaptado para o teste a 60 quilômetros de Moscou, constatou-se que a estrutura carregava muita carga na roda traseira, fazendo-a ficar presa em solo macio e valas, e suas rodas dianteiras não tinham forças suficientes para conseguir desatolar o veículo.

Também havia outras desvantagens no design da geringonça. Devido ao seu tamanho, o tanque seria alvo fácil para a artilharia inimiga. As grandes rodas dianteiras também eram frágeis e poderiam ser destruídas sem dificuldade. Os canhões também teriam um arco de disparo muito limitado devido ao bloqueio das rodas dianteiras.

O teste foi um fiasco e foi constatado que o design do veículo era ineficiente pela comissão do exército russo e o projeto abandonado. O tanque permaneceu no local onde foi testado até 1923, quando foi finalmente desmontado para sucata. Já seu inventor, foi embora para os Estados Unidos no mesmo ano, e nada mais se sabe sobre ele.

Fontes: 1 2 3

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Sobre o Autor

Curioso desde sempre, queria um lugar para guardar às curiosidades de lugares e histórias inusitadas que lia em livros ou pela internet e assim nasceu o site Magnus Mundi em 2015. Me chamo Julio Cesar, sou natural de Blumenau e morador de Porto Belo, litoral de Santa Catarina.

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